quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Racismo na nação arco-íris.




O fim oficial do regime do apartheid na África do Sul deu-se em 1994 com a realização das primeiras eleições presidenciais multirraciais, vencidas por Nelson Mandela. Mandela era, efectivamente, um "ser superior" e logo iniciou uma política de perdão (mas não de esquecimento) dos crimes cometidos pelo anterior regime racista e de reconciliação da nação arco-íris.

O primeiro Presidente negro do país mais rico de África foi capaz de perdoar aqueles que o encarceraram durante quase três décadas. A maioria dos negros, todavia, não terá sido capaz de desculpar a violência e o tratamento indigno e humilhante a que foi sujeita por anos de segregação. Os conflitos interraciais (que não cessaram com o fim do apartheid e se mantêm, talvez com mais força, nos dias de hoje) aí estão para atestar a inconformidade da comunidade negra com o facto de os brancos, ainda hoje, controlarem a maioria dos meios produtivos e riqueza da África do Sul. O clamor de justiça da população negra não terá sido aplacado pela ascensão dos negros à chefia da nação.


Diz-se que enquanto Nelson Mandela for vivo o país mais meridional de África não cairá em conflitos especialmente violentos entre as diversas comunidades raciais que compõem a sociedade arco-íris. Todavia, Nelson Mandela, com mais de 90 anos, não será eterno. Cumpre, assim, perguntar se tem aquela sociedade um estrutura que lhe permita assimilar e atenuar o racismo que vem marcando alguns sectores da sua população.

Perante notícias como esta, ficamos com a sensação que não e que o pior ainda estará para vir, sobretudo enquanto o apartheid económico se mantiver.

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