quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

E Sócrates começa a tremer.



Foi com bastante agrado que recebi a notícia da candidatura de Paulo Rangel á liderança do PSD. É bem sabido que desde os áureos tempos de Cavaco Silva que o PSD se tem revelado o maior campo de extermínio de líderes que a nossa democracia conheceu. Todavia, Paulo Rangel poderá ser o homem certo para fazer a "ruptura" em relação a um passado tão calamitoso.

Dito isto, não se fique a pensar que me agrada particularmente que, por si só, o PSD tenha um líder forte. Não será segredo para ninguém que não me revejo minimamente nas posições social-democratas. Contudo, perante a conjuntura actual em que o líder do PS (e primeiro-ministro) se esquece frequentemente que Portugal é um Estado de Direito Democrático, considero que não haverá melhor do que uma oposição forte e consistente para o relembrar. Além disso, temos de nos lembrar que Paulo Rangel já venceu Sócrates uma vez.

As ascensão fulgurante de Rangel foi, para mim, uma enorme surpresa. No primeiro debate com o Governo, o, na altura, recentemente nomeado líder da bancada parlamentar do foi cilindrado pela prosa afiada do primeiro-ministro. Algum tempo depois, todavia, já se encontra a combater de igual para igual com Sócrates e a ganhar umas eleições que todos consideravam perdidas.

Rangel é, em tudo, diferente de Sócrates. Não veste Armani e a sua falta de cabelo e estrutura corpulenta dão-lhe um ar desajeitado (o que não lhe permitirá, certamente, ganhar o prémio de homem mais sexy do ano do Correio da Manhã). Não é bem-falante e falta-lhe alguma agressividade política. Todavia, num debate, é capaz de ser extremamente combativo e, como se viu quando enfrentou Vital Moreira, de deixar o adversário a corrar atrás do prejuízo. Por outro lado, tem uma formação académica sólida e nunca precisou da política para ganhar a vida. É, portanto, à partida um homem sério.

Temo, não obstante, que, com tantas qualidades, um enorme defeito se adivinhe: o facto de ser um governante absolutamente desastroso. Esperemos todos que não.

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