terça-feira, 9 de março de 2010

Raça, etnia, cultura, identidade nacional e Estado-nação.



Na altura do colonialismo, quando os europeus foram confrontados com as diferenças físicas e culturais dos povos de outras partes do mundo, teve-se a necessidade de criar o conceito de raça. O ser humano "tem necessidade de categorizar" e, assim, para evitar maiores esforços de racionalização e para conseguir administrar territórios ultramarinos com poucos recursos humanos, criaram-se as classificações baseadas na raça.

De forma mais acentuada a partir da segunda metade do século XX, e sobretudo por causa das independências africanas e do afastamento das crenças de inferioridade da negritude, o termo raça passou a ser considerado ofensivo e foi sendo abandonado pela comunidade científica. Cunhou-se, então, no seio da Antropologia, o conceito de etnia (ainda hoje relativamente valorizado), como se este fosse, de alguma forma, diferente da ideia de raça e não criasse racismo e discriminação.

Etnia não se afastou das características físicas para suportar a classificação, apenas introduzindo certas "orientações culturais" que ajudariam a suportar ma diferenciação entre os diversos grupos étnicos. Através da constatação de que esta terminologia era, no fundo, igualmente preconceituosa, avançaram-se novos conceitos que se moviam em volta do termo cultura. Multiculturalidade e interculturalidade passaram a ser a palavras que marcariam o discurso de qualquer ministro da Igualdade Social ou voluntário na área da diversidade. Novamente, olvidando-se que também a cultura, enquanto característica diferenciadora, serve de base à xenofobia e racismo.

A par disto, o conceito de identidade nacional, foi-se consolidando (ao mesmo tempo que o Estado-nação passava a ser a única forma aceite mundialmente para a organização de povos e territórios), obviamente, tendo na sua estrutura bases culturais e parecenças físicas (por vezes extremamente frágeis). Ontem, num colóquio sobre racismo no ICS, quando questionado sobre se era possível construir uma identidade racional que não fosse racista, o antropólogo Miguel Vale d'Almeida respondeu, simplesmente, que não.

Prometo voltar a este assunto, mas agora que este texto já está a ficar demasiado longo, cumpre terminar com uma pergunta: então, qual é a alternativa? Existem alternativas viáveis de organização política alternativas ao Estado-nação? E se abandonássemos as classificações? Poderia trazer algum efeito pernicioso, quando sabemos que a discriminação está aí, ainda, para durar? Como poderíamos, então, actuar para a sua eliminação, se havíamos abandonado as bases que nos permitem classificar um comportamento como discriminatório?

6 comentários:

  1. Sobre o assunto acima mencionado, digamos que ate hoje temos que certo modo esa lutando pelos nos direitos, sendo tais direitos de igualdade,religiosos, etnicos e etc. Mais as vezes isso se torna complicado pois, algumas vezes nos calamos perante julgamentos injustos, cristicas destrutivas,discrinações de raça, opção sexual,de poder aquisitiso, e entre outros que se fosse sita- lo não caberiam todos. Então concluo que não devemos calar nunca pois todo o ser humano tem o direito de expressão, sendo qual for sua raça, opção sexual entre outros.

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  2. Rôdy,

    obrigado pelo teu comentário. *

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  3. exactamente rodirley, mas as coisas nem sempre são assim e por vezes as minorias tomam o papel de racistas e de discriminadores através de um papel de coitadinhos e com uma cegues inqualificável a uma pessoa que deveria estar mais aberta a outros pontos de vista de forma a poder defender melhor o seu. Já agora qual é a posição dos bloguers de aqui em relação à entrada de tantos imigrantes ilegais na Europa por Malta e Itália?

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  4. Gostei muito do texto, me auxiliou num trabalho para a Universidade. Bjos.

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  5. Obrigado Leila!

    Joe Ricolli, a alternativa é permitir que entrem legalmente.

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  6. muito boa abordagem, sobre o assunto é bem extenso e cada caso apresentado surgem muitos assuntos para pauta de debate, que somente através de leis e um poder publico serio se pode tratar dos assuntos que diz respeito ao preconceito, apresentado soluções.
    Foi de grande proveito este assunto pra minha pequisa.
    Obrigado

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