domingo, 31 de janeiro de 2010

O Ano I da Era Chinesa



A República Popular da China ameaçou, pela primeira vez, creio eu, directamente os Estados Unidos com sanções económicas caso estes mantivessem a decisão de vender armamento à República da China, sediada no disputado território de Taiwan.

As relações das "duas chinas" foram sempre extremamente complicadas, vivendo os dois Estados (dentro do mesmo Estado) em guerra desde 1945, já que nunca assinaram nenhum tratado, nem se reconhecem enquanto Estados. Quer a China Popular, quer Taiwan reclaman a integridade do território chinês (continental e insular) e, assim, Taiwam nunca proclamou a sua independência, na medida em que se considera um Estado autónomo.

China e Taiwan não têm relações diplomáticas e a China popular não estabelece contactos oficiais com os países que reconhecem a Formosa, razão pela qual este último país vê os sues interesses externos representados por pequenos países africanos e do pacífico.

Perante a crescente pujança económica chinesa, os dias de "independência" do pequeno Estado de Taiwan estão contados. Os EUA, perante a conturbada situação internacional em que se vêem submersos poucas hipóteses terão de continuar a apoiar de forma tão próxima o regime insular chinês, até porque precisam da China para resolver o imbróglio iraniano e norte-coreano.

Compreende-se, contudo, que o pequeno Estado chinês não queira perder a democracia que conquistou faz tão pouco tempo (1996). Penso, contudo, que a melhor opção para desbloquear a situação internacional extremamente complexa seria a integração de Taiwan na China popular com um sistema semelhante àquele que existe para Macau e Hong Kong (Regiões Administrativas Especiais, com ampla autonomia governativa).

Veremos como se comportam os dois actores fundamentais nesta matéria: EUA e China. Agora, um últimato da magnitude daquele que foi feito por esta última a Barack Obama reflecte já uma enorme mudança nos equilíbrios estratégicos mundiais. 2010 é, provavelmente, o ano I da Era Chinesa.

Notícia: Público, i.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Surpreendido com a existência do BdP.



Nos últimos tempos tenho me questionado recorrentement acerca da utilidade da existência do Banco de Portugal. No antigamente, quando inflações de 30% e mais eram possíveis no nosso pequeno rectângulo atlântico, a principal função do banco central era o controlo, ou no nosso caso o descontrolo, da política monetária. Agora, que, graças a Deus, a política monetária compete ao Banco Central Europeu, o Banco de Portugal teria, fundamentalmente, de desempenhar duas funções: supervisão da actividade bancária e financeira e promover a realização de estudos sobre questões económicas nacionais.

Ora, no cumprimento destes dois objectivos, o Banco de Portugal tem falhado rotundamente. A supervisão de Vitor Constâncio falhou em toda a linha nos casos do BPN, BPP e BCP e, estou convencido, a situação nos outros bancos não é de igual calamidade devido ás estratégias de crescimento saudável que tentam promover e não por qualquer acção do banco central.

A realização de estudos e previsão do funcionamento da economia parece não ser, igualmente, uma especialidade do Banco de Portugal. É que veio, ontem, o Governador do BdP dizer que ficou "surpreendido com o défice das contas públicas". Assim, quem fica surpreedido sou eu: com a existência de uma instituição que se revela tão disfuncional como o Banco de Portugal.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ainda há quem não tenha medo de dizer o que pensa.



Ontem, na minha curta hora de almoço e depois de ler diversos artigos e entrevistas escritos no rescaldo da Revolução de Abril e, portanto, ainda não enevenenados pelo "politicamente correcto", reflecti sobre o clima de medo em que se vive neste "normativíssimo" pequeno país que dá pelo nome de Portugal. Actualmente, poucos dizem e assumem aquilo que pensam. Só eu próprio sei a luta que entabulo, todos os dias, contra a minha pessoa e contra aquelas que me são próximas, para poder pensar e divulgar o que penso de forma livre.

Temos medo dos "processos por difamação", da perda de oportunidades de emprego, de criarmos conflito com alguém conhecido, enfim, temos medo, no fundo, de ser livres e isso faz-me lembrar aquela excelente análise de José Gil sobre o povo português. Tudo se resume, afinal, ao nosso "medo de existir".

Por coincidência, deparo-me, chegando a casa, com as declarações que Belmiro de Azevedo fez à revista "Visão" (que sairá hoje) em que se refere a Cavaco como um "ditador" e onde não poupa críticas ao governo socialista, à líder da oposição e, sobretudo e mais interessante, à nossa democracia.

Não sou propriamente um fã de Belmiro. Contudo, admiro o facto de ter criado um jornal de referência, o Público, e de ser um empreendedor no verdadeiro sentido da palavra, com faro para o negócio e visão de futuro. Fico, agora, a admirar mais uma coisa neste homem, que antes das negociatas de Américo Amorim no imobiliário e com a herdeira do estado angolano, Isabel dos Santos, era o homem mais rico de Portugal: a sua frontalidade. Belmiro de Azevedo fala sem medo de represálias, apoiado, sem dúvida, no poder do capital, mas ainda assim não creio que existissem muitos capazes de fazer tais críticas de uma forma tão aberta.

Acho que depois de mais de um ano, voltarei a comprar a revista Visão. Para aqueles que quiserem um "cheirinho" da entrevista, aqui ficam os links: i, Públio, Visão.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mais um OE salazarento...Outra vez o génio financeiro do tempo da "outra senhora".



Quase no final do prazo o Governo entregou o Orçamento do Estado para o ano de 2010. Afinal, ao contrário do que andava Teixeira dos Santos a dizer, o défice orçamental de 2009 situou-se nos 9,3% (!!!!). Prevê-se, através das medidas contempladas neste orçamento, uma redução de 1% para 2010.

Vários reputados economistas e, como se usa agora dizer, agências de rating já vieram dizer que, se Portugal mantiver este nível de endividamento das contas públicas se arrisca a ter de abandonar a zona do euro. Nem quero imaginar o que aconteceria se tivessemos, novamente, de controlar a nossa moeda. Com um Banco de Portugal que nem para fazer estudos credíveis serve, a cunhagem da moeda seria uma bandalheira tal que as inflações de mais de 30% tornar-se-iam, novamente, habituais.

Já desde os tempos da "outra senhora" que a estratégia dos génios portugueses das finanças tem sido sempre a mesma: cortar nas despesas sociais e aumentar os impostos sobre aqueles que estão mais à mão (os funcionários públicos).

