domingo, 28 de fevereiro de 2010

Os piores inimigos dos gays.




Sempre me perguntei qual era a base do preconceito de que os homossexuais masculinos são mais promíscuos (sexualmente) do que os homens heterossexuais. Durante muito tempo, nesta busca, considerei que residia numa espécie de homofobia ténue que povoa as mentes da maior parte das pessoas que não têm grande contacto com a comunidade LGBT. Por uns tempos esta justificação foi satisfatória. Todavia, continuava a perguntar-me de que se alimentava, porque achava estranho que fosse só no desconhecimento, já que era uma crença bastante mais enraizada que a de os homossexuais serem pedófilos, doentes, maus pais, excêntricos, etc.

As minhas considerações complicaram-se quando, no último campo de trabalho da Amnistia Internacional, dinamizei o painel dedicado aos direitos das pessoas LGBT e fiz a seguinte afirmação (esperando que a plateia - predominantemente heterossexual - revelasse se concordava ou discordava): "os gays são, habitualmente, mais promíscuos que os homens heterossexuais". Não houve nenhuma pessoa, uma única em mais de 30, que considerasse que a afirmação continha o mínimo grau de veracidade.

Disseram que havia pessoas promíscuas em qualquer orientação sexual e que as discotecas gay não eram muito diferentes das "hetero". Vim para casa a pensar naquilo. Vim para casa a pensar naquelas respostas e, nas semanas seguintes, inquiri mais pessoas (heterossexuais) ligadas ou não à "comunidade LGBT" sobre o assunto e não encontrei nenhuma que considerasse existirem diferenças significativas entre homo e heterossexuais.

Onde se encontrava a chave para o dilema? Onde residia, afinal, essa ideia de que os gays teriam mais parceiros sexuais. A resposta acabou por chegar numa viagem de autocarro, onde um amigo gay se revelou "extremamente desiludido perante a putice (sic) que marcava o comportamento da maior parte dos homossexuais masculinos". Tudo começou, então, a fazer sentido. E com quantos mais gays falava, mais ia compreendendo a base deste preconceito.

Por razões que terão eventualmente que ver com uma certa inveja, desilusões amorosas acumuladas, descrença no amor, alguma homofobia internalizada, as raízes profundas que sustentam a crença de que os homossexuais são mais promíscuos que os heterossexuais residem dentro da própria "comunidade gay". São estes aqueles que se revelam os seus próprios inimigos, sustentando uma ideia que, aparentemente, não tem qualquer reflexo real. Assim, cumpre que se conclua que enquanto a "comunidade LGBT" continuar a alimentar este tipo de homofobia interior, muito dificilmente poderá combater, de forma efectiva, a homofobia com que se vê confrontada no exterior.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Para Gisberta...Para que nunca nos esqueçamos.



Cumprem-se, esta semana, quatro anos da bárbara morte de Gisberta Salce (transexual da cidade do Porto). Esta mulher foi assassinada da forma mais hedionda por um bando de criaturas, apenas porque era transexual, e porque era pobre e, assim, tinha de fazer de uma obra abandonada a sua casa. Depois de brutalmente espancada, morreu afogada num fosso. Sucumbiu lentamente enquanto os jovens que a espancaram se afastavam, sem remorsos, sem um pingo de pena, sem consciência de que acabavam de sentenciar um ser humano à morte.

Apesar da se tratarem, apenas, de adolescentes, os assassionos tinham a perfeita noção do que faziam e já se encontravam submersos no ódio em relação à diferença. Eles pertenciam, também, aos alienados da cidade. São pobres e ignorantes. Reduziram-se, voluntariamente, à condição de sub-humanos. Foram vis, violentos, covardes, mas se calhar foram só vítimas da ostracização a que também os votámos.

O facto é que também Gisberta nos passava completamente ao lado. Não tivesse sido assassinada naquele dia de Fevereiro de 2006 e nunca nos teríamos preocupado com a sua existência. Teria sucumbido às maleitas que a infecção pelo VIH e a Hepatite lhe causavam.

Às vezes temos medo, de ser quem somos, de expressarmos aquilo que nos ocorre de forma livre, muita vezes receamos até os nossos pensamentos. Com frequência assustamo-nos com esta sociedade, em que o ódio, a intolerância, mas sobretudo a ignorância e o desconhecimento, fazem com que um grupo de pessoas saia à rua com o único propósito de impedir que duas pessoas que se amam se unam sob o símbolo do casamento, somente porque se trata de dois homens, ou duas mulheres.

Gisberta morreu sendo aquilo que era verdadeiramente, sem medos. Era corajosa e da próxima vez que pensarmos em evitar aquele beijo ou largarmos a mão que nos agarra, vamo-nos lembrar desta mulher e, então, o preconceito vai deixar de nos afectar e ninguém nos poderá deter. Porque é o amor e não o medo que nos move. Obrigado Gisberta, pelo exemplo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Obviamente, demita-se!





Eu exijo a demissão de Sócrates. E tu, aguentas?

1, 2, 3...Licenciatura, Freeport, TVI, Figo, Expresso. Precisas de mais?

Acefalia nacional.




Ou andamos todos completamente apáticos e acéfalos, ou então não se percebe como não nos manifestamos, todos os dias, contra José Sócrates. Numa base quse diária têm vindo a público mais esquemas e maquinações do primeiro-ministro para evitar que os seus podres não viessem a público. (Como se fosse sequer imaginável a possibilidade de esconder tantos e tão grandes).

Ontem, foram as pressões exercidas sobre o Director do Expresso, não para contraditar ou contestar os factos de uma notícia, mas para tentar que a mesma não fosse publicada. Pura e simples tentativa de censura, portanto.

Enfim, não há por aí ninguém pronto para chegar fogo a tantos rabos-de-palha?

Notícias: Público, i, TVI24.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Racismo na nação arco-íris.




O fim oficial do regime do apartheid na África do Sul deu-se em 1994 com a realização das primeiras eleições presidenciais multirraciais, vencidas por Nelson Mandela. Mandela era, efectivamente, um "ser superior" e logo iniciou uma política de perdão (mas não de esquecimento) dos crimes cometidos pelo anterior regime racista e de reconciliação da nação arco-íris.

O primeiro Presidente negro do país mais rico de África foi capaz de perdoar aqueles que o encarceraram durante quase três décadas. A maioria dos negros, todavia, não terá sido capaz de desculpar a violência e o tratamento indigno e humilhante a que foi sujeita por anos de segregação. Os conflitos interraciais (que não cessaram com o fim do apartheid e se mantêm, talvez com mais força, nos dias de hoje) aí estão para atestar a inconformidade da comunidade negra com o facto de os brancos, ainda hoje, controlarem a maioria dos meios produtivos e riqueza da África do Sul. O clamor de justiça da população negra não terá sido aplacado pela ascensão dos negros à chefia da nação.


Diz-se que enquanto Nelson Mandela for vivo o país mais meridional de África não cairá em conflitos especialmente violentos entre as diversas comunidades raciais que compõem a sociedade arco-íris. Todavia, Nelson Mandela, com mais de 90 anos, não será eterno. Cumpre, assim, perguntar se tem aquela sociedade um estrutura que lhe permita assimilar e atenuar o racismo que vem marcando alguns sectores da sua população.

Perante notícias como esta, ficamos com a sensação que não e que o pior ainda estará para vir, sobretudo enquanto o apartheid económico se mantiver.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Zeca Afonso, um paladino da liberdade.




