quarta-feira, 28 de abril de 2010

Afinal, os gays são pais normais!




Ontem, a Sic dedicou a sua "Grande Reportagem" à temática da parentalidade homossexual. Os pais gays, mães lésbicas e filhos destes casais não podiam ser mais "normais", banais e vulgares. Divulgaram, sempre, a ideia de que eram felizes e toda a estrutura familiar que pudemos observar revelou que não existe nenhuma, por mínima que seja, diferença entre os filhos criados em "contexto homossexual" e aqueles que cresceram com pais heterossexuais. A menina tinha o quarto recheado de bonecas e tudo quanto era cor-de-rosa, o rapaz só queria saber de carros e da playstation. Serão, provavelmente, heterossexuais e não existia nenhum sinal de que poderiam não vir a desenvolver-se de uma maneira completamente saudável e na maior felicidade.


Aquelas famílias homossexuais tinham um funciomanento muitíssimo mais "tradicional" do que aquele que é observável na esmagadora maioria das famílias heterossexuais. Jantavam, por exemplo, todos à mesma hora, na mesma mesa. Quantas famílias "normais" o fazem? No que toca ao relacionamento após a separação e à convivência dos filhos com os pais/mães agora separados, nunca tinha visto situações tão saudáveis: não foi preciso qualquer recurso a um tribunal, todos se entenderam da melhor forma, para o bem das crianças. Crianças essas que preferiram, sempre, estar com o progenitor homossexual, abandonando contextos de inserção heterossexual.


Sim, preferiam alguma eventual discriminação porque o que verdadeiramente conta é o amor. Desde que este sentimento esteja presente num qualquer contexto familiar (homo ou heterossexual) as crianças têm todas as condições para virem a ser felizes.


Criaturas como Isilda Pegado, que pregam o ódio e a intolerância por onde passam, é que deviam estar impedidas de "procriar", na medida em que o preconceito é, sempre, negativo e causa, sempre, infelicidade, medo, ansiedade. Tem repercussões não só naqueles que atacamos, mas também nos que nos são mais próximos. Quem odeia, discrimina, responde com violência, impede a felicidade alheia, contamina as relações afectivas em que se encontra envolvido. E se um dos filhos de Isilda fosse gay? Um amigo? Uma irmã? Um primo? Existirá, certamente, alguma pessoa LGBT na inserção social da Pegado. Esta senhora não pensa, não reflecte, não empatiza, não têm a capacidade de sentir a dor, a humilhação e o desrespeito que provoca e com que trata os outros. Mas a ela ninguém lhe diz que não pode ter filhos.


Só espero que Cavaco Silva, nos 20 dias que agora tem para ponderar a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, tenha a capacidade, o descernimento e a coragem de decidir em prol do desenvolvimento e da aceitação, em vez de seguir o ódio, o preconceito, envergonhando este país e todos aqueles que são "normais" o suficiente para aceitar que os outros também merecem ser felizes.

3 comentários:

  1. Sempre foram pais normais.

    ResponderEliminar
  2. TA ME ZUANDO????? VERGONHA!!!!!

    ResponderEliminar
  3. Convido a assinar a petição pela legislação da parentalidade por casais do mesmo sexo:

    http://www.avaaz.org/po/petition/Legislacao_da_Parentalidade_por_Casais_do_Mesmo_Sexo_em_Portugal/?fMitKbb&pv=9

    ResponderEliminar