Neste OE, o Ministro das Finanças (que se gaba alegremente de já ter resolvido o défice uma vez com a política do "cortar a eito") faz uma combinação das duas estratégicas: cortar nas despesas com os funcionários públicos. Depois dos aumentos (em montante bastante superior àqueles que foram garantidos no sector privado) nos salários da função pública no ano passado (por razões puramente eleitoralistas, como bem se sabe), o Governo tenta voltar atrás na asneira e "atacar" os mesmos de sempre.

Enfim, da concepção do génio financeiro de Salazar ando eu fartinho. Estes senhores que nos governam continuam a aplicar a mesma estratégia, sempre com os resultados de mais atraso para o país. Se Portugal for expulso do euro, eu só sei é que pego nos meus poucos tarecos e me mudo para um país menos "salazarento".

Para quem tiver "pachorra" aqui fica um vídeo "explicativo".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O pior é que Bin-Laden tem razão.



Considero a violência quase sempre ilegítima. Mesmo quando a luta é justa (descolonização, democratização, auto-determinação), vejo a morte de inocentes como profundamente injusta e injustificável. Assim sendo, todas as acções levadas a cabo pela Al-Qaeda que envolvam ataques contra civis que nada tiveram que ver com as situações políticas contra as quais luta a organização "terrorista" são ignóbeis.

Contudo, importa reter a justificação de Bin-Laden para o recente ataque perpetrado por um cidadão nigeriano na altura do Natal. Diz-nos o líder da mais conhecida organização "terrotista" mundial que “os Estados Unidos não vão poder sonhar em viver em segurança enquanto os nossos irmãos em Gaza viverem na pior das misérias”.

Tem, Bin-Laden imensa razão naquilo que diz. É que, efectivamente, o crescimento da ameaça terrorista não se dá porque, de repente, todos decidiram ouvir os apelos do Islão mais radical. Acontece porque há gerações que milhares de palestinianos vivem em campos de refugiados, porque desde há muito tempo milhões de árabes por todo o mundo são (ou foram) "esmagados" pelo "Ocidente" e pelas "potências globais".

É a pobreza, não a religião islâmica, que fornece a "carne para canhão" que possibilita o funcionamento destas associações criminosas. Cumpre, portanto, que pelo menos um décimo dos milhões gastos em armamento, sejam gastos na procura, efectiva, de soluções para a alienação política e pauperização em que vive grande parte dos seguidores de Maomé.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sistema político inédito, mas estranho...



José Eduardo dos Santos, detentor do poder em Angola desde a morte, em 1979, do histórico líder do MPLA, Agostinho Neto, fez aprovar uma nova Constituição Angolana que lhe permitirá permanecer vitaliciamente no cargo. Enfim, o severo ataque à democracia é evidente, mas não é sobre isso que gostaria aqui de me pronunciar.

Alguém que tenha algum interesse pelas questões ligadas à Ciência Política não pode negar que, nasce, assim, um sistema político, ao que sei, inédito a nível mundial. É que Dos Santos ao pretender que o Presidente da República passe a ser eleito pelo Parlamento poderia estar a fazer uma reforma no sentido da afirmação do parlamentarismo (ficando com um sistema idêntico ao que existe, por exemplo, em Itália).

Contudo, o parlamentarismo importa uma proeminência do primeiro-ministro e, Dos Santos, termina com essa figura, tornando o Presidente o único centro do poder executivo. Assim, surge um sistema polítco estranho em que a suposta predominância do Parlamento se apaga perante um presidencialismo altamente vincado. Ou seja, se o Parlamento ganha poder no sentido em que passa a eleger o Presidente, perde-o, quase totalmente, por outro lado, na medida em que, depois de eleito, o Presidente não depende da Assembleia para mais nada.

Uma situação completamente estranha, mas que não nos deve admirar. Muitas têm sido as tentativas de Dos Santos para lançar poeira para os cobiçosos olhos ocidentais e para os famintos olhos do povo angolano.

E lembrarmo-nos que Cristo era de esquerda...



A cardeal patriarca de Lisboa, depois da polémica dos foleiríssimos casamentos de S. António, escolheu o dia de S. Vicente (padroeiro da cidade de Lisboa) para arremessar mais algumas farpas contra o inevitável rumo da história no sentido da igualdade entre todos os seres humanos, atacando, furiosa e diabolicamente, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Curiosamente, mas já há muito tempo, reconheço, que a Igreja de tal se esqueceu, as concepções ocidentais sobre o direito de todos os seres humanos a auferirem da mesma igualdade, independentemente de que características (inatas ou não) possuíssem, radica nos ensinamentos de Cristo.

Foi, efectivamente, Jesus Cristo quem introduziu, via expansão do cristianismo, na Europa as ideias de que Deus a todos ama da mesma forma. Cristo, foi, assim, de certa forma, o primeiro revolucionário, no sentido que modernamente atribuímos à palavra. Ameaçou as estruturas de poder e, portanto, foi, obviamente, eliminado pelas mesmas. O "fundador" do cristianismo era, assim, um homem de esquerda (talvez o Pai da Esquerda!) no sentido em que promoveu, de forma inabalável, o progressismo social em prol da justiça e igualdade para aqueles que mais sofriam.

A viragem para a direita da Igreja cristã dá-se, inevitavelmente, quando se torna estrutura de poder. É, desta forma, que vamos observando um progressivo afastamento entre o povo e as elites religiosas, novo símbolo de poder, sobretudo, numa Europa aterrorizada no período da Idade Média.

Não nos devem, então, espantar as afirmações do cardeal patriarca, mesmo quando, rejeitando até a sua própria existência familiar, afirma que a família só pode ser constituída por duas pessoas de sexo diferente. Assim, nega-se a possibilidade de padres e outros servidores da Igreja constituirem família, dentro da comunidade religiosa em que vivem. Enfim, contradições de pessoas que, por não pensarem, submeteram a Ibéria a quase três séculos de Inquisição que, ainda hoje, marcam de forma impressiva a forma de pensar dos povos desta península.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Como se pode (efectivamente) ajudar o Haiti



"Amálgama" é como o enviado especial do Público descreve a aituação actual da cidade de Port au Prince. O que nos temos esquecido é que "amálgama" é uma palavra que caracteriza o Haiti desde sempre. Preocupamo-nos, imensamente, perante tamanha catástrofe em "ajudar" as vítimas haitianas, olvidando que é muitíssimo maior o número daqueles que sucumbiram perante a insuportável instabilidade política que reina no país desde sempre.

