segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Um novo Irão?



No funeral do ayatollah Ali Montazeri, líder espiritual da oposição ao regime iraniano, foram gritados, novamente, slogans anti-regime. Desde a última, e ultra-fraudulenta, eleição presidencial no Irão que o povo se tem vindo a manifestar e mesmo as comemorações organizadas pelo regime dão o mote para a contestação.

Perante tal cenário, muito dificilmente se pode acreditar na sobrevivência do regime iraniano a longo prazo. Tenho a firme certeza de que o regime não sobreviverá à morte do actual Líder Supremo, Ali Khamenei. O regime não tem, neste momento, nenhuma figura com ampla aceitação popular (e mesmo dentro das elites espirituais iranianas) que possa, sem sobressaltos, substituir Khamenei. Contudo, Khamenei tem apenas 70 anos e, que se saiba, não padece de nenhum problema de saúde grave. Assim sendo, é natural que possa ocupar o cargo por, pelo menos, mais dez anos e até à sua morte prevejo como muito difícil uma mudança radical no governo iraniano.

A principal incógnita é saber o que se seguirá à queda da teocracia. Penso que existem boas possibilidades de o próximo regime iraniano apostar numa postura mais laica e menos liderada por movimentos religiosos. Os principais líderes da oposição não são figuras que defendam a manutenção de um estado teocrático. Agora, é importante que a postura de Israel e dos EUA mudem: as ameaças belicistas e a enorme pressão e isolamento a que poderão continuar a votar aquele país do Médio Oriente não ajudarão em nada o "novo" Irão.

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