segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Do Califado à queda de Israel.




Ao que tudo indica, apesar das negativas oficiais, Israel terá mandado assassinar Mahmoud al-Mabhouh, comandante do Hamas, no Dubai. A UE irá, ainda hoje, emitir um comunicado condenando a acção do regime de Jerusalém/Telavive. Esta actuação da Mossad inscreve-se nas tentativas israelitas de defenderem a todo o custo aquele território encravado numa vasta zona de domínio muçulmano. Creio que a termo esta luta se revelará inglória.

A ideia do Califado nunca desapareceu da visão dos muçulmanos e, embora divididos politicamente, o povo árabe sente-se unido pelo imperativo maometano da constituição de uma grande nação islâmica, sucedânea da Umma (união política e religiosa de todos os seguidores do Islão). As nações árabes tal como as conhecemos hoje, de Marrocos ao Paquistão (com a excepção do Irão), são uma criação europeia que enfrenta uma má aceitação na Sharia e mesmo na população muçulmana.

Assim, a reconstituição do Califado está no ideário de quase todos os seguidores de Alá. Restaurar a grandeza do Islão passa, no discurso dos militantes mais radicais da causa, mas também no dos muçulmanos moderados, pela reconstituição do grande califado que se estendia desde o subcontinente indiano até aos Pirenéus. Como ponto de partida deste desígnio teria de estar a queda do Estado de Israel (única nação não islâmica neste espaço, descontando as duas nações Ibéricas, que só os mais radicais reivindicam como pertencendo ao território da grande nação islâmica). Este projecto ameaça, assim, de forma assustadora o pequeno Estado judaico.

Tenho as maiores dúvidas de que, politicamente, esta união tenha alguma hipótese de se constituir. No mundo islâmico a ideia de Estado-Nação está longe de ter entrado em declínio e, sobretudo, por causa do controlo dos recursos naturais, muito dificilmente os actuais líderes islâmicos abdicarão da liderança dos respectivos países. Todavia, a simples ideia da Umma põe o Israel em perigo, na medida em que serve de catalisador das aspirações da população muçulmana ao controlo do território judaico.

E prevejo que Israel terá muita dificuldade em resistir à força deste projecto (mais ideal e utópico que concretizável politicamente). Cumpre que não se subvalorize uma ideia que desde o início marcou uma fé que nasceu religiosa e política ao mesmo tempo.

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