domingo, 21 de março de 2010

Os tempos são outros.


O ultra-conservador Benjamin Netanyahu está de visita aos EUA e irá aproveitar para pedir bombas capazes de perfurar bunkers para poder atacar as instalações nucleares iranianas. O primeiro-ministro israelita acredita que só pela força conseguirá o estado de Israel sobreviver num enquadramento territorial que lhe é tão hostil.

Já desde os finais da Guerra-Fria, a queda de uma super-poderosa (em termos militares) União Soviética, fez com que se percebesse que o poderio militar, a força bélica tinha perdido a importância de outras eras. A guerra do Iraque, talvez o último momento unipolar, reforçou esta ideia. O plano de G. W. Bush (ao estilo das cruzadas medievais) de implementar a democracia e forçar a aceitação dos "valores ocidentais" No Oriente Médio pela espada saldou-se num falhanço crasso que proporcionou uma crescente margem de manobra aos talibãs afegãos, aos fundamentalistas iranianos e aos extremistas paquistaneses.

Uma acção militar contra o Irão é, apesar das ameaças americanas, impossível. Os atoleiros iraquiano e afegão impedem Obama de ter mão livre para programar uma resposta militar contra o regime dos Ayatollahs. Prevenir que os iranianos adquiram armas nucleares apenas pode ser feito com a colaboração russa e chinesa.

Netanyahu é, assim, um homem ultrapassado pelos tempos actuais. Custa-lhe compreender aquilo que Ariel Sharon (antes do ataque cardíaco que, infelizmente, o colocou em coma) havia percebido: a menos que encontre, num espaço de tempo cada vez mais curto, uma solução diplomática para o conflito palestiniano, Israel irá sucumbir e, por mais estridente que se revele o clamor do povo judaico, os americanos não o poderão atender como noutros tempos em que a Guerra Fria ou a unipolaridade lhes permitiam carta branca no auxílio ao principal aliado na região.

Este pequeno paísl comprometeu as possibilidades de um acordo de paz com a Palestina (que, afinal, Bibi não quer) ao forçar a ascensão do Hamas em Gaza. Hoje, continua a impor um bloqueio ilegal ao único território palestiniano que tem uma administração verdadeiramente autónoma e a construir colonatos em Jerusalém Ocidental.

Israel encontra-se mais perto do abismo do que quer admitir. E Netanyahu não tem feito mais do que dar passos decisivos no sentido da queda.




4 comentários:

  1. Se Israel for atacado militarmente pelo Irão, não tenho dúvidas que os EUA irão imediatamente em seu auxílio. Mas, ainda assim, com a quantidade de armamento que Israel tem, o Irão será o primeiro a sofrer as graves consequências de tal ataque.

    E, segundo dizer, o apoio dos EUA não depende de Israel, mas sim do fracasso das invasões do Afeganistão e do Iraque, por isso para quê misturar as coisas?

    O governo do Irão não é uma entidade lógica não pensa. Para os dirigente Iranianos destruir Israel é mais uma profecia do que um objectivo estratégico lógico e, para isso, estão até dispostos a sacrificar o próprio povo e o próprio país. São fundamentalistas religiosos no poder.

    O melhor que Israel pode fazer é aumentar o seu armamento e, se for preciso atacar. Também não tenho dúvidas que Israel irá atacar o Irão, nem que seja pelo menos para destruir as centrais de produção de materiais para bombas nucleares, caso o Irão se aproxime da produção de uma bomba dessas.

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  2. Ninguém vai atacar Israel militarmente. Nenhum país da região, incluindo o Irão, têm interesse em promover acções bélicas concretas contra Israel. Podem permitir e até apoiar certos movimentos radicais que, volta e meia, arremessam uns "rockets" contra cidades predominantemente judaicas, mas mobilizar exércitos para destruir Israel está fora dos planos iranianos.

    A "jihad" e a "destruição de Israel" fazem parte da retórica de todos os regimes islâmicos da zona (e não só do Irão, mas também, por exemplo, dos aliados dos EUA: a Arábia Saudita), mas não quer dizer que algum destes países tenha interesse real em destruir o estado israelita. E a aquisição de armas nucleares por parte do Irão tem muito mais que ver com uma tentativa de se afirmarem enquanto potência regional, do que como resultado de um campanha que teria como fim o esmagamento do estado judaico.

    As invasões do Afeganistão e Iraque estão muito proximamente ligadas ao apoio que os EUA podem prestar a Israel porque perdem margem de manobra na região e é imperativo que pressionem os israelitas para negociarem com os palestinianos, na medida em que se querem criar um regime amistoso no Iraque não é conveniente hostilizarem todos os muçulmanos na questão palestiniana.

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  3. Há uma coisa que tem de ser dita: o desígnio de Israel é lutar pela sua sobrevivência e jamais ser "empurrado para o mar".

    Gloriosas Saudações!

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  4. Dylan,

    Mas creio que esse desígnio tem de ser cumprido num clima de paz e conciliação com os povos árabes que rodeio o estado judaico e não de constante afrontamento.

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