Cumpre-se hoje o 23º. aniversário da morte de Zeca Afonso. Embora não se trata de nenhuma data de número redondo, a efeméride não foi (o que uma rápida pesquisa no Google atestou) assinalada por nenhum importante meio de comunicação social (a não ser, provavelmente, naqueles quadros do "Neste dia morreram..."). Apenas um ou dois blogues assinalaram a data com textos de homenagem a este homem que, para mim, foi o maior cantos português do século XX.

Para mim, Zeca Afonso foi maior do que Amália. Apesar da voz deste última ser incomparavelmente de categoria superior, Afonso tinha uma alta consciência política que fazia com que as suas canções reflectissem (e criticassem) de forma sublime a realidade social portuguesa. "Grândola Vila Morena" e "Os Vampiros" tornaram-se dois hinos da luta nacional contra a brutal ditadura fascista.

Zeca, todavia, com o fim do 25 de Abril não abandonou a música de intervenção, produzindo várias peças musicais em que criticava a deriva "direitista" do socialismo, o fim da reforma agrária, a intervenção europeia na Revolução portuguesa e a ascenção dos "moderados" do 25 de Abril. "Viva o Poder Popular" e "Chula da Póvoa" são dois belíssimos exemplos da crítica de Afonso ao poder político do pós-25 de Abril.

Depois de Zeca Afonso e da geração de músicos que iniciaram a sua carreira no combate cultural ao Estado Novo nunca mais no nosso país se produziu música de intervenção de qualidade. Hoje, a música portuguesa é amorfa e desinteressante. Não transmite nenhuma mensagem de crítica, não confronta, tendo a música de intervenção ficado reduzida a uma espécie de rap de rima fácil e alcance muitíssimo reduzido.

Assim, é importante que não esqueçamos este grande homem, sempre um homem próximo do povo: o Zeca, como ficou conhecido. Grande parte das mensagesn que transmitiu nas suas canções ainda hoje fazem sentido e nelas revemos o actual estado do nosso país.

Deixo, aqui, uma música menos conhecida de Zeca Afonso, mas que é aquela que mais me toca. Fala da bárbara morte de Catarina Eufémia e do esquecimento a que foi votado o Alentejo (nos tempos de Salazar).

23!= )

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Do Califado à queda de Israel.




Ao que tudo indica, apesar das negativas oficiais, Israel terá mandado assassinar Mahmoud al-Mabhouh, comandante do Hamas, no Dubai. A UE irá, ainda hoje, emitir um comunicado condenando a acção do regime de Jerusalém/Telavive. Esta actuação da Mossad inscreve-se nas tentativas israelitas de defenderem a todo o custo aquele território encravado numa vasta zona de domínio muçulmano. Creio que a termo esta luta se revelará inglória.

A ideia do Califado nunca desapareceu da visão dos muçulmanos e, embora divididos politicamente, o povo árabe sente-se unido pelo imperativo maometano da constituição de uma grande nação islâmica, sucedânea da Umma (união política e religiosa de todos os seguidores do Islão). As nações árabes tal como as conhecemos hoje, de Marrocos ao Paquistão (com a excepção do Irão), são uma criação europeia que enfrenta uma má aceitação na Sharia e mesmo na população muçulmana.

Assim, a reconstituição do Califado está no ideário de quase todos os seguidores de Alá. Restaurar a grandeza do Islão passa, no discurso dos militantes mais radicais da causa, mas também no dos muçulmanos moderados, pela reconstituição do grande califado que se estendia desde o subcontinente indiano até aos Pirenéus. Como ponto de partida deste desígnio teria de estar a queda do Estado de Israel (única nação não islâmica neste espaço, descontando as duas nações Ibéricas, que só os mais radicais reivindicam como pertencendo ao território da grande nação islâmica). Este projecto ameaça, assim, de forma assustadora o pequeno Estado judaico.

Tenho as maiores dúvidas de que, politicamente, esta união tenha alguma hipótese de se constituir. No mundo islâmico a ideia de Estado-Nação está longe de ter entrado em declínio e, sobretudo, por causa do controlo dos recursos naturais, muito dificilmente os actuais líderes islâmicos abdicarão da liderança dos respectivos países. Todavia, a simples ideia da Umma põe o Israel em perigo, na medida em que serve de catalisador das aspirações da população muçulmana ao controlo do território judaico.

E prevejo que Israel terá muita dificuldade em resistir à força deste projecto (mais ideal e utópico que concretizável politicamente). Cumpre que não se subvalorize uma ideia que desde o início marcou uma fé que nasceu religiosa e política ao mesmo tempo.

Os equívocos de uma menina de bem.



Peço desculpa àqueles que têm por hábito vir dar uma espreitadela a este meu recanto, mas tenho de voltar, mais uma vez, ao tema da manifestação organizada pela Plataforma Cidadania e Casamento para comentar a reportagem efectuada pela TVI sobre a referida matéria. Sinto-me obrigado a esmiuçar o vídeo apresentado no Jornal da Noite da TVI, na medida em que os jornalistas desta estação parecem estar treinados para encontrar os casos sociológicos mais interessantes.

Não me vou pronunciar, novamente, acerca do transporte de terços e virgens verde fluorescente na manif ou, sequer, das palavras antidemocráticas da organizadora do protesto, mas sim sobre as declarações de uma jovem de laçarote na cabeça, cabelo "à Cascais" e com uma idade que deverá rondar os 17/18 anos. Disse a referida criatura o seguinte: "Se só há casamento entre homens e homens e mulheres e mulheres, quer dizer, daqui a 10 anos não há Portugal. Ponto final, não é?".

Não, não é. A visão desta "menina de bem" assenta em diversos equívocos que cumpre esclarecer. Assumo que o que quis dizer foi que se se permitir o casamento de homens com homens e mulheres com mulheres, homens e mulheres vão deixar de se casar entre si e, então, não haverá nascimento de crianças. Em primeiro lugar, é importante que se diga que os homossexuais podem e têm filhos. A um casa de lésbicas basta que encontrem um doador de esperma (que pode ser o melhor amigo, o vizinho, um banco de esperma ou o homem do talho) para que uma delas (ou as duas) possam dar à luz as crianças que bem entendam. Um casal gay pode, igualmente, dar origem a uma criança se contratar uma "barriga de aluguer", prática muito popularizada nos EUA e que, por razões desconhecidas, mas que assentarão certamente em preconceitos morais, não é permitida em Portugal.

Assim, gays e lésbicas podem e querem ter filhos e, assim, contribuir para o "futuro de Portugal" (isto aceitando que o futuro de um país e o seu falhanço estão minimamente relacionados com a taxa de natalidade, o que já me parece pouco provável). O Estado é que parece não estar interessado na promoção de uma política de apoio à natalidade, na medida em que impede mulheres solteiras do recurso à procriação medicamente assistida.

Por outro lado, a referida criatura, parece querer inculcar a ideia de que se permitirmos o casamento entre pessoas do mesmo sexo, de repente, todos vão querer ser gays e todas, lésbicas. Sem se aperceber, a menina, afirma que, com a aprovação do casamento gay, ela própria, daqui a dez anos, terá "juntado os trapinhos" com uma mulher (e, arrisco, se calhar estava muito mais feliz). Mas, enfim, numa altura em que amplamente se reconhece que não há qualquer evidencia científica das chamadas teorias da reconversão (ou conversão, conforme se entenda que a homossexualidade tem uma origem social ou genética), parece-me completamente absurdo defender que a repressão terá como efeito a diminuição do número de gays e lésbicas.

