segunda-feira, 19 de abril de 2010

A ditadura salazarista e o seu povo.



No dia 19 de Maio de 1954, um ceifeira alentejana, uma simples mulher pobre e, aparentemente, inofensiva, foi brutalmente assassinada pelo tenente Carrajola da GNR. Catarina Eufémia haveria de morrer pouco tempo depois dos disparos, com um filho de tenra idade nos braços.

Toda esta tragédia aconteceu porque Catarina chefiava um grupo de mulheres que, em plena época da ceifa de trigo no Alentejo, veio à casa do patrão pedir um miserável aumento de dois escudos pela jorna de trabalho. Atemorizado com o grupo de 14 mulheres debilitadas pela fome e pelo trabalho, o feitor da herdade de Francisco Nunes mandou chamar a GNR.

"Apenas queremos pão e trabalho" terá respondido Catarina quando interrogada pelo tenente da guarda que logo a agrediu com uma bofetada que atirou a fraca compleição física de Catarina ao chão. Enquanto se levantava, depois da indigna golpe, Catarina arremessou: "Já agora mate-me". E foi exactamente o que o tenente Carrajola fez, com três tiros no peito.

Pão e trabalho, pão e trabalho. Foi o que Catarina ousou pedir. E foi por isso que foi morta. No horrendo regime salazarista (que só viria a conhcer um fim em Abril de 74) ninguém tinha o direito de pedir nada, na medida em que a pobreza fazia parte dos objectivos do "Botas" para Portugal. Manter o povo miserável e esfomeado, tornava-o menos atreito atreito a procurar vias de contestação ao regime, porque tinha de se concentrar na próxima refeição.

Catarina Eufémia representa a luta do povo português, paupérrimo, andrajoso, insignificante, desprezível. o povo completamente despolçitizado, o povo que não lutava pela instauração do comunismo ou que reivindicava qualquer mudança de regime. O povo que pedia pão e trabalho. Somente. E era este o povo que Salazar (hoje em dia, admirado por um punhado de mentecaptos para quem o branqueamento histórico é perfeitamente aceitável) espezinhava e oprimia da maneira mias brutal.

"Quem viu morrer Catarina, não perdoa a quem matou". Quem se lembra e quem insiste em recordar também não. E bem podem surgir essas gentes suficientemente néscias para reabilitar o nome de Salazar, que todos nós, os que não queremos esquecer a verdade, aquilo que realmente aconteceu, cá estaremos para impedir que Catarina Eufémia e todo o povo português veja o seu sofrimento apagado por certas crenças abjectas. Tenham vergonha.

(Aqui fica a homenagem de Zeca Afonso, sobre poema de Vicente Campinas. Oiçam porque é lindíssima).

7 comentários:

  1. Pois, tal como eu disse: o Salazar devia ter saído no fim da Segunda Guerra, depois dessa altura só fez porcaria -.-

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  2. Salazar nunca devia era ter entrado para governo absolutamente nenhu. Só de pensar nos 50 anos de atraso económico, social e cultural que legou a este país...

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  3. Sim, ele era de vistas curtas, como era do norte, não estou surpreendido. E o cabeça de abóbora ainda era pior, mais o Cardeal Cerejeira. Mas temos que reconhecer que de facto ele conseguiu criar um supéravit nas finanças nacionais, o que na 1ª república era impossível... Por isso mesmo é que digo que ele devia ter saído no fim da 2ª guerra. :]

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  4. Hum...à custa do corte total em qualquer tipo de despesas sociais...não me parece que faça de Salazar, prorpiamente, um génio financeiro. E, ainda por cima, para depois malbaratar tudo na guerra colonial...

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  5. Através do corte total de qualquer tipo de gasto social. Não me parece que faça da criatura, propriamente, um génio financeiro. E se depois era para malbaratar tudo na guerra colonial...

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  6. Uma heroína deste calibre só podia ter este primeiro nome e ser homenageada por este grande senhor da música portuguesa. =)

    Cat

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  7. Salazar conseguiu recuperar a economia do país que estava arrasado. No entanto deixou-nos um atraso mental que ainda hoje deixa esta país na miséria da qual nos tirou. Irónico, salva-nos, mas deixa-nos sem meios de seguir em frente e voltamos a cair no mesmo buraco por aquilo que el fez!
    Quanto a Catarina Eufémia,já ouvi dizer que a verdadeira razão da sua morte, era por estar grávida do tenente. Como ele era casado, a sua morte foi para ele um beneficio, não teria transtornos em casa. Gostária apenas de saber se o tenete da GNR alguma vez foi julgado pelo seu crime, qualquer que fosse a razão.
    João

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