sábado, 2 de janeiro de 2010

"A Plataforma Cidadania contra a Democracia"



Eu até já ando um bocadinho saturado deste tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo, até porque não sou um grande entusiasta da proposta que o PS pretende aprovar. Contudo, quando ouço disparates hiperbólicos sobre a questão, não deixo de me indignar.

Que aquela gente da "Plataforma Cidadania e Casamento" vive noutro planeta já todos sabemos desde o dia em que escolheram Isilda Pegado (a conhecida activista anti-preservativo e autora da frase: "não está provado que o preservativo impeça a contaminação pelo HIV) como uma das principais porta-vozes e responsáveis.

Parece, no entanto, que querem continuar a afirmar essa identidade "extra-terrestre": depois de os partidos da esquerda (maioritários na AR) terem afirmado que vão chumbar a proposta de referendo, os cidadãos que contituíram este movimento continuam, afanosamente, a contar assinaturas.

Das duas uma: ou não têm mais nada que fazer (o desemprego deixou muita gente desocupada este ano, realmente...) ou no afã da recolha e contagem das rubricas nem tiveram tempo para acederem aos meios de comunicação social. Lembremo-nos que são estas as mesmas criaturas que depois vêm dizer que o país tem mais com que se preocupar numa situação de crise economica e social sem precendentes. A coerência não é, com certeza, o forte da "Plataforma".

Não é, todavia, esta a situação que mais me preocupa. Aquilo com que fico, sinceramente, consternado é com a noção de democracia que têm estas pessoas. Dizem que a questão não foi suficientemente discutida, quando foi falada em tudo quanto foram debates e nos comícios dos partidos com assento na AR. Esta questão estava, com destaque, nos programas do BE, PS e PCP (que garantem a maioria para a aprovação do casamento gay).

Isilda Pegado chega mesmo a afirmar que "não é democrático que seja apenas a Assembleia da República a pronunciar-se sobre o assunto". Não compreende esta senhora (que até já foi deputada) que a AR é eleita e representa todos os portugueses e que, portanto, o alargamento do casamento a casais do mesmo sexo é uma coisa com que a maioria dos portugueses concorda?

Enfim, quando se sabe que a derrota está iminente, todos os argumentos parecem ser válidos.

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