A repressão só pode ter como efeito a infelicidade das pessoas a ela sujeita. É uma pena que uma rapariga tão jovem já esteja com um pensamento tão pouco liberto da coerção social.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O apoio popular às ditaduras.




No seu brilhante livro sobre os alvores da democracia portuguesa ("A Construção da Democracia em Portugal"), Keneth Maxwell refere que "os documentos descobertos na prisão de Caxias revelaram que talvez cerca de 1 em cada 4 portugueses tinham em dado momento sido pagos por informações prestadas à PIDE". É uma percentagem elevadíssima e assustadora, já que aqui não se está a falar de pessoas constrangidas a prestar informações, mas de gente que, voluntariamente, as prestou a troco de uns tostões.

Sabemos, igualmente, que um grande números de judeus na Alemanha nazi foram enviados para os campos de concentração, não porque tenham sido descobertos pelas autoridades ditatoriais, mas porque foram denunciados pelos vizinhos, por conhecidos, por gente simples que não tinha, pessoalmente, grande coisa a ganhar com a clausura da comunidade judaica alemã.

Em Portugal temos tendência para ver a Revolução do 25 de Abril como aquela em que todo o povo mais simples se rebelou contra o poder fascista. Esta visão está, contudo, enviesada pela vergonha em admitir que existia um grande apoio popular à ditadura. É certo que na Revolução um enorme número de pessoas, membros das classes mais humildes, saiu à rua em apoio à transição portuguesa. Não obstante, é também verdade que o suporte da população, sobretudo fora das grandes cidades, zonas industriais e do latifúndio, foi bastante elevado mesmo até à queda do Estado Novo.

Todavia, o desconforto dos novos líderes democráticos, a começar por Mário Soares, impediu uma divulgação do número real e dos nomes de todos aqueles que em alguma altura foram informadores da PIDE. Assim, ficamos sem uma noção exacta de uma realidade que sabemos, contudo, ser mais tenebrosa do que pensávamos. As ditaduras, longe de serem mantidas apenas pelo esforço de uma elite isolada do querer popular, eram sustentadas, numa parte importante, por um apoio alargados dos cidadãos mais simples. Na ditadura portuguesa foi o povo, num primeiro momento, que a aceitou e que depois continuou a reforçá-la (mas cada vez menos, até à queda final). Olvidar esta realidade terá o efeito pernicioso de não estarmos atentos à possibilidade de maquinações populares para abdicarem da sua liberdade (e da dos outros) a favor de um qualquer novo "Messias".

Filho, sou gay.

Um excelente vídeo da autoria da Ilga Portugal.


Somente idiotas.




Na "festa da família", a música mais tocada foi "We are family", um conhecido hit de tudo o que são protestos gay. Por entre Virgens verde fluorescente, orações de pais-nossos (como se Cristo se tivesse alguma vez pronunciado pela não aceitação dos homossexuais) e bíblias brandidas em jeito de exorcismo, descubro que, longe de serem gente odiosa com uma visão discriminatória da realidade, são apenas muito idiotas. Fiquemos todos mais descansados e assistamos ao vídeo que nos relata as tropelias desta "gente".

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Os meus ódios.




Foi com surpresa que ao ler a entrevista de Miguel Sousa Tavares ao i (por causa da sua mudança para a SIC) me apercebi que, dos 7 ódios de estimação apontados pelo escritor/comentador/jornalista/pivô televisivo/apresentador/caçador, partilho quatro, um deles cai(-me) na categoria dos indiferentes e discordo, apenas, de dois.

Aqueles com que discordo em absoluto dizem respeito à Lei do Tabaco e ao Presidente da ASAE, António Nunes. Com o primeiro não posso pactuar, na medida em que ninguém tem de ser obrigado a consumir involuntariamente o fumo de outras pessoas e, sendo uma coisa extremamente incómoda, é justo que quem a provoca tenha de encontrar um local onde não incomode outrem. E isto decorre, necessariamente, do facto de, neste país, prezarmos a liberdade. Acho até que a lei deveria ser mais rígida, na medida em que nos espaços interiores em que é permitido fumar, os extractores de fumo não são suficientes para privar os não-fumadores dos malefícios do tabaco.

Com o segundo, respeitante a António Nunes, só quem nunca esteve a almoçar no mais famoso mercado de Barcelona ou teve de utilizar uma casa-de-abnho pública em Itália, é que pode, de forma leviana, censurar a acção da ASAE. Quanto a José António Fernandes, não sou propriamente um fã, mas também não tenho assim grande coisa contra.

Chegando à questão dos ódios que partilhamos, à cabeça vêm dois políticos: Alberto João Jardim e Cavaco Silva. Quanto ao primeiro, estou inteiramente com Sousa Tavares quando diz que, com o dinheiro que se envia para a Madeira, qualquer pessoa ganaharia uma qualquer eleição eternamente. No tocante a Cavaco Silva, também o acho "fraquito", mas perante uma relaidade em que os políticos são mais do que "fraquíssimos", já começa, a meu ver, a aparecer como um governante com alguma estrutura de carácter.

Nas obras públicas, partilho a mesma visão de que apenas servem para servir os favores às construtoras (sempre dependentes do Estado). O Facebook (e as restantes redes sociais) estão também na minha lista negra. Nunca gostei do conceito e, que eu saiba, da minha rede social, dentro das pessoas da minha geração, só eu e o meu irmão é que não possuimos um desses recantos de "amizade junk-food".

Enfim, há muitas coisas que detesto em Miguel Sousa Tavares, mas pelo menos uma admiro: não sendo minimamente imparcial, tem sempre a coragem de defender aquilo em que acredita.

Da inferioridade da mulher.




Hoje, mais de 5.000 pessoas (números da organização do "evento", portanto o número real deve rondar aí as 2.000) desceram a Av. da Liberdade numa marcha que na fachada pretendia reinvindicar um referendo para a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas que na realidade (o que é atestado pelo slogans da manif: "Casamento só entre um homem e uma mulher!" e "Sou pai dos meus filhos! Sou marido da minha mulher") pretendia afirmar-se como um protesto de negação do direito de acesso ao casamento a gays e lésbicas.

Enfim, a questão da idiotice do requerimento de um referendo para esta questão e da necessidade de se alargar o direito ao casamento a todas as pessoas independentemente da orientação sexual é tão óbvia e simples que nem nos daremos ao trabalho de, novamente, a analisar e discutir.

Embora deteste cair nos lugares-comuns, o que é facto é que aqueles que já apelidaram esta contestação como uma manifestação de ódio parecem ter toda a razão. Qual é, pergunto, a diferença entre este protesto e um outro em que se gritasse "casamento só para brancos" ou "pretos não devem poder casar". É que, esquecem-se os organizadores da manif e da Plataforma que lhe deu origem, os argumentos que agora avançam para obstar ao casamento entre pessoas do mesmo sexo são exactamente os mesmos que, há três séculos atrás, eram avançados para impedir o casamento entre os escravos.

Este movimento de protesto olvida, igualmente, um outro efeito que os slogans que defende provocam. Longe de ostracizarem somente os "membros" da "comunidade LGBT", marginalizam todas as famílias monoparentais, "bimonoparentais", todas as crianças que foram criadas pela avó, todas as mães solteiras, e pais solteiros, todos aqueles que são felizes e não querem (ou podem) constituir uma família monoparental. Esquecem, da mesma forma, que a mensagem que transmitem se pode reverter numa ideia perniciosa para o processo de emancipação da mulher. Ao afirmarem que uma familia apenas se pode constituir na complementaridade entre homem e mulher, concluem, necessariamente, que homem e mulher são diametralmente diferentes e ocupam espaços socias diversos. É assim que a mulher necessita do homem (e o homem da mulher, mas esta necessidade, dado papel superior que o masculino tem ocupado na nossa sociedade não tem um efeito pernicioso para o homem) para se constituir enquanto um ser humano pleno capaz de atingir a felicidade.

