segunda-feira, 5 de abril de 2010

Não basta Mandela.




Quando Nelson Mandela conquistou a presidência sul-africana em 1994, o mundo (pelo menos a parte deste que defende a igualdade e ajustiça social) rejubilou. O regime racista havia sido vencido, nascia a "nação arco-íris" e a reconciliação nacional estava a ser posta em marcha por um Presidente que é, de facto, um ser superior.


Todavia, o racismo não havia terminado e as décadas de repressão e humilhação da população negra não haviam sido esquecidas nem apagadas pela política de aproximação de Mandela. Imediatamente, estalou a violência entre as comunidades branca (africânder) que continuava amplamente privilegiada e negra (que se mantinha, em grande parte, miserável) e as grandes cidades sul-africanas passaram a ser as zonas mais perigosas para se viver (tirando as áreas em guerra).


O recente assassinato do líder do movimento africânder de extrema-direita vem-nos relembrar esta situação e que não basta um líder quase sobre-humano para manter a unidade num país. Infelizmente, Mandela (tal como Gandhi na Índia/Paquistão), não pode, sozinho, promover e fazer cumprir o plano de reconciliação nacional. A comunidade negra sul-africana pode ter fingido apagar da memória o apartheid, mas não esqueceu, nem perdoou.

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