sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Para Gisberta...Para que nunca nos esqueçamos.



Cumprem-se, esta semana, quatro anos da bárbara morte de Gisberta Salce (transexual da cidade do Porto). Esta mulher foi assassinada da forma mais hedionda por um bando de criaturas, apenas porque era transexual, e porque era pobre e, assim, tinha de fazer de uma obra abandonada a sua casa. Depois de brutalmente espancada, morreu afogada num fosso. Sucumbiu lentamente enquanto os jovens que a espancaram se afastavam, sem remorsos, sem um pingo de pena, sem consciência de que acabavam de sentenciar um ser humano à morte.

Apesar da se tratarem, apenas, de adolescentes, os assassionos tinham a perfeita noção do que faziam e já se encontravam submersos no ódio em relação à diferença. Eles pertenciam, também, aos alienados da cidade. São pobres e ignorantes. Reduziram-se, voluntariamente, à condição de sub-humanos. Foram vis, violentos, covardes, mas se calhar foram só vítimas da ostracização a que também os votámos.

O facto é que também Gisberta nos passava completamente ao lado. Não tivesse sido assassinada naquele dia de Fevereiro de 2006 e nunca nos teríamos preocupado com a sua existência. Teria sucumbido às maleitas que a infecção pelo VIH e a Hepatite lhe causavam.

Às vezes temos medo, de ser quem somos, de expressarmos aquilo que nos ocorre de forma livre, muita vezes receamos até os nossos pensamentos. Com frequência assustamo-nos com esta sociedade, em que o ódio, a intolerância, mas sobretudo a ignorância e o desconhecimento, fazem com que um grupo de pessoas saia à rua com o único propósito de impedir que duas pessoas que se amam se unam sob o símbolo do casamento, somente porque se trata de dois homens, ou duas mulheres.

Gisberta morreu sendo aquilo que era verdadeiramente, sem medos. Era corajosa e da próxima vez que pensarmos em evitar aquele beijo ou largarmos a mão que nos agarra, vamo-nos lembrar desta mulher e, então, o preconceito vai deixar de nos afectar e ninguém nos poderá deter. Porque é o amor e não o medo que nos move. Obrigado Gisberta, pelo exemplo.

4 comentários:

  1. A Gisberta passou de homem a mulher ou o contrário?

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  2. Se quisermos ser absolutamente correctos teremos de dizer que Gisberta foi sempre uma mulher que, todavia, nasceu com o sexo biológico masculino. Assim, fez a transição do sexo masculino para o feminino, mas não do género (que foi sempre o feminino).

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  3. Parabéns pelo texto Manel.
    Um texto informativo e argumentativo muito interessante. Gostei muito! ;)

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