sábado, 9 de janeiro de 2010

O revés de José Eduardo



Angola queria fazer do CAN 2010 o seu momento de afirmação como potência regional. Com o dinheiro do petróleo a jorrar incessantemente e com a derrota definitiva da UNITA (primeiro militarmente com a morte de Jonas Savimbi e, em 2008, politicamente, nas legislativas), José Eduardo dos Santos queria mostrar ao mundo que lidera um país rico, avançado e tão pacificado que até pode organizar jogos oficiais na problemática zona de Cabinda (para além do movimenso secessionista fica "encravada" entre dois dos mais problemáticos países do continente africano: a República Democrática do Congo e a República do Congo).

O tiro saiu, contudo, pela culatra aos governantes angolanos. A FLEC (movimento independentista do enclave de cabinda) organizou (e levou a cabo com sucesso) um atentado contra o autocarro em que se deslocava a selecção do Togo (v. Público).

É um sério revés para a política externa angolana. Em vez de demonstrar que é um Estado forte, bem estruturado e que aniquilou todas as reinvindicações secessionistas, Angola demonstra que é fraca, internamente débil e que ainda está longe de ter resolvido os problemas de insegurança de que padece o país. Assim, e apesar das riquezas naturais, este país africano falha no essencial e deixará, certamente, que uma toda-poderosa África do Sul apague as aspirações angolanas à ascensão ao estauto de potência da zona.

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