terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Zeca Afonso, um paladino da liberdade.




Cumpre-se hoje o 23º. aniversário da morte de Zeca Afonso. Embora não se trata de nenhuma data de número redondo, a efeméride não foi (o que uma rápida pesquisa no Google atestou) assinalada por nenhum importante meio de comunicação social (a não ser, provavelmente, naqueles quadros do "Neste dia morreram..."). Apenas um ou dois blogues assinalaram a data com textos de homenagem a este homem que, para mim, foi o maior cantos português do século XX.

Para mim, Zeca Afonso foi maior do que Amália. Apesar da voz deste última ser incomparavelmente de categoria superior, Afonso tinha uma alta consciência política que fazia com que as suas canções reflectissem (e criticassem) de forma sublime a realidade social portuguesa. "Grândola Vila Morena" e "Os Vampiros" tornaram-se dois hinos da luta nacional contra a brutal ditadura fascista.

Zeca, todavia, com o fim do 25 de Abril não abandonou a música de intervenção, produzindo várias peças musicais em que criticava a deriva "direitista" do socialismo, o fim da reforma agrária, a intervenção europeia na Revolução portuguesa e a ascenção dos "moderados" do 25 de Abril. "Viva o Poder Popular" e "Chula da Póvoa" são dois belíssimos exemplos da crítica de Afonso ao poder político do pós-25 de Abril.

Depois de Zeca Afonso e da geração de músicos que iniciaram a sua carreira no combate cultural ao Estado Novo nunca mais no nosso país se produziu música de intervenção de qualidade. Hoje, a música portuguesa é amorfa e desinteressante. Não transmite nenhuma mensagem de crítica, não confronta, tendo a música de intervenção ficado reduzida a uma espécie de rap de rima fácil e alcance muitíssimo reduzido.

Assim, é importante que não esqueçamos este grande homem, sempre um homem próximo do povo: o Zeca, como ficou conhecido. Grande parte das mensagesn que transmitiu nas suas canções ainda hoje fazem sentido e nelas revemos o actual estado do nosso país.

Deixo, aqui, uma música menos conhecida de Zeca Afonso, mas que é aquela que mais me toca. Fala da bárbara morte de Catarina Eufémia e do esquecimento a que foi votado o Alentejo (nos tempos de Salazar).

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