Ora, é esta mesmo a ideia que tentamos, em Portugal desde há cerca de 30 anos, combater. Era este tipo de pensamento que afastava as mulheres do trabalho, porque esse era o lugar do homem, que mantinha as mulheres num segundo plano, porque dessa forma deveria complementar o superior masculino (que possuía a carreira, chefia da família e capacidade económica). O superior complementa-se com o inferior e era este último o papel da mulher. É no fundo, e acredito que sem querer e, sobretudo, sem pensar muito nisto, esta a mensagem que Isilda Pegado passa quando de megafone em punho lidera as "famílias verdadeiras".

Esta plataforma tem falado imensamente da crise de valores que atinge a sociedade actual, em que tudo é permitido e se chega, até, ao ponto de permitir que a escumalha social, o grau mais alto da escala do preconceito (gays e lésbicas) ascendam ao estatuto de casados. Todavia, como refere a socióloga do ICS, Ana Nunes de Almeida, um valor permanece (e tem vindo a ser reforçado, creio) no que diz respeito à conjugalidade: a tentativa de se atingir a felicidade. E a quase totalidade dos gays e das lésbicas portugueses vive na infelicidade de ver a sua relação classificada de inferior, pouco digna ou meremente sexual. Claro que para aqueles que vivem infeliz, é muito difícil aceitar o contentamento alheio, sobretudo quando o outro tem um problema, um handicap: a homossexualidade. Parece ser esta, no fundo, a mensagem que Pegado e companhia pretendem passar.

A batalha será, todavia, absolutamente inglória. A luta pelo ancance da felicidade está-nos nos genes e enquanto existirem gays e lésbicas (ou seja, para sempre), a luta desta franja populacional e daqueles que, na sua felicidade, pretendem a satisfação para o próximo não vai cessar. E isto tem uma força imparável.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Diz-me com quem andas...




A cada semana que passa, o semanário "Sol" presenteia-nos com mais informações muito pouco simpáticas para o nosso primeiro-ministro. Nas escutas publicadas mais recentemente, é revelada a trama socialista para conseguir o apoio "fervoroso e espontâneo" de Luís Figo pela módica quantia de 250 mil euros. Segundo Marcos Perestrello (um dos boys mais próximos de Sócrates), essa "merda" valeria "muitos subsídios de desemprego". Estava o actual secretário de Estado da Defesa ("jobs for the booys, right?") a pretender dizer que o apoio de Figo valeria, em votos, o mesmo que a atribuição alargada de subsídios de desemprego, mas curiosamente, se pegarmos no valor médio de um desses montantes, também podemos afirmar que esses 250 mil euros valem muitos subsídios.

Luís Figo, que em Espanha nunca deixou de ser conhecido como o pesetero, já veio negar o seu envolvimento nestas negociatas pouco sérias, afirmando ter sido a "título pessoal" que apareceu na campanha socialista. Pois...seria a primeira vez que Figo apareceria numa televisão de forma gratuita e a "título pessoal", mas para tudo há uma primeira vez.

Entretanto, na comissão parlamentar de Ética, Armando Vara desmentiu qualquer envolvimento de Sócrates nas maquinações que agora vieram a público sobre a tentativa de controlo da TVI através da PT. O homem que obteve uma pós-graduação antes de ser licenciado e que se licenciou 3 dias antes de entrar para Administrador da Caixa Geral de Depósitos em Relações Internacionais, naquela que pode já ser considerada a Universidade do regime (a extinta Universidade Independente), vem, assim, afirmar que as escutas que o "Sol" publicou são falsas, na medida em que naquelas afirma claramente que Sócrates estava a par das negociatas.

Enfim, ninguém tem dúvidas acerca da veracidade das escutas, até porque os processos e as afirmações que já foram proferidas contra o semanário que as publicou vão sempre no sentido da ilegalidade da publicação das conversas gravas e não no da invenção das mesmas.

É certo que, por consequência da não divulgação das escutas das conversas do primeiro-ministro, é ainda difícil, a nível formal/jurídico (mas não político) provar o envolvimento de Sócrates. Agora, devido à proximidade de Sócrates com Vara, Perestrello e outros que tais, cumpre que se cite o velho ditado: "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és".

Da contramanifestação.




No próximo sábado, dia 20 de Fevereiro, uma certa associação que tem como cabeça de cartaz aquela senhora que já afirmou na nossa Assembleia da República que o preservativo não impede a transmissão do HIV (Plataforma Cidadadina e Casamento e Isilda Pegado, respectivamente) vai organizar uma manifestação pela promoção do referendo ao alargamento do casamento a casais compostos por pessoas do mesmo sexo. Não estando suficientemente satisfeitos em espalharem o ódio e o desconhecimento por meio petições online e em tudo o que são estádios de futebol (onde, como sabemos, se encontra a fina flor da sociedade portuguesa), decidiram, agora, manifestar-se, em conjunto com tudo o que é associação fascista e xenófoba, publicamente, descendo a Av. da Liberdade, numa tarde de Sábado (que espero muito chuvosa).

Perante esta notícia, um conjunto de pessoas defensoras dos direitos LGBT estão a convocar uma contra-manifestação para a porta do cinema S. Jorge, no sentido de demonstrarem à Plataforma Cidadania e Casamento que não concordam com a visão fascista e xenófoba que esta última preconiza. A contra-manifestação, desde que legalmente convocada e autorizada, é legítima, na medida em que não impeça a manifestação "principal" de se desenrolar com normalidade (art. 15º., nº. 2 do Dec-Lei 406/74).

Considero, todavia, que não deve abusar deste direito e que, à partida, não é muito produtiva a realização de uma contra-manifestação porque muito dificilmente se conseguirá passar uma mensagem oposta àquela que é a dominante no momento (a da manif) e, assim, só servirá para reforçar as ideias veiculadas no protesto principal. Contudo, não tenho a visão de que a realização de contramanifs signifique uma coerção da liberdade de expressão e manifestação das pessoas que integram a contestação primária. A garantia desses direitos tem outros mecanismos de defesa que não passam pelo impedimento da veiculação, na mesma altura, de ideais contrários. Não obstante, efectivamente, uma qualquer concepção passará melhor numa manifestação própria, do que às costas (e contra) uma manifestação alheia.

Agora, já tenho é imensas dúvidas que a manif da Plataforma Cidadania e Casamento seja legal. A organização de um protesto na via pública, como é o caso, irá causar enorme perturbação às pessoas que habitualmente circulam (e vivem) nessa zona. Assim, cumpre que se faça, sempre, uma ponderação, em que não se pode permitir que meia dúzia de gatos pingados ou várias dúzias, mas com objectivos pouco sérios, despropositados ou despiciendos. Parece-me ser nesta última categoria que cai a contestação convocada pela supra citada associação. É que os seus membros nunca conseguiram explicar a razão pela qual querem que seja organizado um referendo (que iria desautorizar o órgão decisório máximo e no qual os portugueses depositaram o seu voto: a AR) ao casamento. A verdadeira razão, contudo, é bem conhecida de todos: pretendem que um referendo desaprove aquilo que o povo português já decidiu nas últimas legislativas. Querem, desta forma, contornar a vontade democrática do povo. E para estes objectivos, não me parece que lhes deva ser "concedida" a Av. da Liberdade.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Nelson Mandela




Para lembrar um grande homem.

