quinta-feira, 15 de abril de 2010

Agora percebo...

Encontro-me, absolutamente, arrepiado ao ler esta notícia. Algo que tenho tentado não encarar, mas que é, de há muito, uma preocupação presente nos meus pensamentos. Interrogo-me como pode Portugal construir uma democracia, estabelecer as condições para uma cidadania plena, para a defesa das liberdades se os seus jovens não conseguem perceber aquilo que se passa à sua volta?


É com frequência que encontro jovens licenciados na área das ciências sociais que afirmam não ter o hábito de ler...ou de pensar...


Muitas vezes me perguntei como poderia uma grande parte dos mais novos deste país apoiar José Sócrates. Agora compreendo que o que acontece é que não têm, sequer, a capacidade de entender aquilo que verdadeiramente se passa.

8 comentários:

  1. "Muitas vezes me perguntei como poderia uma grande parte dos mais novos deste país apoiar José Sócrates. Agora compreendo que o que acontece é que não têm, sequer, a capacidade de entender aquilo que verdadeiramente se passa."

    Que bom, quer dizer que quem não pensa como tu, não pensa de todo! Óptimo, Manel, 'tás no bom caminho! Continua assim, totalitarismo e pensamento único é que é! :)

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  2. Pr acaso, agora que releio o que escrevi, efectivamente, saiu-me um pouco (ou muito ?) mal. Eu queria mais era aludir à questão da licenciatura e às outras "coisas" e ao facto de ninguém, aparentemente, se importar com isso.

    Acho que me expressei de uma forma particularmente dura...

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  3. Manel, pense um bocadinho mais objectivamente sobre o seu conto de fadas abrilesco, mais parecido com uma fábula, que chegará a uma resposa imprevisível .)

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  4. Anónimo,

    Vamos então avançar os dados obejctivos (os factos):

    - Em Portugal existia um regime ditatorial brutal, onde as pessoas iam, arbitrariamente, presas, onde eram mortas porque pensavam de maneira diferente, onde chegou a existir um campo de concentração brutal e mortífero.

    - Em Portugal existia uma injustiça social brutal, não havia o direito à greve, a um julgamento justo, meia dúzia de grandes capitalistas dominavam toda a economia, exploravam o povo.

    - Portugal era um país paupérrimo, com uma taxa de analfabetismo que nos envergonhava (semelhante à de Cabo Verde na mesma altura)

    - Em Portugal ninguém podia pensar de maneira diferente, não se podia falar, por exemplo, em suicídio, porque em Portugal ninguém se suicidava.

    - Em Portugal havia uma polícia política, especialista internacional na tortura do sono.

    - Em Portugal havia uma guerra colonial que matou dezenas de milhares de pessoas.

    - Em Portugal uma mulher vítima das agressões da PIDE era obrigada a limpar os próprios excrementos, urina e menstruação com a roupa que a seguir deveria vestir.

    - Tudo isto, TUDO, terminou com o 25 de Abril. Ainda acha que foi tudo um conto de fadas?

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  5. Olha, o Sócrates foi "ilibado" (ilibado é errado porque nunca chegou a ser constituído arguido) do processo Freeport. Que tens a dizer sobre isso?

    Merece-te umas linhas?

    Afinal, a montanha pariu um rato, o que parecia ser tão óbvio e grave desfez-se porque não há provas. Era um dos "escândalos" tão habitualmente comentados e que, pelos vistos, era motivo de preocupação e indignação para tanta gente. Apesar de, supostamente (porque não foi o que se viu), num estado de direito, somos todos inocentes até prova em contrário, correcto?

    Que tens a dizer?

    (A sério que gostava mesmo de saber a tua opinião sobre isso, acho que devias fazer um post! lol)

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  6. Acabei por não comentar essa notícia do Expresso, na medida em que me parece que era a saída óbvia para esse imbróglio. Ou alguém acredita que a Inglaterra arriscava o incidente diplomático de julgar o dirigente de um país aliado?

    E claro que "inocente até prova em contrário", mas onde fica a consciência social da culpa no meio disto tudo?

    Considero que não ficaram desfeitas as suspeitas do cidadão comum. Eu estou longe de estar convencido da inocência de Sócrates.

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  7. Mas, Manel, o que tem de ser provado é a culpa, e não a inocência. Suspeitas há sempre que alguém as queira ter. Se tu as queres ter, tê-las-às sempre... Se outros as querem ter, acontecerá o mesmo...

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  8. "À mulher de César não basta ser séria, tem também de o parecer". O mesmo se passa com os políticos. E no que se refere a José Sócrates, tem parecido muito pouco.

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