domingo, 7 de março de 2010

Ilê Aiyê (as singularidades da reivindicação negra no Brasil)




Em 1974 foi criado na cidade de S. Salvador da Baía o bloco de Carnaval Ilê Aiyê. O primeiro bloco de orgiem africana nas festividades carnavalescas daquela cidade. Tinha como objectivo primacial a difusão da música e cultura, mas foi, desde o começo, muito mais do que um movimento apenas musical ou cultura. Na sua essência estava a luta social dos negros brasileiros o que é atestado pela letra da primeira música que apresentaram em 1975 no desfile do Entrudo da capital do Estado da Bahia:

"Que Bloco é esse" (bis)
Eu quero saber
É o mundo negro
Que viemos cantar para você
Branco se você soubesse
O valor que o negro tem
Tu tomava banho de piche
Pra ficar negro também
Somos crioulos doidos (refrão)
Somos bem legal
Temos cabelo duro
Somos Black Power"
(excertos)

Este movimento reivindicativo (como a letra da música igualmente reflecte) surge na sequência dos movimentos emancipatórios negros dos Estados Unidos ("Black Power") e de África (as independências das colónias europeias) e durante a repressiva ditadura militar brasileira (que sóviria a terminar em 1984-85). A originalidade do Ilê Aiyê vem do facto de ter começado, e ter sido sempre essa a principal forma de expressar o protesto, como um projecto musical.


A utilização da música para fins políticos tem uma grande tradição em grande parte dos movimentos reivindicativos negros mundias, todavia, nenhum destes movimentos nasceu como um impulso musical. Foi sempre esta a forma brasileira de fintar a repressão política, marcando a singularidade da reinvindicação de direitos dos negros no Brasil.



(Aqui fica a homenagem de Daniela Mercury ao Ilê Aiyê

Sem comentários:

Enviar um comentário