Raptos, morticínio, pilhagens, incêndios, luta brutal pela sobrevivência já marcavam a vida da população haitiana desde os tempos da independência.

Perguntamo-nos, hoje, como podemos ajudar o Haiti. Podemos ajudar este pequeno Estado através de responsbilidade e transparência na ajuda fornecida, desmonetarização da APD e, sobretudo, assumindo que, enquando "ocidentais" e "desenvolvidos" por vezes não somos os detentores da solução milagrosa para o "atraso".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pata na poça



O Estado português pediu mais tempo à Comissão Europeia para responder às questões postas pelo órgão comunitário no que respeita ao concurso (ou, ao que parece, à falta dele) para o fornecimento dos computadores "Magalhães".

Na altura em que surgiu a desconfiança de que não teriam sido respeitadas as regras comunitárias de concorrência, "o secretário de Estado das Obras Públicas e Comunicações, Paulo Campos, negou a existência de um processo de contratação directa dos computadores Magalhães à JP Sá Couto, salientando que houve um total de nove marcas (duas das quais portuguesas) a fornecer os computadores".

Se existiu, realmente, o tal procedimento concursal porquê a demora em enviar essa tão simples resposta? Parece que, mais uma vez, o engenheiro (ou lá que título arranjou o senhor na prestigiada Universidade Independente) meteu a pata numa descomunal poça!

Um caso de persistência




Um rapaz de 15 anos, durante 4 anos, pintou, no programa "Paint", um "quadro" com dimensões de 2,3m por 2,5m. Está um desenho fabuloso, efectivamente. E gabo-lhe a persistência.

Vejam o vídeo aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Louçã e Alegre "entalam" Sócrates



Na sequência da assunção da candidatura por parte de Manuel Alegre, Francisco Assis já se veio pronunciar dizendo que "regista a disponibilidade" do candidato, mas que é cedo para o PS se pronunciar sobre as presidenciais de 2011. Contudo, do cedo se fez tarde e Vitalino Canas (numa declaração "pessoal", que tem tudo de oficioso dada a proximidade que tem com Sócrates) já veio dizer que a candidatura de Alegre irá dividir o partido e que nomes como Ferro Rodrigues ou António Guterres seriam muito mais consensuais e poderiam recolher votos ao centro e à esquerda (notícia aqui).

aqui defendemos que a Sócrates nada interessa ter um candidato forte que possa conquistar a Presidência da República para a esquerda. Para o líder socialista Cavaco é, de facto, o melhor candidato. Todavia Sócrates ´não terá outra hipótese, penso, que não seja apoiar Alegre.

De Ferro Rodrigues já ninguém se lembra e António Guterres permanece na memória colectiva (apesar da amnésia que nestas questões marca o perfil do nosso povo. Basta pensarmos na eleição de Cavaco) como aquele que fez o país transitar de um período de crescimento para um de vacas magras. Assim, se José Sócrates não quiser que o seu candidato fique atrás do do BE (Louçã já veio dizer que apoiará a candidatura de Alegre: aqui e aqui), terá, realmente, de apoiar o candidato-poeta.

sábado, 16 de janeiro de 2010

E agora Sócrates?



A anunciada candidatura de Manuel Alegre as presidenciais de 2011 é uma boa notícia para todos aqueles que são de esquerda. Em Alegre admiro mais o poeta do que o político. Acho-o presunçoso e a forma como "patinou" em Outubro de 2008 nas questões do casamento e adopção "homossexuais" não ajudaram a que a minha imagem política do histórico socialista saísse muito melhorada.

Parece-me, contudo, que é, no momento actual, a única pessoa capaz de congregar as forças à esquerda e ganhar as presidenciais ao ultra-conservador Cavaco Silva. O BE irá, com toda a certeza, anunciar o seu apoio a Alegre e o PCP seguirá o exemplo, porque ñinguém quer apresentar um candidato para ficar com um número miserável de votos. Para quem a situação fica, efectivamente, muito complicada é para o Eng. José Sócrates.

Como bem se sabe, a vitória de Cavaco Silva nas últimas eleições presidenciais foi muito do agrado do Governo PS. (Ninguém me tira da cabeça, aliás, que Sócrates encetou uma estratégia deliberada para fazer perder qualquer candidato da esquerda). Todavia, ágora Sócrates não terá qualquer hipótese senão indicar o poeta como candidato do partido. É que depois do desaire de Soares, dúvido que o líder do PS encontre alguém no seu partido disponível para repetir tão triste figura.

Vídeo: TVI24. Actualização: ionline.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Até quando?



O Ministro Teixeira dos Santos ameaçou incluir no OE para 2010 um aumento de impostos se as propostas da oposição que prevêem um aumento da despesa forem aprovadas. Este Governo, que toda a populaça considera muito de esquerda porque aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, prepara-se para uma nova e definitiva viragem à direita com a preparação do Orçamento em conjunto com PSD e CDS, não tendo aberto, de forma franca, a via negocial ao BE e PCP.

Enfim, parece que, afinal, a única coisa que o Governo Sócrates tinha sido capaz de fazer no mandato anterior caiu por terra e o défice português está, novamente, nos níveis que fazem a Euro-lândia tremer pela estabilidade da moeda única. É o que dá utilizar medidas neo-salazarentas para resolver os problemas financeiros. Cortar na despesa (de forma errática e com total falta de critério) e aumentar os impostos (sobretudo sobre o "elo mais fraco" e quem estava mais à mão: os funcionários públicos). A criação de riqueza nunca foi, nem será, pelo que já se adivinha, prioridade do Governo.

Assim, o défice das contas públicas manter-se-á endémico no nosso país. E agora que já não há nada para vender (Manuela Ferreira Leite encarregou-se das últimas vendas na sua altura) não se imagina como poderá Sócrates resolver o problema. Mas com a falta de alternativas que o PSD apresenta (e que continuará a apresentar por uns bons anos) quem sofre é a mesma populaça que apoia Sócrates (desemprego, cortes na saúde e educação, baixos salários...). Até quando?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cortar a ajuda? (ou Como fica a nossa responsabilidade "humana"?)



