sábado, 23 de janeiro de 2010

E lembrarmo-nos que Cristo era de esquerda...



A cardeal patriarca de Lisboa, depois da polémica dos foleiríssimos casamentos de S. António, escolheu o dia de S. Vicente (padroeiro da cidade de Lisboa) para arremessar mais algumas farpas contra o inevitável rumo da história no sentido da igualdade entre todos os seres humanos, atacando, furiosa e diabolicamente, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Curiosamente, mas já há muito tempo, reconheço, que a Igreja de tal se esqueceu, as concepções ocidentais sobre o direito de todos os seres humanos a auferirem da mesma igualdade, independentemente de que características (inatas ou não) possuíssem, radica nos ensinamentos de Cristo.

Foi, efectivamente, Jesus Cristo quem introduziu, via expansão do cristianismo, na Europa as ideias de que Deus a todos ama da mesma forma. Cristo, foi, assim, de certa forma, o primeiro revolucionário, no sentido que modernamente atribuímos à palavra. Ameaçou as estruturas de poder e, portanto, foi, obviamente, eliminado pelas mesmas. O "fundador" do cristianismo era, assim, um homem de esquerda (talvez o Pai da Esquerda!) no sentido em que promoveu, de forma inabalável, o progressismo social em prol da justiça e igualdade para aqueles que mais sofriam.

A viragem para a direita da Igreja cristã dá-se, inevitavelmente, quando se torna estrutura de poder. É, desta forma, que vamos observando um progressivo afastamento entre o povo e as elites religiosas, novo símbolo de poder, sobretudo, numa Europa aterrorizada no período da Idade Média.

Não nos devem, então, espantar as afirmações do cardeal patriarca, mesmo quando, rejeitando até a sua própria existência familiar, afirma que a família só pode ser constituída por duas pessoas de sexo diferente. Assim, nega-se a possibilidade de padres e outros servidores da Igreja constituirem família, dentro da comunidade religiosa em que vivem. Enfim, contradições de pessoas que, por não pensarem, submeteram a Ibéria a quase três séculos de Inquisição que, ainda hoje, marcam de forma impressiva a forma de pensar dos povos desta península.

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