"To overthrow oppression has been sanctioned by humanity and is the highest aspiration of every free man".

(Nelson Mandela)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Eles comem tudo e não deixam nada,



Enquanto o nosso primeiro-ministro se andava entretendo no "forrobodó" do controlo da comunicação social pouco amigável, o desemprego andava alegremente aumentando perante a negação por parte de responsáveis do Governo de que uma crise sem precendentes se instalava. No último trimestre de 2009, a taxa de desemprego ultrapassou os 10% (o valor mais alto desde que o INE faz este tipo de contagem - 1983). Representa este valor cerca de 563.000 pessoas desempregadas.

Apesar deste negro indicador, uma errónea política de combate ao desemprego tem sido posta em prática por um Governo que se vem arrastando numa confrangedora fragilidade. Os programas des estágios na função pública, em ONGs e em empresas privadas só servem para mascarar uma realidade que é permanente. Terminado o estágio o jovem volta ao desemprego porque não existem nas entidades de acolhimento condições de acolhimento permanente do trabalhador. Assim, aplaca-se com um estágio que não é mais do que um subsídio, uma situação que, 6 meses depois, se revela na sua precariedade.

Entretanto, e para "enganar" a limitação no aumento de salários, os gestores das empresas públicas vão acumulando prémios extraordinários. Contratação por objectivos, justificam eles. Só que nunca teve de andar num comboio da CP ou de resolver algum problema quanto ao fornecimento de água é que pode assegurar que estas metas têm sido cumpridas.

Enfim, perante tal quadro, só apetece citar o saudoso Zeca Afonso: "Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada"...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

E o PS...Existe?




Um desgastado José Sócrates "toca a reunir" nas principais estruturas dirigente do PS. Numa última surtida, o Secretário-geral socialista procura congregar as hostes que abandonou durante os anos em que era o líder incontestado. Agora, cumpre saber se o PS aguenta a afronta e suporta um líder que do partido apenas precisou para como alavanca para chegar ao poder ou se, em noma da democracia e da liberdade, fazem cair um líder que é, mesmo quando se trata da audição das estruturas partidárias, um campeão da arrogância.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Do Fim da Orientação Sexual à Promoção da Liberdade Sexual.



Na sequência das leituras que tenho feito relacionadas com os estudos de A. Kinsey, uma ideia se tem vindo a instalar no meu pensamento: provavelmente, o conceito de orientação sexual faz pouco sentido. O termo orientação sexual serve para descrever qual o sexo (ou género ?) pelo qual um indivíduo se sente sexualmente ( e emocionalmente ?) atraído. Muitas vezes a Escala de Kinsey é referida como contendo a medição da orientação sexual. Trata-se, contudo, de uma ideia errada, na medida em que Kinsey desconsiderava o conceito de orientação sexual, aceitando apenas o de comportamento sexual (que a sua escala de destinava a medir).

Kinsey, como já referi em post anterior, nunca propôs uma política de aceitação/tolerância em relação ás orientações sexuais minoritárias, mas sim de defesa da liberdade sexual. É assim que é igual defendermos os direitos da população LGB ou o de um casal praticar o swing. Um gay que considera inaceitável uma relação poliamorosa está-se a discriminar a ele próprio, dizendo que a sexualidade diferente da norma ou minoriária não deve ser aceite. Quando uma lésbica diz que uma mulher que, de forma livre, mantém relações com vários homens é "nojenta" está, indirectamente, a revelar asco pela sua condição de homossexual.

É assim que cumpre que se sigam as pisadas de Kinsey, no sentido de desprender a defesa das sexualidades minoritárias/diferentes da promoção da aceitação das orientações sexuais minoritárias, promovendo, antes, uma verdadeira defesa da liberdade sexual, em que é aceite e correcto tudo aquilo que não degrada a dignidade ou magoa a pessoa humana. Desta forma, e ao contrário do que defendi durante anos, faz todo o sentido que grupos poliamorosos ou que defendam o swing, etc, estejam presentes nas marchas do Orgulho LGBT (que já agora deviam tomar o nome de Marchas pela Liberdade Sexual).

Claro que promover esta apologia da liberdade sexual é extremamente complicado porque quer o status quo "heterossexual" como todo o activismo LGBT assentam na pressuposução de que existe uma dicotomia e uma diferença crucial entre heterossexuais (privilegiados) e homossexuais/bissexuais (discriminados). Não existe, assim, fora grupos ultra-minoritários e sem grande capacidade de influenciar opiniões fora do seu núcleo (como os Poli Portugal), facções sociais capazes de sustentar a defesa de uma liberdade sexual plena.

Há, todavia, um grupo de defesa dos direitos LGBT (as Panteras Rosa) que já vêm tendo em conta a defesa de sexualidades que extrapolam a homo/bissexualidade. Contrariamente ao que acreditava até há cerca de um mês, acho que estão no bom caminho.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O fim está próximo, muito próximo.



As escutas que têm vindo a revelar as maquinações do primeiro-ministro para controlar os média desfavoráveis fazem com que José Sócrates seja, desde já, uma carta fora do baralho. O poder de Sócrates encontra-se em processo degenerativo e não há, acredito, qualquer hipótese de o actual detentor do poder executivo se manter em efectividade de funções por muito mais tempo. Todos os dias se desobrem mais situações "complicadas" (para dizer o mínimo) a que o nome de José Sócrates aparece ligado pelas piores razões. A última tem que ver com alegados pagamentos exorbitantes ao jogador Luís Figo para aparecer na campanha do PS.

Todos aqueles que melhores conhecem J. Sócrates têm vindo a afirmar que o primeiro-ministro nunca sairá pelo seu pé. É, dizem, um resistente. Outros há, menos amigos do visado, que preferem a versão de que este não tem "vergonha na cara". Claro que o "engenheiro" Sócrates está a contar com uma volta-face. Pretende que a oposição o afaste através de uma moção de censura e, assim, atingir o grau máximo de vitimização, tentando pôr o ónus da irresolução da crise política e económica nos partidos opositores. A oposição (extremamente desorganizada no que toca ao PSD) nada tem a ganhar com tal medida e é extremamente improvável que a apresente.

O ultra-circunspecto Cavaco Silva irá resistir ao máximo a demitir o Governo, preferindo, segundo o que vem sendo avançado pela comunicação social, a promoção de um "golpe palaciano" em que Teixeira dos Santos passaria a assumir a chefia do executivo. Este cenário parece-me igualmente muito improvável.

Numa altura em que o consulado de Sócrates está por um fio, a discussão que verdadeiramente interesse coloca-se no plano dos sucessores. Jaime Gama, António Costa e António José Seguro são os nomes que,à partida, se podem avançar para herdarem a liderança socialista. António Costa é, inequivocamente, o nome mais forte dentro deste grupo. Todavia, a obsessiva defesa do primeiro-ministro que tem vindo a promover pode causar-lhe danos irreversíveis numa altura de queda iminente. Jaime Gama representará, suponho, no ideário socialista, uma chamda de credibilidade e, portanto, embora seja um histórico perdedor, se avançar (ou o impelirem a que o faça) poderá ter hipóteses de vencer, perante um eventual recuo de Costa. António José Seguro é um outsider que procurará ganhar capital político.