Na sequência daquilo que vimos aqui escrevendo, pus-me a pensar que só nos lembramos destes catastróficos países quando violentos cataclismos naturais ou socias os assolam.

O Haiti é mais um dos países esquecidos que o nosso globo carrega. Preocupamo-nos agora com o sofrimento causado pelo terramoto à população haitiana, mas será que, antes disto, alguma vez tínhamos pensado no pequeno país caribenho? Sabíamos, sequer, onde fica? Que desde sempre aquele povo sofre com a submersão em crises políticas sucessivas?

Mas, afinal, que responsabilidade é a nossa por aquilo que se passa nos outros países? De que forma podemos "ajudar" as populações de países que vivem soba cruz das crises humanitárias? Muitos e reputados académicos (dos quais Dambisa Moyo é a mais recente representante) referem que se deve cortar a ajuda, já que esta só leva à coacção do desenvolvimento e promoção de regimes cleptocráticos.

E a nossa responsabilidade, enquanto seres humanos, de ajudarmos outro ser humano quando a necessidade é extrema? Como podemos rejeitar salvar uma vida em busca de um bem maior?

Notícia: Público.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Haiti, país "amaldiçoado"



O recente terramoto que devastou o lado ocidental da ilha de Hispaniola faz-me pensar que há países que nasceram, efectivamente, amaldiçoados. O Haiti, país com cerca de 8 milhões de habitantes, vive, desde a independência da França (em 1804) em crise permanente.

Nunca conheceu um perído, realmente, democrático e os golpes de estado e assassinatos de líderes políticos sucedem-se a um ritmo que supera o de qualquer país africano (narco-estado da Guiné-Bissau incluído).

O Haiti é, para além de tudo isto e por causa disto mesmo, o país mais pobre das Américas, com níveis de pobreza humana semelhantes àqueles que julgávamos poderem ser apenas encontrados em países africanos ou em Timor-Leste.

Como se todo o sofrimento que este povo ja carregava não fosse suficente, este país caribenho foi fortemente atingido, no dia de ontem, por um terramoto de proporções inigualáveis na história da região. O primeiro-ministro já afirmou que o número de mortos pode superar o mei milhão.

Perante isto, o meu pensamento não se desvia muito daquele com que abri este post. O Haiti parece ter sido desenhado para o sofrimento. Desde cataclismos naturais a instabilidade política de grau máximo tudo parece acontecer àquele pequeno país que podia ser uma paraíso natural. Faz-nos sentir um contentamento e satisfação (que nos são pouco naturais) por vivermos em Portugal, não é?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Acabou a "alfabetização" de Marcelo?



Foi, ontem, anunciado o fim do espaço de comentário político de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP1. A desculpa dada foi a de que o programa teria de terminar visto que o de António Vitorino também iria chegar ao fim, sendo necessário cumprir a "representação plural do campo político-partidário". Ninguém acredita, obviamente, que esta foi a razão que determinou o fim d'"As Escolhas de Marcelo". Como afirmou o Professor, bastaria que substituíssem António Vitorino por outro qualquer socialista para que o comentador social-democrata mantivesse o seu espaço.

Marcelo prefere manter-se na RTP1. Sabe que a sua presença na televisão pública lhe garante audiência e credibilidade (é esta última vertente que faz com que não saia a correr para a TVI). A RTP1 «está a "pensar num modelo novo" de comentário que seja "plural ao nível do pensamento político"» e não excluem a inclusão do ex-líder do PSD no mesmo.

Com certeza não consideram que Marcelo irá aceitar partilhar o seu momento de nos "instruir" no que toca à realidade nacional com outra(s) cabeça(s) pensante(s)...

Ao menos que se prepare a brincadeira.



As estátuas que ladeiam a Igreja da Santissima Trindade, em Fátima, bem como a própria Igreja foram vandalizadas com inscrições que diziam: "Islão", "Lua", "Sol", "Muçulmano" e "Mesquita".

É claríssimo que as criaturas que escreveram tais coisas não professam a religião islâmica, mas, em acto de estúpida brincadeira, quiseram dar a entender que eram seguidores da doutrina de Maomé.

Tão grande foi a estupidez dos engraçadinhos que nem se lembraram, sequer, de pesquisar alguma coisa sobre a religião islâmica. Em primeiro lugar, que têm "Sol" e "Lua" que ver com o Islão? A única conexão é, neste ponto, com o crescente e não com "toda a lua". E depois, os seguidores do Islão, escreveriam, quanto muito, coisas como "Deus é grande" e "Maomé o seu profeta" e não os disparates que apareceram escritos.

Enfim, se é para pregar uma partida, para fazer uma brincadeira, ou menos que se prepara a coisa que é para não se fazer figura de "urso"...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Que raio de críticos!

Nos melhores filmes da década, os críticos do Público incluem filmes como Miami Vice, Monstros e Ocean's Eleven. Não figuram, contudo, em nenhuma das listas elaboradas, filmes como Colisão, Mar Adentro, Hotel Ruanda, A Queda ou O Pianista.

Só consigo dizer, que raio de críticos de cinema....

Viva a República!



Uma qualquer criatura, com toda a certeza um barão, conde, ou com um qualquer desses títulos que o sangue azul proporciona (ou então só um mero plebeu, com a mania das cortes, das grandes caçadas e do fausto real) daquela espécie de ficção política que dá pelo nome de Partido Popular Monárquico veio afirmar que o partido pretende que se proceda a uma alteração da Constituição para que se possa referendar a monarquia.

Enfim, que há muito mentecapto em Portugal com a mania do referendo já o sabíamos desde que aquela espécie de movimento anti-democrático "Plataforma Cidadania e Casamento" andou por esse país fora em tudo quanto eram igrejas e estádios de futebol, recolhendo a fiel e moralista assinatura das beatas e dos amantes do coirato, do Capitão Moura e do Bispo de Viseu. Agora, que alguém era suficientemente idiota para considerar que uma maioria da população portuguesa defende essa fanfarronada displicente que é a monarquia, estav longe de imaginar.

Como é que alguém pode afirmar que a República Portuguesa dos dias de hoje resulta da vontade uma minoria? Como pode este senhor Beninger pensar que a maioria de nós quer um fantoche como representante máximo da Nação? A democracia exige que os nosso representantes sejam eleitos, impõe que quem detenha poder efectivo tenha passado pelo escrutínio do povo. Assim, um rei só pode, num regime democrático, ser um acessório constitucional sem qualquer relevância, um adereço feio e sem graça (no caso do nosso Duarte Pio) num sistema onde não conta para absolutamente nada.

