sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Preocupações económicas e atraso social. Nenhuma novidade na mensagem de Ano Novo.



A mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva não foi, genericamente, má. Claro que abordou temas que têm sido recorrentes nas suas comunicações: endividamento externo, défice orçamental, promoção da produção nacional, defesa das pequenas e médias empresas. É um homem que ficou conhecido por ser (supostamente) um "génio financeiro" (um novo pequeno Salazar democrático) e não quer perder esse status.

Referiu, e esteve bem nesse ponto, a questão do flagrante aumento do desemprego (para a qual o Governo não apresenta qualquer tipo de solução). A situação negra da nossa economia poderá levar a "uma situação explosiva" (pensando, certamente, naquilo que acontece na Grécia).

Fez um importante apelo ao diálogo entre os partidos, para que se formem entendimentos que permitam a resolução dos problemas das pessoas. Com um primeiro-ministro como J. Sócrates (que não ouve ninguém, que entende que só com maiorias absolutas é que é possível governar e que não dialoga) será extremamente difícil que se possam chegar a acordos.

Apenas uma questão manchou um discurso que estava a correr bem. Numa clara referência ao mais que garantido alargamento da igualdade no acesso ao casamento aos casais homossexuais, o Presidente da República, afirmou ser imperativo "recuperar o valor da família".

O que quis dizer com isto, não explicou. Mas todos entenderam: Cavaco posiciona-se contra a igualdade e progressismo social. Nada de novo, portanto.

(Notícias: Público, i, TVI24)

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