quarta-feira, 10 de março de 2010

You can rest, Silva's got your back.




O sempre cauteloso e circunspecto Cavaco Silva, que ainda é, para aqueles que devido à sua inacção histórica já se esqueceram, o Presidente da República portuguesa, garantiu, em entrevista, hoje, à RTP que não irá demitir José Sócrates porque não tem competência para tal. Uma verdade de La Palisse, mas tratando-se do "Sr. Silva", cumpre que se dê o desconto.

Afirmou, depois, que o Presidente não pode demitir o Governo por falta de confiança política (que entende nem sequer existir, apesar de reconhecer que o primeiro-ministro mentiu aos portugueses), mas apenas "quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas". Acrescenta, até, que tal nunca aconteceu e nós sabemos o pavor que Cavaco tem da originalidade (basta ter em conta o que respondeu quando questionado sobre se estaria a pensar na recandidatura a um segundo mandato: "Vou mandar verificar quando é que os meus antecessores fizeram essa ponderação").

Quanto à dissolução da AR, lembrou ter esta sido eleita somente há 5 meses e que só em situações extremamente graves devia o PR lançar essa "bomba atómica". “Não podemos dizer que há instabilidade política, (...) não podemos dizer que o Governo não tem condições para governar”. “Tem toda a legitimidade para governar”, adicionou ainda Cavaco.

Estas (certamente sábias) palavras não suscitam qualquer surpresa. Todavia, gostaria só de expressar duas ou três notas para ajudar o Sr. Presidente da República em momento tão difícil:

1- Não se preocupe que não é deveras original dissolver a AR, porque até Sampaio, que todos acusavam de ser um "mosca-morta" o fez.

2- Ainda vivemos (que eu saiba) numa democracia liberal. Assim, o valor da liberdade (no qual se inclui a liberdade de expressão) é um sustentáculo fundamental das instituições democráticas. Sócrates pôs em causa esse valor, logo corrompeu de maneira flagrante essas mesmas instituições.

3- Por muitíssimo menos, foi a AR (nos tempos de Santana Lopes) dissolvida por Sampaio. Já não se lembra, Sr. Silva?

4- A estabilidade política só é um valor quando se garante a democracia. A China vive numa relativa estabilidade e ninguém (assumo eu) em Portugal deseja esse tipo de regime.

Excertos da entrevista: i, Público, TVI24.

2 comentários:

  1. A realidade é uma chatice, não é?
    http://aeiou.expresso.pt/tvi-muda-de-dono-e-ninguem-da-por-isso=f570420

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  2. MFerrer,

    O texto que refere é interessante. Todavia, a minha preocupação não se centra na aquisição da TVI, mas sim nas maquinações de J. Sócrates para influenciar a orientação jornalística não só do maior canal português, mas também dos jornais (Público, Sol, Expresso), revistas (Sábado) e outros canais televisivos (SIC, RTP).

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