Outros nomes como Vieira da Silva, Luís Amado ou Francisco Assim, creio terem poucas hipóteses de, se avançarem, atingirem um resultado significativo.

Entretanto, mensagens anónimas tentam convocar as hostes socialistas numa (última) marcha de apoio a Sócrates. Só me faz lembrar aquela célebre "manifestação da maioria silenciosa"...O fim, está, portanto, muito próximo. Só falta saber quem dará o golpe de misericórdia: PR, AR ou próprio Povo?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Albergue da Mitra.



No tempo do fascismo português os actos homossexuais eram um crime, mas, para além disso só o facto de se ser homossexual já fazia com que a pessoa caísse na categoria da perigosidade sexual e, assim, podia ser sujeito a diversas medidas de segurança, das quais a mais gravosa era o internamento.

Em Lisboa, era o Albergue da Mendicidade da Mitra que cumpria a função de ser o principal centro de internamento para a "deliquência sexual". Proxenetas, prostitutas e homossexuais foram espancados e sujeitos a todo o tipo de tratamentos degrandantes e humilhantes durante todo o período do Estado Novo, mas sobretudo entre os anos 30 e começo dos anos 50.

Não há, infelizmente, muita coisa escrita sobre a questão da "deliquência homossexual" na ditadura portuguesa, sendo a obra de Susana Pereira Bastos (O Estado Novo e os seus Vadios) uma das honrosas excepações. Na entrega dos Prémios Arco-Íris da ILGA-Portugal, a jornalista São José Almeida referiu ser crucial que se recolhessem, para memória futura, os testemunhos de homossexuais que tenham sido internados no referido Albergue. Já havia, acrescentou a premidada, proposto o empreendimento a Miguel Vale de Almeida (quanto este era dirigente da ILGA), mas desde essa altura nada teria sido feito.

A sugestão de São José Almeida parece-me extremamente acertada. É que aquilo de que não se tem provas, aquilo que não está escrito ou gravado por qualquer forma, não existiu. Os generais americanos, quando libertaram os campos de extermínio nazis, impediram os seus subordinados de começarem a enterrar os corpos e a limpar todo aquele horror enquanto não chegassem os jornalistas para que tudo aquilo ficasse devidamente registado. Devemos-lhes o conhecimento inequívoco do sofrimento de milhões de judeus, mas também homossexuais, ciganos, dissidentes políticos, comunistas, etc.

Em Portugal teremos, no máximo, 5 anos para tentar recolher testemunhos utéis de internados por "deliquência homossexual". É que se é certo que o Albergue da Mitra só foi oficialmente encerrado em 1976, a verdade é que a partir de 1951 passou a receber muitíssimo menos "semi-reclusos". É, então, o período anterior a 1951 aquele que é mais interessante, cumprindo, assim, começar com esse trabalho de recolha desde já.

Eu vou. E Tu?

Para que todos aqueles que têm responsabilidades públicas se lembrem que a liberdade é um bem que não nos podem tirar. Por todos aqueles que morreram para pudessemos ser livres! A todos os que honram a herança de Abril!



Todos pela Liberdade | 11 Fev | 13h30 | Frente à A.R.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

E Sócrates começa a tremer.



Foi com bastante agrado que recebi a notícia da candidatura de Paulo Rangel á liderança do PSD. É bem sabido que desde os áureos tempos de Cavaco Silva que o PSD se tem revelado o maior campo de extermínio de líderes que a nossa democracia conheceu. Todavia, Paulo Rangel poderá ser o homem certo para fazer a "ruptura" em relação a um passado tão calamitoso.

Dito isto, não se fique a pensar que me agrada particularmente que, por si só, o PSD tenha um líder forte. Não será segredo para ninguém que não me revejo minimamente nas posições social-democratas. Contudo, perante a conjuntura actual em que o líder do PS (e primeiro-ministro) se esquece frequentemente que Portugal é um Estado de Direito Democrático, considero que não haverá melhor do que uma oposição forte e consistente para o relembrar. Além disso, temos de nos lembrar que Paulo Rangel já venceu Sócrates uma vez.

As ascensão fulgurante de Rangel foi, para mim, uma enorme surpresa. No primeiro debate com o Governo, o, na altura, recentemente nomeado líder da bancada parlamentar do foi cilindrado pela prosa afiada do primeiro-ministro. Algum tempo depois, todavia, já se encontra a combater de igual para igual com Sócrates e a ganhar umas eleições que todos consideravam perdidas.

Rangel é, em tudo, diferente de Sócrates. Não veste Armani e a sua falta de cabelo e estrutura corpulenta dão-lhe um ar desajeitado (o que não lhe permitirá, certamente, ganhar o prémio de homem mais sexy do ano do Correio da Manhã). Não é bem-falante e falta-lhe alguma agressividade política. Todavia, num debate, é capaz de ser extremamente combativo e, como se viu quando enfrentou Vital Moreira, de deixar o adversário a corrar atrás do prejuízo. Por outro lado, tem uma formação académica sólida e nunca precisou da política para ganhar a vida. É, portanto, à partida um homem sério.

Temo, não obstante, que, com tantas qualidades, um enorme defeito se adivinhe: o facto de ser um governante absolutamente desastroso. Esperemos todos que não.

Portugal amordaçado.



Sócrates classificou a divuldação das escutas do caso "Face Oculta" como um "acto ilegal e criminoso", lamentando que os restantes partidos não tenham tomado a mesma posição critica em relação à reportagem do Sol. Pinto Monteiro, veio, de sua parte, confirmar a decisão que tomou quanto à irrelevância das escutas.

O primeiro-ministro, que havia garantido no Parlamento não ter conhecimento do negócio da TVI, veio agora dizer que o desconhecimento só existia ao nível oficioso e que sabia do negócio através de "conversas com amigos". Ora, o que preocupa, realmente, a maioria dos portugueses (que compreendem a gravidade da situação) são exactamente estes diálogos entre Sócrates e os seus amigalhaços (cuja existência é indirectamente provada pelas escutas divulgadas no jornal Sol).

Não se percebe, perante a factualidade divulgada pelo supra citado semanário, que Pinto Monteiro recuse a abertura de inquérito em relação a alegadas e gravíssimas ilegalidades cometidas pelo "engenheiro" Sócrates. Por outro lado, Cavaco Silva tem ficado quedo e calado sobre esta questão, o que também só muito dificilmente se entende, na medida em que o próprio era visado pelo "plano Sócrates".

Numa democracia tão recente como a Portuguesa, cumpre que se perceba que a liberdade não é um valor adquirido, mas um caminho a trilhar, uma batalha, um esforço constante de implementação. Assim, percebo que se levante um clamor nacional exigindo a demissão do primeiro-ministro. Lembremo-nos que Santana Lopes foi demitido por Sampaio por uma questão que não chegava minimamente ao ponto de gravidade que assume este plano armado por Sócrates. Espero que Cavaco SIlva se lembre que é o principal garante da Constituição da República Portuguesa e que actue na defesa da democracia.

(Faço a todos o apelo para que se juntem à manifestação desta quinta-feira á porta da AR. Porque nos importamos!)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

2010: Revolução Sexual



Recordei-me, hoje, ao pensar no Relatório kinsey de um episódio em que falava com vários amigos (nem sei já bem em que contexto, nem com que pessoas exactamente), quando, às tantas, levanto a seguinte questão: "Fazes sexo oral porque @ teu/tua namorad@ (já não me lembro do sexo da pessoa inquirida) gosta, ou sentes prazer com isso.