Aquilo que, todavia, mais me enfureceu nas declarações do líder dos monárquicos foi a comparação que fez do nosso regime pós-25 de Abril com as ditaduras impostas por Ceauscescu e Nino Vieira. Não merece, este senhor, viver num país que lhe permita dizer tamanhos disparates. É esta mesma República Democrática que Beninger abomina que lhe concede a liberdade de afirmar aquilo que deseja, mesmo que seja a coisa mais absurda do mundo.

Notícia: TVI24, Público.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O revés de José Eduardo



Angola queria fazer do CAN 2010 o seu momento de afirmação como potência regional. Com o dinheiro do petróleo a jorrar incessantemente e com a derrota definitiva da UNITA (primeiro militarmente com a morte de Jonas Savimbi e, em 2008, politicamente, nas legislativas), José Eduardo dos Santos queria mostrar ao mundo que lidera um país rico, avançado e tão pacificado que até pode organizar jogos oficiais na problemática zona de Cabinda (para além do movimenso secessionista fica "encravada" entre dois dos mais problemáticos países do continente africano: a República Democrática do Congo e a República do Congo).

O tiro saiu, contudo, pela culatra aos governantes angolanos. A FLEC (movimento independentista do enclave de cabinda) organizou (e levou a cabo com sucesso) um atentado contra o autocarro em que se deslocava a selecção do Togo (v. Público).

É um sério revés para a política externa angolana. Em vez de demonstrar que é um Estado forte, bem estruturado e que aniquilou todas as reinvindicações secessionistas, Angola demonstra que é fraca, internamente débil e que ainda está longe de ter resolvido os problemas de insegurança de que padece o país. Assim, e apesar das riquezas naturais, este país africano falha no essencial e deixará, certamente, que uma toda-poderosa África do Sul apague as aspirações angolanas à ascensão ao estauto de potência da zona.

Pragmatismo "socrático".



Ontem a República Portuguesa desferiu um ataque importante à discriminação e à homofobia através da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, sobretudo por causa do chumbo dos projectos (mais justos) do BE e PEV notou-se algum desconforto e uma certa revolta contra o primeiro-ministro José Sócrates, por ter impedido a sua bancada de votar favoravelmente os projectos que concediam, também, o direito à adopção a casais de gays e lésbicas.

Sócrates não é, como bem sabemos, nenhum arauto da igualdade. É um pragmático e toda a questão do alargamento do casamento à comunidade LGB foi feita como paliativo para atenuar a viragem à direita do PS. Foi, também, por esta razão que Miguel Vale de Almeida foi "chamado" para integrar a lista de deputados socialistas. Vale de Almeida não está lá por ser um académico brilhante ou pela competência política que apresenta (que é muito maior, sabemos, que a da esmagadora maioria dos outros deputados da sua bancada). O mais mediático activista pelos direitos da comunidade LGBT está no Parlamento por uma única razão: o facto de ser gay.

Miguel vale de Almeida cumpre uma quota e aceitou essa estatuto em prol da defesa dos direitos das minorias sexuais. Se fez bem ou não é difícil avaliar, mas acredito que terá sido de forma bem intencionada que tomou essa decisão. Resta, agora, esperar que, de acordo com aquilo que sempre defendeu, vá pressionando o PS para que, o mais cedo possível, termine com a discriminação quanto à adopção.

A inconstitucionalidade da proposta que ontem foi aprovada é inquestionável. Tenho a impressão que, de uma forma ou de outra (grupo de deputados ou através de Cavaco Silva) a lei irá parar, preventivamente, ao TC. Tenho, todavia, a firme certeza de que nenhum juiz do TC considerará que a lei padece de inconstitucionalidade. A política sobrepõe-se às lógicas do Direito.

Já merecia um pouco de paz...



Andava eu tão preocupado com Maria de Lurdes Rodrigues e, afinal, a Sra. já arranjou um "tachinho" tão jeitoso. Foi nomeada presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Já merecia um pouco de paz, sejamos justos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Eu quero ser professor! (ou Não esquecemos Maria de Lurdes Rodrigues)



Foi uma sorridente ministra da Educação que, hoje de madrugada, nos anunciou que tinha chegado a acordo com a maioria dos sindicatos representantes do corpo docente português. Não vejo razão para tantos sorrisos. Ficou garantido que os professores que obtenham a classificação (mínima) de Bom poderão ascender ao topo da carreira.

Na medida em que 99,5% dos professores receberam, este ano lectivo que passou, a classificação de Bom ou nota superior, não encontro nenhuma diferença entre o acordo alcançado e a "antiga" progressão automática na carreira.

Enfim, ninguém tinha dúvidas de que Isabel Alçada vinha fazer o papel do "polícia bom", mas era preciso malbaratar toda a luta (em parte justa e preocupada com a aprendizagem dos alunos) de Maria de Lurdes Rodrigue?

Os sorrisos da nova ministra apagam a luta da velha, mas quem se preocupa com o estado da Educação neste país não se esquece do contributo de Maria de Lurdes Rodrigues.

Apesar de tudo...



Foi hoje aprovado na AR a proposta de lei do Governo no sentido do alargamento do casamento a casais de pessoas do mesmo sexo (i, Público, TVI24). É, apesar de tudo, um dia histórico, na medida em que Portugal passa a fazer parte do restrito número de países que permitem que um casal gay aceda ao instituto do casamento.

Digo apesar de tudo porque não se conseguiu a aprovação dos projectos de lei do BE e dos "Verdes", esses sim verdadeiramente comprometidos com a igualdade, já que não criam um casamento de segunda. Eram mais inclusivos, já que incluíam, também, a adopção. A proposta hoje aprovada tem essa falha e resta saber se passará no crivo do TC (imaginado que Cavaco, como penso que deve estar a considerar fazer, requerer a fiscalização preventiva da constitucionalidade). Inclui, também, uma outra distorção (positiva, desta vez). Irá permitir que um casal de lésbicas recorra à procriação medicamente assistida(PMA). Esperemos que esta "falha" assim se mantenha e que não venha a ser alterado o diploma que regula a PMA.

