domingo, 6 de dezembro de 2009

Se queremos existir....



Sempre me considerei um pacifista. Quando me pergunta os líderes políticos que mais admiro, lembro-me, imediatamente de Martin Luther King, Ghandi ou Aung San Suu Kyi. Acredito que, mesmo contra um poder injusto, a luta pacífica é o único meio que deve ser aceite para se alcançar a mudança. É também por esta razão que das novas super-potências tenho especial predilecção pelo Brasil, por ser um país pacífico, amante da negociação e da afirmação pelo soft-power.

É por tudo isto que tenho de afirmar com imensa pena e desgosto a minha crença na necessidade da constituição de um exército europeu (no quadro da União Europeia). Desde o início do projecto europeu que os planos para a constituição de uma força militar europeia falharam. Pode parecer paradoxal, mas falharam não porque os EUA não quissessem a constituição de um exército europeu, mas porque franceses e britânicos eram completamente renitentes em colocar os seus soldados sob um comando europeu.

Foi assim que a defesa da Europa ocidental ficou sempre a cargo da liderança Norte-Americana através da NATO. Hoje, com o desmembramento do bloco de leste, cumpre perguntar que sentido faz a continuação da aliança transatlântica. E o que fazem quase todos os países da UE dentro dessa estrutura? Quais são, hoje, os inimigos da UE? Para que precisa a UE da NATO?

Num mundo que tende para a multipolarização, a UE não pode continuar a deixar de ter um actuação militar própria. A saída da NATO é necessária e a constituição de um exército europeu, sob uma liderança europeia comum é muito importante se a UE quer ter uma voz própria e autónoma na decisão dos assuntos mundiais. Num mundo em que a Europa conta cada vez menos, é crucial que se façam algumas mundanças no sentido de evitar a completa subjugação à completamente errónea política externa norte-americana.

O MNE português afirmou que a UE deve ter uma voz própria dentro da NATO. É talvez um bom indício da procura de autonomia europeia. Mas não chega....

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