sábado, 13 de fevereiro de 2010

O fim está próximo, muito próximo.



As escutas que têm vindo a revelar as maquinações do primeiro-ministro para controlar os média desfavoráveis fazem com que José Sócrates seja, desde já, uma carta fora do baralho. O poder de Sócrates encontra-se em processo degenerativo e não há, acredito, qualquer hipótese de o actual detentor do poder executivo se manter em efectividade de funções por muito mais tempo. Todos os dias se desobrem mais situações "complicadas" (para dizer o mínimo) a que o nome de José Sócrates aparece ligado pelas piores razões. A última tem que ver com alegados pagamentos exorbitantes ao jogador Luís Figo para aparecer na campanha do PS.

Todos aqueles que melhores conhecem J. Sócrates têm vindo a afirmar que o primeiro-ministro nunca sairá pelo seu pé. É, dizem, um resistente. Outros há, menos amigos do visado, que preferem a versão de que este não tem "vergonha na cara". Claro que o "engenheiro" Sócrates está a contar com uma volta-face. Pretende que a oposição o afaste através de uma moção de censura e, assim, atingir o grau máximo de vitimização, tentando pôr o ónus da irresolução da crise política e económica nos partidos opositores. A oposição (extremamente desorganizada no que toca ao PSD) nada tem a ganhar com tal medida e é extremamente improvável que a apresente.

O ultra-circunspecto Cavaco Silva irá resistir ao máximo a demitir o Governo, preferindo, segundo o que vem sendo avançado pela comunicação social, a promoção de um "golpe palaciano" em que Teixeira dos Santos passaria a assumir a chefia do executivo. Este cenário parece-me igualmente muito improvável.

Numa altura em que o consulado de Sócrates está por um fio, a discussão que verdadeiramente interesse coloca-se no plano dos sucessores. Jaime Gama, António Costa e António José Seguro são os nomes que,à partida, se podem avançar para herdarem a liderança socialista. António Costa é, inequivocamente, o nome mais forte dentro deste grupo. Todavia, a obsessiva defesa do primeiro-ministro que tem vindo a promover pode causar-lhe danos irreversíveis numa altura de queda iminente. Jaime Gama representará, suponho, no ideário socialista, uma chamda de credibilidade e, portanto, embora seja um histórico perdedor, se avançar (ou o impelirem a que o faça) poderá ter hipóteses de vencer, perante um eventual recuo de Costa. António José Seguro é um outsider que procurará ganhar capital político.

Outros nomes como Vieira da Silva, Luís Amado ou Francisco Assim, creio terem poucas hipóteses de, se avançarem, atingirem um resultado significativo.

Entretanto, mensagens anónimas tentam convocar as hostes socialistas numa (última) marcha de apoio a Sócrates. Só me faz lembrar aquela célebre "manifestação da maioria silenciosa"...O fim, está, portanto, muito próximo. Só falta saber quem dará o golpe de misericórdia: PR, AR ou próprio Povo?

5 comentários:

  1. Não percebi. É certo que ele está de saída mas é muito improvável que saia pelo seu próprio pé ou que alguém o ponha fora. Em que ficamos?

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  2. No que concerne a um afastamento exógeno, eu apenas afastei as hipóteses da moção de censura e do "golpe palaciano" de afastar Sócrates substituindo-o por Teixeira dos Santos. Considero, contudo, que o afastamento de Sócrates poderá vir de dentro do próprio partido (quando as estruturas começarem a retirar o seu apoio ao líder, que ficará isolado), ou pela demissão do Governo (ou dissolução da AR) por parte de Cavaco Silva. São estas, para mim, as hipóteses mais viáveis de afastamento de J. Sócrates.

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  4. Não me parece que saia. Isto ainda vai dar muitas voltas e Sócrates há-de andar por cá muito tempo... =P

    De qualquer forma, é como já te disse, para mim não tem credibilidade para estar no Governo, mas ao mesmo tempo é o mais competente Primeiro-Ministro que podemos ter, na minha opinião. (E não fico assim tão incomodado com os ataques ao Mário Crespo e à Manela Moura Guedes, só a quantidade de verborreia que andavam a deitar da boca pra fora já metia nojo... Era tipo Isilda Pegado, só que pior, e com mais influência)

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  5. O fim está próximo e Sócrates sente-o. Já marcou mais reuniões das principais estruturas do PS este ano do que no ano todo de 2009 (em que houve 3 eleições).

    Creio que esta situação marca o principal teste para a democracia portuguesa desde o levantamento de Tancos de 25 de Novembro de 1975.

    Vamos ver como se o nosso regime está suficientemente estruturado para afastar quem o ameaça...

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