Esperemos que a aprovação desta proposta faça, como prevêm alguns sociólogos, que a "homofobia passe a ser uma atitude escondida e oculta". Espero que se dê o que aconteceu com o racismo e insultos como "paneleiro de m****" e outros que tais comecem a ser vistos como ofensivos e envergonhem quem os profere. Tendo visto, recentemente, o documentário "Campillo sí, quiero", acredito que assim acontecerá.

Apesar de tudo, então, é um dia em que nós, portugueses, nos podemos orgulhar de poder viver num país que se tornou mais inclusivo e menos discriminatório. Cumpre, agora, que as associações LGBT's que deram a sua aprovação a esta proposta do PS encetem, desde já, uma luta frontal e franca em prol da legalização da adopção.

A arte da comunicação




“O segredo da arte de nos exprimirmos está em dizer a mesma coisa três vezes: dizemos que a vamos dizer; dizemo-la; e dizemos que a dissemos”

Jean Guitton
(Filósofo e escritor francês,
1901-1999)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

BE: oportunismo ou luta pela igualdade?



Sócrates impõe disciplina de voto à bancada socialista para impedir a aprovação dos projectos de lei do BE e do PEV que viabilizariam a adopção por casais de pessoas do mesmo sexo. O deputado gay (Miguel Vale de Almeida) e mais um punhado de outros socialistas já requereram a excepção da liberdade de voto. A questão será decidida, caso a caso, pelo líder da bancada parlamentar, Francisco Assis.

Já aqui defendi que a disciplina de voto, em questõs amplamente discutidas na campanha eleitoral, é a forma mais democrática de processar as decisões políticas, já que permite um maior controlo por parte dos cidadãos. Efectivamente, embora sempre de forma um pouco ambígua, o PS não se posicionou a favor da adopção por casais gay. Contudo, também nunca disse estar contra. Durante a campanha eleitoral, apenas foi afirmando que o projecto que apresentaria iria incluir, somente, o casamento. É, apesar de tudo, coerente a decisão de Sócrates.

Constrói, todavia, um casamento de segunda categoria, na medida em que exclui os casais homossexuais do direito à adopção. Cria uma lei que é, nas palavras de Francisco Louçã, "um problema, uma confusão e diminuidora das pessoas". O BE quer um casamento exactamente nos mesmos termos daquele que é válido para casais de pessoas de sexo diferente. Igualdade, sem mais.

O PS precisa do voto do BE para a aprovação da sua proposta de alargamento do casamento. O líder do BE diz que a orientação do voto da bancada bloquista será decidida no dia de hoje, admitindo o voto contra.

Muitos, mesmo dentro da comunidade LGBT, adjectivam o BE e o seu líder de oportunistas e de estarem a utilizar os direitos das pessoas como arma de arremesso contra o PS. Nunca se questionaram se que os bloquistas podem estar (ao contrário de outros...), efectivamente, comprometidos com a igualdade plena?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Portugal: o país com os melhores professores do mundo ou crónicas de uma mentira (Parte I)



Isabel Alçada, ministra da Educação, revelou, hoje, que 83% dos professores recebeu a classificação de Bom no passado ano lectivo (Público, TVI24), sendo que apenas 0,5% foram classificados com Regular ou Insuficiente.

Significa isto que apenas meio por cento (!!!) dos professores obteve uma classificação mediana ou insatisfatória. Aqui, das duas uma: ou temos nos professores a classe de excelência do sistema português, para onde se dirigem os melhores profissionais, aqueles que não falham e que nunca são, sequer, medianos; cumprem os objectivos, mas cumprem-nos bem, sempre; trabalham com afinco, são briosos e nunca vulgares ou então algo de muito grave se passa na avaliação dos docentes.

Acho que é mais provável ser a segunda hipótese aquela que recolhe maiores probabilidades de ser válida. Assim sendo, nem imagino o que aconteceria se não existisse uma quota para os Muitos Bons ou Excelentes. Provavelmente teríamos 0% de Insuficientes e Regulares e 0,5% de Bons.

Não seria a disciplina de voto mais democrática?



PSD dará liberdade de voto aos seus deputados na votação dos projectos respeitantes ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. O maior partido da oposição desafiou o PS a fazer o mesmo quanto às propostas dos restantes partidos.

Tradicionalmente, em questões "morais" ou de "consciência" (e resta saber até que ponto esta questão o é), os sociais-democratas não impõem disciplina de voto à bancada. Neste ponto até penso que é correcto e fico contento por pelo menos alguns deputados do PSD se poderem colocar, inequivocamente, do lado da igualdade.

O que é facto é que, todavia, durante a campanha eleitoral, o PSD se posicionou contra o alargamento do casamento a casais gay. Assim sendo, tendo em conta o compromisso eleitoral com os seus votantes, não deveria Manuela Ferreira Leite impor o voto contra à sua bancada parlamentar?

Na partidocracia plena em que se encontra submerso o nosso sistema político, os compromissos dos partidos em relação aos seus eleitores devem ser escrupulosamente cumpridos, já que é a única forma de controlo democrático no processo decisório. Mesmo que isso signifique a coerção da liberdade individual dos deputados.


Mais notícias: TVI 24 I e II, i

Quanto tempo até ao retorno dos neo-cons?



Obama voltou a prometer o encerramento da prisão de Guantánamo (i, Público). Pensávamos que depois de quase um ano de mandato cumprido, uma das principais bandeiras da campanha de Obama estaria cumprida. Não está e não se prevê data para que se veja cumprida. Enfim, de promessas tem sido feito este primeiro ano de governo de Barack Obama e isso até já lhe valeu o Nobel.

Contudo, o que é facto é que, tirando o discurso, nada mudou em relação àquilo que se passava na Administração Bush. Não se soube criar uma nova orientação para a política externa norte-americana e Hilary Clinton mais não tem feito do que andar feita barata tonta, oscilando entre o pântano que continuam a ser o Afeganistão e o Iraque e as fracas ameaças que tem feito em relação ao alegado programa de armamento nuclear iraniano.

Perante isto, a oposição dos neo-conservadores (os criadores da "guerra ao terrorismo") volta a sentir-se em força. Confrontados com a falta de alternativa de Obama, quanto tempo mais aguentarão os americanos antes de clamarem por um outro salvador radical e defensor da "guerra preventiva"?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Podiam ter sido úteis...



