domingo, 31 de janeiro de 2010

O Ano I da Era Chinesa



A República Popular da China ameaçou, pela primeira vez, creio eu, directamente os Estados Unidos com sanções económicas caso estes mantivessem a decisão de vender armamento à República da China, sediada no disputado território de Taiwan.

As relações das "duas chinas" foram sempre extremamente complicadas, vivendo os dois Estados (dentro do mesmo Estado) em guerra desde 1945, já que nunca assinaram nenhum tratado, nem se reconhecem enquanto Estados. Quer a China Popular, quer Taiwan reclaman a integridade do território chinês (continental e insular) e, assim, Taiwam nunca proclamou a sua independência, na medida em que se considera um Estado autónomo.

China e Taiwan não têm relações diplomáticas e a China popular não estabelece contactos oficiais com os países que reconhecem a Formosa, razão pela qual este último país vê os sues interesses externos representados por pequenos países africanos e do pacífico.

Perante a crescente pujança económica chinesa, os dias de "independência" do pequeno Estado de Taiwan estão contados. Os EUA, perante a conturbada situação internacional em que se vêem submersos poucas hipóteses terão de continuar a apoiar de forma tão próxima o regime insular chinês, até porque precisam da China para resolver o imbróglio iraniano e norte-coreano.

Compreende-se, contudo, que o pequeno Estado chinês não queira perder a democracia que conquistou faz tão pouco tempo (1996). Penso, contudo, que a melhor opção para desbloquear a situação internacional extremamente complexa seria a integração de Taiwan na China popular com um sistema semelhante àquele que existe para Macau e Hong Kong (Regiões Administrativas Especiais, com ampla autonomia governativa).

Veremos como se comportam os dois actores fundamentais nesta matéria: EUA e China. Agora, um últimato da magnitude daquele que foi feito por esta última a Barack Obama reflecte já uma enorme mudança nos equilíbrios estratégicos mundiais. 2010 é, provavelmente, o ano I da Era Chinesa.

Notícia: Público, i.

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