segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Viva a República!



Uma qualquer criatura, com toda a certeza um barão, conde, ou com um qualquer desses títulos que o sangue azul proporciona (ou então só um mero plebeu, com a mania das cortes, das grandes caçadas e do fausto real) daquela espécie de ficção política que dá pelo nome de Partido Popular Monárquico veio afirmar que o partido pretende que se proceda a uma alteração da Constituição para que se possa referendar a monarquia.

Enfim, que há muito mentecapto em Portugal com a mania do referendo já o sabíamos desde que aquela espécie de movimento anti-democrático "Plataforma Cidadania e Casamento" andou por esse país fora em tudo quanto eram igrejas e estádios de futebol, recolhendo a fiel e moralista assinatura das beatas e dos amantes do coirato, do Capitão Moura e do Bispo de Viseu. Agora, que alguém era suficientemente idiota para considerar que uma maioria da população portuguesa defende essa fanfarronada displicente que é a monarquia, estav longe de imaginar.

Como é que alguém pode afirmar que a República Portuguesa dos dias de hoje resulta da vontade uma minoria? Como pode este senhor Beninger pensar que a maioria de nós quer um fantoche como representante máximo da Nação? A democracia exige que os nosso representantes sejam eleitos, impõe que quem detenha poder efectivo tenha passado pelo escrutínio do povo. Assim, um rei só pode, num regime democrático, ser um acessório constitucional sem qualquer relevância, um adereço feio e sem graça (no caso do nosso Duarte Pio) num sistema onde não conta para absolutamente nada.

Aquilo que, todavia, mais me enfureceu nas declarações do líder dos monárquicos foi a comparação que fez do nosso regime pós-25 de Abril com as ditaduras impostas por Ceauscescu e Nino Vieira. Não merece, este senhor, viver num país que lhe permita dizer tamanhos disparates. É esta mesma República Democrática que Beninger abomina que lhe concede a liberdade de afirmar aquilo que deseja, mesmo que seja a coisa mais absurda do mundo.

Notícia: TVI24, Público.

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