Coisas úteis que as pessoas que promoveram a "Plataforma Cidadania e Casamento" e andaram a recolher assinaturas por uma causa que sabiam, à partida, perdida podiam ter andado a fazer:

- Voluntariado no IPO (precisam imenso de pessoas para fazer acompanhamento de doentes e para distraírem as crianças daquela realidade);

- Trabalhar nas equipas de rua que vão levar comida e alguns cuidados médicos aos sem-abrigo;

- Ir para bairros degradados arranjar os parques infantis;

- Recolher livros e material escolar e enviá-los para África;

- Recolher assinaturas para petições da Amnistia Internacional sobre crianças que estão no corredor da morte ou mulheres apedrejadas no Irão ou na Arábia-Saudita.

Enfim, há tanta coisa que podemos fazer quando não estamos cegos pelo ódio e preocupados em inflingir aos outros os nossos preconceitos morais.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A igualdade é, também, simbólica.



No mesmo dia em que são votadas na AR a proposta e os projectos de lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o PSD vai apresentar uma proposta de uma União Civil registada para os casais homossexuais. Esta porposta inclui todos os direitos que a proposta de casamento a ser apresentada pelo PS, na medida em que exclui, igualmente, a adopção.

Não percebem os senhores daquela tremenda confusão a que nos habituámos a chamar PSD que a igualdade não se faz só de direitos, mas também de símbolos. Nesta questão do casamento, a vertente simbólica é, de longe, mais importante do que a vertente ca concessão de direitos iguais. O casamento é, ainda, na nossa sociedade a forma mais solene de dar solidez a uma relação. É isto que se pretende. Que as uniões homossexuais sejam vistas como tão válidas e, sobretudo, tão importantes socialmente como as relações heterossexuais.

Apenas num ponto a argumentação social-democrata me parece correcta: a proposta de casamento a ser apresentada pelo PS vai criar, efectivamente, um casamento de segunda (para gays, sem a adopção) e manter o de primeira categoria (para heterossexuais). Mas, apesar de tudo, o símbolo, mesmo danificado, está presente na proposta socialista.

(v tb Público, TVI24)

Terrorismo: por que não se combatem as causas?



Todos os passageiros (aéreos) provenientes de 14 países serão revistados quando pretendam viajar para os EUA. Nem vou contestar a medida. Parece-me um pouco exagerada. Contudo, cada país trata das questões da sua segurança da forma como bem entende (e com a qual os seus cidadãos concordem, bem entendido).

Agora, é sabido que não é com mais limitações à liberdade das pessoas que se combate o terrorismo. Os terroristas arranjarão, sempre, maneiras de atacar cidadãos americanos, seja em aviões com destino aos EUA, seja em países estrangeiros, nomeadamente nos países incluídos na "lista negra" divulgada pela entidade reguladora das comunicações aéreas americanas.

O terrorismo tem de ser combatido nas suas causas, a prevenção das consequências será sempre insuficiente. Uma pessoa disposta a morrer por uma causa encontrará sempre formas de ultrapassar quaisquer barreiras. O importante, parece-me, é perceber por que é que, por exemplo, um filho de um riquíssimo banqueiro nigeriano entrega a sua vida para matar uma série de pessoas inocentes.

Os EUA não se importam de gastar biliões de dólares em "guerras preventivas" e gigantescas medidas de segurança, mas e se destinassem, digamos, 10% dessas verbas à compreensão do fenómeno do terrorismo e ao combate das suas causas (pobreza, alienação face ao "modelo ocidental", choque cultural, etc.)? Não poderia mudar alguma coisa?

Os "amigalhaços" sauditas



Perante notícias como a de que a Al-Qaeda estaria a preparar uma ataque terrorista contra embaixadas estrangeiras no Iémen, não compreendo como podem os EUA continuar a confiar e a dar todo o apoio político ao reino saudita.

Será que ainda não se aperceberam que os actuais ninhos de terroristas (como a Somália e o Iémen) são países fronteiriços da Arábia-Saudita. Sabe-se, perfeitamente, que a casa de Al Saud jogou sempre em dois tabuleiros: a amizade com os EUA e o apoio, mesmo financeiro e, quem sabe, bélico, a grupos terrosistas.

Mas, enfim, os interesses energéticos jogam sempre mais alto, e enquanto a brutal ditadura saudita for o principal exportador mundial de petróleo e possuir as maiores reservas do mineral, será sempre um país a manter debaixo da asa amiga da América, ignorando as violações de direitos humanos e a contribuição para a instabilidade da região.

A fuga de Peniche: 50 anos



Fez ontem (dia 3 de Janeiro) 50 anos que vários militantes do PCP, entre eles Álvaro Cunhal, fugiram da prisão de Peniche. Apesar de ter as maiores divergências ideológicas em relação a Cunhal, não posso deixar de lembrar que foi um grande lutador contra o fascismo.

Durante anos, a única oposição política organizada foi levada a cabo pelo PCP. Muitos militantes do PCP, sobretudo os que advinham do proletariado industrial e os assalariados rurais, foram brutalmente torturados pela PIDE e pelas polícias que controlavam as cadeias.

Foram estes homens, que nunca desistiram, que permitiram que, hoje, possamos viver em liberdade. A fuga do forte de Peniche foi uma grande machadada no regime do Estado Novo que nos anos de 1960-1961 viveu um dos seus períodos mais negros.

Recordemos, com orgulho, os homens que, como Cunhal, sofreram a mais bárbara violência física e psicológica para que hoje possamos viver em democracia.

(Aqui fica o alerta de Jerónimo de Sousa para o "branqueamento do fascismo")

domingo, 3 de janeiro de 2010

E ainda nos falam dos benefícios da produção nacional?



Descobriu-se mais uma ilegalidade a juntar às muitas já cometidas pelo empresário Manuel Godinho. Parece que, afinal, também andava, alegremente, a roubar areia de terrenos alheios, enchendo, depois, os buracos com entulho.

Enfim...e depois disto ainda temos de ouvir o Cavaco a falar da promoção da produção nacional? Só me apetece dizer: venham os chineses!

sábado, 2 de janeiro de 2010

"A Plataforma Cidadania contra a Democracia"



Eu até já ando um bocadinho saturado deste tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo, até porque não sou um grande entusiasta da proposta que o PS pretende aprovar. Contudo, quando ouço disparates hiperbólicos sobre a questão, não deixo de me indignar.

Que aquela gente da "Plataforma Cidadania e Casamento" vive noutro planeta já todos sabemos desde o dia em que escolheram Isilda Pegado (a conhecida activista anti-preservativo e autora da frase: "não está provado que o preservativo impeça a contaminação pelo HIV) como uma das principais porta-vozes e responsáveis.