A vergonha rapidamente se instalou no seio da discussão e imediatamente me explicaram que a pergunta era "demasiado íntima". Não demorou um instante para que me quedasse em silêncio, sentido o embaraço da minha condição de intrometido, imaginando que teria roçado a falta de educação. Continuámos, portanto, a falar de sexo, utilizando metáforas ligeiramente ordinárias e meias palavras, criando pela subtilidade e multiplicação de significados uma converseta menos comprometedora.

Hoje, todavia, penso que deveria ter insistido no meu ponto. Aqui há não muito tempo um eminente sexólogo estrangeiro disse à revista Visão que Portugal era um dos países onde se faz pior sexo e onde os homens mais mentem acerca do número de ralações sexuais que estabelecem. Bem se compreende, assim, que uma conversa franca (e sendo aberta e honesta não tem, em primeiro lugar, de ser tida com qualquer pessoa, nem, obviamente, devem ser revelados os detalhes mais gráficos [ou pornográficos] da relação) assuste a maioria das pessoas habituadas ao facto de que "o sexo é para se fazer e não para se debater".

Por este pequeno exemplo se conclui que se o 25 de Abril foi relativamente eficaz na conquista das liberdades de expressão, opinião, participação, etc, não cumpriu os mesmos objectivos no que diz respeito à liberdade sexual. Note-se que logo nos primeiros instantes da Revolução apareceram reinvindicações de cariz sexual (quer tendo por base algum tipo de feminismo, defesa dos direitos da população LGBT ou, simplesmente, a necessidade de uma libertação como a que se deu na Améria e, com menos impacto, na Europa). Esss solicitações foram de imediato abafadas pela moral revolucionária. Afinal, a Revoluição não havia sido feita para os "paneleiros e para as putas".

Portugal é o país do escondido e do oculto. Pode-se fazer mais ou menos aquilo que se quiser, desde que depois não se fale disso. As novas gerações assimilam e reforçam estes normativos sociais. Já era tempo de Portugal viver, finalmente, uma Revolução Sexual.

Talvez João não possa ser condenado (ou: Da função retributiva em Direito Penal).



João, severamente deprimido depois do fim do seu casamento com Rosa, matou a filha de ambos de uma maneira que deixa preplexo e chocado qualquer ser humano. Maria João, a gilha, saira da casa de banho do apartamento paterno com o cinto do roupão do pai enrolado em volta do pescoço, fazendo de conta, em pueril brincadeira, ser um cachecol. Quando a criança se senta no sofá, o pai aperta o cinto durante quatro longos minutos até que Maria João sucumbe. João afirma ter planeado o próprio suicído, não pretendendo, em altura alguma, fazer mal à filha (de que parecia gostar).

Psicólogos já vieram explicar que o homicídio cometido por João foi um assassínio altruista, na medida em que considerava que a menina não deveria "viver sem o pai". João será, com toda a certeza, condenado. Todavia, seguindo os preceitos do nosso sistema penal, talvez não o pudesse ser.

A lei penal portuguesa não tem como objectivo a inflexão de um castigo, cumprindo, somente, funções de prevenção geral (dar o exemplo à sociedade de que o direito actua e de que quem comete crimes terá de enfrentar consequências negativas)e especial (a reabilitação do criminoso).

É manifesto, no presente caso, que João não tem um "institinto criminoso" que cumpre reverter. Encontrava-se extremamente descompensado e com uma depressão que lhe causava instintos suicidários, embora tenha sido considerado imputável. Ora, a reabilitação deste doente far-se-á através de terapia psicológica e não, certamente, através da imposição de uma pena de prisão que só agravaria o estado de saúde de João.

Nos casos de crimes cometidos por cidadãos vítimas de depressão profunda, a função de prevenção geral também não funcionará, na medida em que pessoas deprimidas não respondem aos estímulos que coagem a acção da generalidade das pessoas.

Assim, apesar do hediondo acto cometido, é bem possível que, face ao enquadramento legislativo português, João apenas poderia ser condenado por homicídio por negligência (na medida em que deveria saber que se encontrva num estado em que o seu discernimento se encontrava claramente diminuído).

Cumpre, contudo, perguntar como se acode ao clamor de justiça daquela mãe ou da comunidade em geral. É talvez a velha função retributiva a lembrar-nos que terá de voltar, na medida em que, como é praxis comum no vocabulário popular, "ele tem de pagar pelo que fez".

Notícia: Público.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Fundamental é a responsabilização dos proprietários de armas de fogo.



No nosso singelo país plantado á beirinha do Atlântico já existem diversas garagens de Lisboa que fabricam os componentes da mais famosa arma de guerrilha: a espingarda de assaltu russa AK-47, mais conhecida pelo nome do seu criador, Kalashnikov.

Em Portugal é relativamente complicado adquirir, de forma legal, uma arma de fogo. As leis parecem, no tocante ao acesso às licenças de uso e porte de arma, estarem bem feitas, limitando o número daqueles que às mesmas têm acesso. Sabe-se, contudo, que a maior parte das armas que entram no circuito ilegal de transacção se devem a roubos motivados pelo extremo descuido dos legais proprietários das mesmas. Cumpre, assim, que a negligência na guarda de uma arma de fogo seja punida de forma mais gravosa, para que assim, caçadores e outros amantes dos disaros por diversão tomem consciência que manter uma arma em casa não é o mesmo que guardar uma consola de jogos ou uma decoração de parede.

O que os inúmeros acidentes doméstico que se dão pelo manejo de armas de fogo por criança nos dizem é que os donos desse tipo de armamento o guardam, muitas vezes, em locais que nem sequer se encontram fechados á chave. Ora uma arma de fogo, devia, no mínimo, se se pretende ter a mesma em casa, estar guardada num cofre, sendo que o melhor seria mesmo que os proprietários fossem obrigados a manter as mesmas num cofre bancário.

A responsabilização dos donos das armas contribuirá, assim, para a diminuição das tragédias domésticas e da circulação de armas ilegais.

O Relatório Kinsey



Vi, ontem, o filme "Relatório Kinsey". Achei a história que conta o filme absolutamente extraordinária, em primeiro lugar porque pensava que os estudos de Kinsey, de quem, assumo, conhecia, somente a escala, tinham sido publicados vários anos depois. Talvez na década de 60, ou 70 mesmo. Afinal foram saíram das tipografias em 1948 (o estudo acerca da sexualidade masculina) e em 1953 (aquele que te que ver com a sexualidade feminina). Fui, então, fazer uma pesquisa um pouco mais aprofundada e um resumo dos trabalhos, que podemos encontrar no Kinsey Institute, contém estatísticas que, ainda hoje, podemos considerar surpreendentes.

Aponta, por exemplo, para o facto de 46% da população masculina já ter tido experiências sexuais ou "reagido sexualmente" a pessoas de ambos os sexos e que a percentagem de tais experiências é significativamente inferior no sexo feminino. Assim, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, parece que a bissexualidade (enquanto orientação sexual, ou de forma mais imprórpia, experimentação sexual) é muito mais habitual no sexo masculino do que no feminino.

Já vários estudos mais recentes tinham chegado a conclusões relativamente próximas, na medida em que apontam para o facto de a maioria dos rapazes (ainda que heterossexuais) iniciavam a sua "vida sexual" com elementos do sexo masculino, enquanto que nas raparigas era mais comum que essa iniciação fosse feita com uma pessoa de sexo diferente.

