quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ainda há quem não tenha medo de dizer o que pensa.



Ontem, na minha curta hora de almoço e depois de ler diversos artigos e entrevistas escritos no rescaldo da Revolução de Abril e, portanto, ainda não enevenenados pelo "politicamente correcto", reflecti sobre o clima de medo em que se vive neste "normativíssimo" pequeno país que dá pelo nome de Portugal. Actualmente, poucos dizem e assumem aquilo que pensam. Só eu próprio sei a luta que entabulo, todos os dias, contra a minha pessoa e contra aquelas que me são próximas, para poder pensar e divulgar o que penso de forma livre.

Temos medo dos "processos por difamação", da perda de oportunidades de emprego, de criarmos conflito com alguém conhecido, enfim, temos medo, no fundo, de ser livres e isso faz-me lembrar aquela excelente análise de José Gil sobre o povo português. Tudo se resume, afinal, ao nosso "medo de existir".

Por coincidência, deparo-me, chegando a casa, com as declarações que Belmiro de Azevedo fez à revista "Visão" (que sairá hoje) em que se refere a Cavaco como um "ditador" e onde não poupa críticas ao governo socialista, à líder da oposição e, sobretudo e mais interessante, à nossa democracia.

Não sou propriamente um fã de Belmiro. Contudo, admiro o facto de ter criado um jornal de referência, o Público, e de ser um empreendedor no verdadeiro sentido da palavra, com faro para o negócio e visão de futuro. Fico, agora, a admirar mais uma coisa neste homem, que antes das negociatas de Américo Amorim no imobiliário e com a herdeira do estado angolano, Isabel dos Santos, era o homem mais rico de Portugal: a sua frontalidade. Belmiro de Azevedo fala sem medo de represálias, apoiado, sem dúvida, no poder do capital, mas ainda assim não creio que existissem muitos capazes de fazer tais críticas de uma forma tão aberta.

Acho que depois de mais de um ano, voltarei a comprar a revista Visão. Para aqueles que quiserem um "cheirinho" da entrevista, aqui ficam os links: i, Públio, Visão.

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