Parece, no entanto, que querem continuar a afirmar essa identidade "extra-terrestre": depois de os partidos da esquerda (maioritários na AR) terem afirmado que vão chumbar a proposta de referendo, os cidadãos que contituíram este movimento continuam, afanosamente, a contar assinaturas.

Das duas uma: ou não têm mais nada que fazer (o desemprego deixou muita gente desocupada este ano, realmente...) ou no afã da recolha e contagem das rubricas nem tiveram tempo para acederem aos meios de comunicação social. Lembremo-nos que são estas as mesmas criaturas que depois vêm dizer que o país tem mais com que se preocupar numa situação de crise economica e social sem precendentes. A coerência não é, com certeza, o forte da "Plataforma".

Não é, todavia, esta a situação que mais me preocupa. Aquilo com que fico, sinceramente, consternado é com a noção de democracia que têm estas pessoas. Dizem que a questão não foi suficientemente discutida, quando foi falada em tudo quanto foram debates e nos comícios dos partidos com assento na AR. Esta questão estava, com destaque, nos programas do BE, PS e PCP (que garantem a maioria para a aprovação do casamento gay).

Isilda Pegado chega mesmo a afirmar que "não é democrático que seja apenas a Assembleia da República a pronunciar-se sobre o assunto". Não compreende esta senhora (que até já foi deputada) que a AR é eleita e representa todos os portugueses e que, portanto, o alargamento do casamento a casais do mesmo sexo é uma coisa com que a maioria dos portugueses concorda?

Enfim, quando se sabe que a derrota está iminente, todos os argumentos parecem ser válidos.

A catastrófica herança do "Querido Líder".



Luís Filipe Menezes afirmou que, na situação actual, ninguém confia no PSD. Diz o ex-líder dos sociais-democratas que isso de deve ao facto de o principal partido da oposição não apresentar um modelo alternativo de governação.

Logicamente que perante a confusão em que se encontra submerso o reino laranja, muito dificilmente poderiam apresentar propostas alternativas credíveis. Já desde que Cavaco Silva abandonou a liderança do PSD, mas sobretudo a partir do momento em Marcelo se demitiu da presidência do partido, que o PSD não tem servido para mais do que campo de batalha entre líderes, ex-líderes, candidatos à liderança e toda uma espécie de cangalhada que pretende usar o partido como catapulta para concretização de ambições pessoais.

O PSD vive, desde que o agora PR se afastou da liderança do partido, entre a exaltação dos tempos em que o PSD era, de facto, uma "laranja mecânica" que esmagava o PS, em que Cavaco tudo ganhava, em que o país (supostamente pela liderança do génio financeiro do então primeiro-ministro) evoluía com tranquilidade social e a necessidade do afastamento do cavaquismo, do surgimento de novas caras (de que Passos Coelho, o pequeno Sócrates social-democrata, é o mais sublime representante).

Penso que até ao afastamento político definitivo de Cavaco Silva, o PSD vai viver sempre no limiar da calamidade. A morte prematura de Sá Carneiro e a forma como Cavaco sempre se posicionou como seu herdeiro, fazem do actual PR o "Querido Líder" com o qual todos os outros serão comparados e nunca estarão à altura. Assim, nem o "todo-poderoso" Marcelo Rebelo de Sousa pode assumir, de forma segura e firme, o comando do PSD, enquanto Cavaco pairar como uma sombra que lembra os bons tempos sobre as cabeças dos militantes do PSD e dos habitantes deste país.

(v. tb: i, TVI24)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Bom Ano Novo!



Em 2009, Nemat Safavi, Mehdi P e Moshen G, três cidadãos iranianos foram sentenciados ao sofrimento da pena capital. Por cometerem o crime de homicídio, por serem violadores inveterados? Não, porque cometeram o crime da "homossexualidade". Porque, enquanto adolescentes, ousaram estar, sexualmente, com uma pessoa do mesmo sexo.

Em vários países do mundo , centenas de gays e lésbicas foram mortos em suas casas, na rua, em bares, apenas por terem uma orientação sexual minoritária. Em 2009, morreram cerca de 150 cidadãos LGBT's brasileiros, vítimas de ataques motivados por discriminação racial.


Os americanos brancos vivem, em média, 7 anos mais que os afro-americanos. Esta realidade deve-se, segundo algusn académicos, ao racismo que causa stress, doenças psíquicas e maus-tratos físicos.

Em inúmeros países do globo, a discriminação religiosa é protegida pelo Estado, levando a que milhões de pessoas não possam expressar a sua fé, provocando milhares de mortes e exílios.

É justo? Possamos, em 2010, pensar nas diferenças do "outro" de uma forma positiva. Façamos do ano de 2010, um ano de cruzada contra o preconceito e a discriminação que corroem a nossa essência enquanto seres humanos.

Bom Ano de 2010.

Preocupações económicas e atraso social. Nenhuma novidade na mensagem de Ano Novo.



A mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva não foi, genericamente, má. Claro que abordou temas que têm sido recorrentes nas suas comunicações: endividamento externo, défice orçamental, promoção da produção nacional, defesa das pequenas e médias empresas. É um homem que ficou conhecido por ser (supostamente) um "génio financeiro" (um novo pequeno Salazar democrático) e não quer perder esse status.

Referiu, e esteve bem nesse ponto, a questão do flagrante aumento do desemprego (para a qual o Governo não apresenta qualquer tipo de solução). A situação negra da nossa economia poderá levar a "uma situação explosiva" (pensando, certamente, naquilo que acontece na Grécia).

Fez um importante apelo ao diálogo entre os partidos, para que se formem entendimentos que permitam a resolução dos problemas das pessoas. Com um primeiro-ministro como J. Sócrates (que não ouve ninguém, que entende que só com maiorias absolutas é que é possível governar e que não dialoga) será extremamente difícil que se possam chegar a acordos.

Apenas uma questão manchou um discurso que estava a correr bem. Numa clara referência ao mais que garantido alargamento da igualdade no acesso ao casamento aos casais homossexuais, o Presidente da República, afirmou ser imperativo "recuperar o valor da família".

O que quis dizer com isto, não explicou. Mas todos entenderam: Cavaco posiciona-se contra a igualdade e progressismo social. Nada de novo, portanto.

(Notícias: Público, i, TVI24)