quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Portugal: o país com os melhores professores do mundo ou crónicas de uma mentira (Parte I)



Isabel Alçada, ministra da Educação, revelou, hoje, que 83% dos professores recebeu a classificação de Bom no passado ano lectivo (Público, TVI24), sendo que apenas 0,5% foram classificados com Regular ou Insuficiente.

Significa isto que apenas meio por cento (!!!) dos professores obteve uma classificação mediana ou insatisfatória. Aqui, das duas uma: ou temos nos professores a classe de excelência do sistema português, para onde se dirigem os melhores profissionais, aqueles que não falham e que nunca são, sequer, medianos; cumprem os objectivos, mas cumprem-nos bem, sempre; trabalham com afinco, são briosos e nunca vulgares ou então algo de muito grave se passa na avaliação dos docentes.

Acho que é mais provável ser a segunda hipótese aquela que recolhe maiores probabilidades de ser válida. Assim sendo, nem imagino o que aconteceria se não existisse uma quota para os Muitos Bons ou Excelentes. Provavelmente teríamos 0% de Insuficientes e Regulares e 0,5% de Bons.

2 comentários:

  1. Olá Manel!

    "Assim sendo, nem imagino o que aconteceria se não existisse uma quota para os Muitos Bons ou Excelentes. Provavelmente teríamos 0% de Insuficientes e Regulares e 0,5% de Bons."

    Então agora as quotas passaram a ser de 16,5% foi?? Não eram de 25%? Segundo a tua lógica de "as quotas é que limitam, sem as quotas tinha tudo a nota máxima" devíamos ter 75% de Bons, não? A matemática não será o teu forte, parece-me...

    Olha, eu dou-te a resposta às tuas ânsias: o modelo de educação é mau. Só exige aulas assistidas para os docentes que se queiram candidatar a Muito Bom ou a Excelente. E sabes o que é necessário para se dar um nota negativa, e que os professores maus, obviamente, não pedem? Aulas assistidas! Wow! Não é excelente?? :P Não sei como é que tu querias mais notas para o Insuficiente. Pelos teus dados nem sei se terá havido 1 único Insuficiente no país. Eu tenho as minhas dúvidas.

    Quanto aos restantes Bons, são dos professores não pediram aulas assistidas, mas fizeram o trabalho necessário para terem a avaliação de Bom que lhes foi pedido e que é regulamentado pelo modelo de avaliação definido pelo Ministério da Educação (aquele modelo novo versão simplex). Como não implica que ninguém lhes vá verificar as aulas, não deve ser difícil ter um bom (se só tens de produzir papel...).

    A segunda hipótese é de facto verdade, algo de muito grave se passa na avaliação dos docentes. Vê lá se não os queres culpar de novo, desta vez por seguirem as ordens e o modelo de avaliação definido pelo ME!

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  2. Olá Romeu!

    Em primeiro lugar, os meus dados são aqueles que foram revelados pela ministra da Educação.

    Pelo que me dizes, fico é com uma grande dúvida: será que houve, efectivamente, algum professor com nota negativa, ou aqueles 0,5% foram todos classificados como Regulares.

    É que a suspeita com que fico é que todos aqueles que pediram aulas assistidas devem ter recebido a classificação de Muito Bom e Excelente.

    Mas isto agora já sou só eu com as minhas desconfianças.

    Para além disto, como querem os professores ser levados a sério, se pedem uma progressão "mais rápida" na carreira para uma mais que esmagadora maioria de profissionais (99,5%)? Pergunto-me, então, onde se situa a diferença em relação ao modelo da progressão automática, que aparentemente demonstram rejeitar...

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