domingo, 18 de abril de 2010

Entrevista II: "A descolonização foi péssima".




1- O que representa, para ti, o 25 de Abril de 1974?

Para mim representa a queda da ditadura, e a instauração da democracia, bem como a "ferramenta" para a independência das colónias.


2 - Qual é, para ti, a principal herança do 25 de Abril de 1974?

A principal herança foi haver liberdade de expressão, partidos políticos e um governo democraticamente eleito, e a Assembleia da República para se discutirem os assuntos do país.


3 - Globalmente, a teu ver, o 25 de Abril tem um significado positivo ou negativo?

Tem um significado positivo. Afinal as pessoas têm direito a ter liberdade de expressão, votar, escolher quem querem no poder e lutar pelos seus direitos.


4- Qual foi, para ti, a figura mais importante na construção da democracia portuguesa?

Salgueiro Maia, sem o mínimo de dúvida.


5- Que pensas da forma como foi realizada a descolonização?

A descolonização foi péssima, sem o mínimo de dúvida. De repente, choveu em Portugal um milhão de portugueses, sem ter para onde ir. E isso reflecte-se no estado miserável dos países descolonizados.


6- Portugal é, hoje, uma democracia?

É. Embora tenha perdido muitos dos valores que ganhou aquando do 25 de Abril.



Gonçalo, estudante de ciências e tecnologias (secundário), 17 anos.

3 comentários:

  1. Oh yeah. A minha primeira entrevista! :D

    Adorei, obrigado! Temos que repetir ^^

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  2. Obrigado pelo teu contributo!

    Havemos de repetir, claro. = )

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  3. Eu tinha 17 anos quando o 25 de Abril aconteceu. Estava a concluir o curso de Especialização de Desenho Industrial na Escola Fontes Pereira de Melo, no Porto.
    Se o 25/4 não tivesse acontecido eu teria emigrado ilegalmente para França (de "assalto" como se dizia na altura)onde já estava o meu pai há muito tempo, ter-me-ia afastado da família, dos amigos e do ambiente que me criou. E porquê?
    Porque o trabalho em Portugal era pouco e mal remunerado mas, essencialmente, porque era obrigatório ir para a tropa e isso significava ir bater com o costada na guerra em Angola, Moçambique ou Guiné, significava a possibilidade de regressar sem um braço, sem uma perna, com malária, com traumas e depressões, regressar dentro de um caixão ou simplesmente, nem sequer regressar.
    Eu sou dos que estão infinitamente gratos ao MFA pela descolonização, pela democracia, pela liberdade mas, essencialmente, por me terem dado a esperança que não tinha.
    Felicidades para o vosso blogue.
    Albino Costa

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