domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Relatório Kinsey



Vi, ontem, o filme "Relatório Kinsey". Achei a história que conta o filme absolutamente extraordinária, em primeiro lugar porque pensava que os estudos de Kinsey, de quem, assumo, conhecia, somente a escala, tinham sido publicados vários anos depois. Talvez na década de 60, ou 70 mesmo. Afinal foram saíram das tipografias em 1948 (o estudo acerca da sexualidade masculina) e em 1953 (aquele que te que ver com a sexualidade feminina). Fui, então, fazer uma pesquisa um pouco mais aprofundada e um resumo dos trabalhos, que podemos encontrar no Kinsey Institute, contém estatísticas que, ainda hoje, podemos considerar surpreendentes.

Aponta, por exemplo, para o facto de 46% da população masculina já ter tido experiências sexuais ou "reagido sexualmente" a pessoas de ambos os sexos e que a percentagem de tais experiências é significativamente inferior no sexo feminino. Assim, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, parece que a bissexualidade (enquanto orientação sexual, ou de forma mais imprórpia, experimentação sexual) é muito mais habitual no sexo masculino do que no feminino.

Já vários estudos mais recentes tinham chegado a conclusões relativamente próximas, na medida em que apontam para o facto de a maioria dos rapazes (ainda que heterossexuais) iniciavam a sua "vida sexual" com elementos do sexo masculino, enquanto que nas raparigas era mais comum que essa iniciação fosse feita com uma pessoa de sexo diferente.

Kinsey concluiu, igualmente, que não existe nenhuma zona do corpo humano que não seja suficientemente sensível para ser sexualmente estimulante para, pelo menos, alguns indivíduos e que cerca de 20% de todos os indivíduos entrevistados se excitava quando levava umas "palmadinhas".

Diz-nos, também, este autor que 37% dos homens, uma percentagem altíssima e que vai contra tudo aquilo em que acreditamos, já teve uma experiência sexual que deu origem a um orgasmo com um parceiro masculino. Assim, parece que o comportamento homossexual é mais estimulante para a maioria dos homens ditos heterossexuais do que os mesmos querem admitir.


O mais interessante das conclusões de Kinsey é, contudo, o de que não é possível "classificar" uma pessoa enquanto homossexual ou heterossexual, sendo unicamente possível classificar comportamentos sexuais. É esta conclusão que está na base da escala de 7 números que criou e de todas as outras escalas de classificação da orientação/experimentação sexual que surgiram na sexologia.

Esta concepção que destrói amplamente todas as bases em que assenta a estrutura sexual da nossa sociedade: a divisão entre aqueles que fazem sexo com parceiros do mesmo sexo, que o fazem com parceiros de sexo diferente e que o fazem com ambos. Esta ordem de pensamento destrói, por outro lado, toda a luta LGBT, na medida em que a mesma se torna sem sentido quando for para defender os direitos de gays e lésbicas, na medida em que essas categorias não existem. Toda a reinvindicação que verse sobre questões que têm que ver com o sexo terá de ser, então, segundo Kinsey, virada para a defesa de uma única causa: a liberdade sexual.

(Confesso ser uma ideia que me atraiu imensamente, e a vocês?; ))

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