sexta-feira, 9 de abril de 2010

Hoje é um pouco menos mau ser português



A partir de hoje, depois da decisão do TC de que o diploma que estende o casamento civil a casais compostos por pessoas do mesmo sexo não é contrário aos ditames da Constituição da República Portuguesa, o casamento gay é uma realidade. Mesmo que Cavaco, o que considero duvidoso vir a acontecer, vete politicamente o diploma (com que explicação?), bastará que se repita a mesma maioria que anteriormente aprovou a proposta para que a justiça pela qual clamam amplos sectores da sociedade portuguesa se veja posta em prática de maneira inequívoca.

Cavaco Silva, e podemos imaginar o quão a contragosto o fará, terá de engolir o, para si, gigantesco sapo de ser o Presidente que terá de promulgar para valer como lei um diploma contra o qual é intrínseca, moral e "religiosamente" contra. O mais reaccionário dos Presidentes eleitos na democracia portuguesa será aquele que irá promulgar a lei mais "avant-garde" que o regime do pós-25 de Abril produziu. Pode, todavia, ficar descansado porque a sociedade (e sobretudo os seus potenciais apoiantes numa provável recandidatura às presidenciais) não esquece que ele tudo fez para que este passo no sentido do futuro fosse dado no nosso país.

Agora, e para causar a menor celeuma possível, penso que Cavaco desejará promulgar o referido diploma o quanto antes para que a sua entrada em vigor não coincida com a visita da Sua Santidade o Papa Bento XVI ao nosso outrora fervorosamente católico país.

Congratulemo-nos porque, apesar desta medida ficar claramente aquém daquilo que seria desejável (na medida em que exclui a adopção), em breve, Portugal tornar-se-á uma país mais justo, mais inclusivo, mais igualitário, tendo, igualmente, em conta as também recentes decisões no que respeita à transexualidade e doação de sangue por homossexuais masculinos. Hoje é um pouco menos mau ser português.

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