quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Bom Carnaval!



Quando Manuela Ferreira Leite, na campanha para as últimas legislativas, dizia que Portugal não tinha dinheiro, sequer, para um alfinete, acusavam-na de "pessimista" e prometiam grandes obras públicas que iriam "relançar a economia nacional". Entretanto, com vista ao imediato ganho eleitoral, baixava-se, de uma forma rídicula, o IVA e aumentavam-se os salários dos funcionários públicos. O Governo sabia, na altura, que a situação era catastrófica (e se não sabia, ainda pior). Mesmo assim, resolveu ser "despesista". Afinal, o que interessava era vencer o confronto político! Depois, "logo se via".

Quanto o novo Governo tomou posse, incrivelmente sem o PS conseguir uma maioria absoluta contra, provavelmente, a pior campanha eleitoral do PSD desde a sua existência, Sócrates, sempre com jovial optimismo, afirmava que a situação não era assim tão negra e que, no máximo, o défice andaria aí pelos 8%. Enganou-se´. o défice orçamental para o ano transacto situou-se nos 9,3% e o próprio ministro das Finanças, que deveria estar no controlo da "coisa", revelou-se "surpreendido".

Agora, cumpre cortar em todos os lados, menos nas magnificentes obras públicas. No final de contas, cumpre deixar uma marca, um monumento a uma governação certamento vista como impecável pelos seus actores. Então, começa-se por dar o golpe no elo mais fraco: os funcionários públicos. Depois, convém evitar que a oposição, na qual o povo português, livremente, confiou o seu voto, aprove normas "despesistas". Como bem se sabe, a despesa é prerrogativa governamental.

Assim, perante a iminente aprovação pela oposição de uma "nova" Lei das Finanças Regionais, Sócrates ameaça bater com a porta, sabendo, certamente, que se se realizarem eleições nesta altura, perante a já muitíssimo desastrosa oposição que vêm fazendo os sociais-democratas, só tem hipóteses de vir a conquistar um número mais elevado de votos.

É assim que um Cavaco em pânico convoca um Conselho de Estado para "serenar" os ânimos. E, por fim, tudo fica bem: Sócrates diz que o encontro "correu muito bem" e o zombeteiro Alberto João Jardim deseja a todos um "bom Carnaval".

(Notícia: Público, i, TVI24).

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