Kinsey concluiu, igualmente, que não existe nenhuma zona do corpo humano que não seja suficientemente sensível para ser sexualmente estimulante para, pelo menos, alguns indivíduos e que cerca de 20% de todos os indivíduos entrevistados se excitava quando levava umas "palmadinhas".

Diz-nos, também, este autor que 37% dos homens, uma percentagem altíssima e que vai contra tudo aquilo em que acreditamos, já teve uma experiência sexual que deu origem a um orgasmo com um parceiro masculino. Assim, parece que o comportamento homossexual é mais estimulante para a maioria dos homens ditos heterossexuais do que os mesmos querem admitir.


O mais interessante das conclusões de Kinsey é, contudo, o de que não é possível "classificar" uma pessoa enquanto homossexual ou heterossexual, sendo unicamente possível classificar comportamentos sexuais. É esta conclusão que está na base da escala de 7 números que criou e de todas as outras escalas de classificação da orientação/experimentação sexual que surgiram na sexologia.

Esta concepção que destrói amplamente todas as bases em que assenta a estrutura sexual da nossa sociedade: a divisão entre aqueles que fazem sexo com parceiros do mesmo sexo, que o fazem com parceiros de sexo diferente e que o fazem com ambos. Esta ordem de pensamento destrói, por outro lado, toda a luta LGBT, na medida em que a mesma se torna sem sentido quando for para defender os direitos de gays e lésbicas, na medida em que essas categorias não existem. Toda a reinvindicação que verse sobre questões que têm que ver com o sexo terá de ser, então, segundo Kinsey, virada para a defesa de uma única causa: a liberdade sexual.

(Confesso ser uma ideia que me atraiu imensamente, e a vocês?; ))

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Uma questão de números.

Os recuos do Governo depois da "negociação" com os professores vão custar ao país 420 milhões de euros.

A alteração da Lei das Finanças Regionais, 50 milhões.

Onde está, então, o "despesismo" tão alardeado por Teixeira dos Santos?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"Ditabranda" à madeirense (ou Bom Carnaval para todos).



Ontem, à saída do Conselho de Estado, Alberto João Jardim havia desejado a todos um feliz Carnaval. Pensámos que se referia ao dia de Entrudo, a 16 do presente mês. Fomos, todavia, bem enganándos. É que o cacique madeirense falava de outro Carnaval...Falava do Carnaval em que consegue reunir toda a oposição para aumentar o nível de endividamento da segunda (!!!!) região mais rica de Portugal, às expensas de todas as outras regiões que, tirando Lisboa e Vale do Tejo, são mais pobres que a "pérola do Atlântico".

Num país em que se pretende a aproximação de todas as regiões a um nível de vida o melhor e mais igualitário possível, o que me parece fazer sentido era ser a RA da Madeira a envidar esforços para que o Alentejo, Trás-os-Montes ou os Açores pudessem receber mais fundos estatais. Contudo, todos temem o procônsul madeirense e, mesmo a esquerda vai votar favoravelmente a alteração da Lei das Finanças Regionais que permitirá um acréscimo de endividamento à RA da Madeira. Esta situação causa-me um enorme espanto e gigantesca desilusão. Que as gentes da Madeira gostem de viver numa "democracia venezuelana" ou numa "ditabranda" em que o Governo Regional, devido às avultadas transferências do OE tudo controla e tudo reprime, tudo bem.

Agora, já considero um bocadinho demais que tenhamos, numa situação de escassez de recursos, de andar financiando uma "semi-ditadura" em que as pessoas vivem bastante melhor do que a média nacional.

Contudo, Teixeira dos Santos veio já, qual paladino da justiça nacional, afirmar que a Lei do Enquadramento Orçamental prevê mecanismos que possibilitarão o bloqueio de acréscimos no endividamento...Só considero ser uma pena que a mesma Lei não venha a ser utilizada da mesma forma para impedir as tradicionais medidas eleitoralistas (aumentos aos funcionários públicos em véspera de eleições, ...) e as absurdas obras megalómanas com que este Governo quer deixar a sua marca.

Assim, tem Alberto João Jardim e até 2013 vai ser um bom Carnaval...para todos!


PS: Foi, pela tarde de hoje, aprovada a alteração à Lei das Finanças Regionais com os votos da oposição e (veja-se o domínio do "jardinismo" sobre a população madeirense) do deputado do PS eleito pela Madeira.

Não é preciso ser nenhuma pitonisa para perceber lançar a seguinte previsão: este Governo cai antes do final do ano.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O lugar das palavras é na rua.



Angústia
Noite
Linha
Amo-te
Pele
Boca
Campo
Trovejar
Dor
Solisbaio


Era sempre de noite que me invadia aquela angústia, um trovejar incessante de pensamentos amargos. A solidão consumia-me a alma e eu não era nada, nem um capítulo, uma linha ou um ponto nessa dissertação de emoções que deveria ser a vida.

Era sempre aquela dor imparável, o cansaço, o sofrimento imensurável que me corroía como o infestante que contamina os campos. Um ácido que carcome ilusões. Esmaga-me a falta de ouvir "amo-te" numa boca a murmurar...uma carícia na pele.

Quero gritar, sim!, libertar-me, transformar as minhas entranhas num solisbaio, onde posso esquecer numa "alegria breve" a consciência e o temor.

Bom Carnaval!



Quando Manuela Ferreira Leite, na campanha para as últimas legislativas, dizia que Portugal não tinha dinheiro, sequer, para um alfinete, acusavam-na de "pessimista" e prometiam grandes obras públicas que iriam "relançar a economia nacional". Entretanto, com vista ao imediato ganho eleitoral, baixava-se, de uma forma rídicula, o IVA e aumentavam-se os salários dos funcionários públicos. O Governo sabia, na altura, que a situação era catastrófica (e se não sabia, ainda pior). Mesmo assim, resolveu ser "despesista". Afinal, o que interessava era vencer o confronto político! Depois, "logo se via".

Quanto o novo Governo tomou posse, incrivelmente sem o PS conseguir uma maioria absoluta contra, provavelmente, a pior campanha eleitoral do PSD desde a sua existência, Sócrates, sempre com jovial optimismo, afirmava que a situação não era assim tão negra e que, no máximo, o défice andaria aí pelos 8%. Enganou-se´. o défice orçamental para o ano transacto situou-se nos 9,3% e o próprio ministro das Finanças, que deveria estar no controlo da "coisa", revelou-se "surpreendido".

Agora, cumpre cortar em todos os lados, menos nas magnificentes obras públicas. No final de contas, cumpre deixar uma marca, um monumento a uma governação certamento vista como impecável pelos seus actores. Então, começa-se por dar o golpe no elo mais fraco: os funcionários públicos. Depois, convém evitar que a oposição, na qual o povo português, livremente, confiou o seu voto, aprove normas "despesistas". Como bem se sabe, a despesa é prerrogativa governamental.

Assim, perante a iminente aprovação pela oposição de uma "nova" Lei das Finanças Regionais, Sócrates ameaça bater com a porta, sabendo, certamente, que se se realizarem eleições nesta altura, perante a já muitíssimo desastrosa oposição que vêm fazendo os sociais-democratas, só tem hipóteses de vir a conquistar um número mais elevado de votos.

É assim que um Cavaco em pânico convoca um Conselho de Estado para "serenar" os ânimos. E, por fim, tudo fica bem: Sócrates diz que o encontro "correu muito bem" e o zombeteiro Alberto João Jardim deseja a todos um "bom Carnaval".

(Notícia: Público, i, TVI24).