terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O "Pacto" para o Papa.



O Cardeal Patriarca de Lisboa veio, hoje, negar a existência de qualquer pacto com José Sócrates no tocante à questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo (Público; i). Se existe pacto ou não isso pouco interessa, até considero natural que não exista coisa nenhuma.

Mas ninguém acha estranha a quase indiferença com que a Igreja Católica portuguesa tem reagido à mais que certa aprovação do "casamento homossexual"? Não é difícil de perceber a atitude, basta que nos lembremos do que aconteceu no ultimo referendo à IVG. A Igreja portuguesa é exímia a perceber quando se encontra derrotada à partida e quando não vale a pena iniciar a luta.

Sabe-o desde os tempos em que tinha de lidar com Salazar e D. José Policarpo é, provavelmente, um "diplomata" mais hábbil que Cerejeira. A Igreja percebe que na questão do "casamento gay" perdeu (tal como em 2007 percebeu que o referendo estava perdido). Assim, prefere não entrar numa batalha de onde só pode retirar perdas. Para além disto, convém a D. José Policarpo que a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo fique resolvida antes da visita do Papa Bento XVI a Portugal.

Que imagem dava o noso país se, durante a visita papal, andássemos alegremente discutindo os direitos de gays e lésbicas. Os altos responsáveis da Igreja Portuguesa são, neste momento, os mais interessados em que a AR aprove, rapidamente, o "casamento homossexual", mais do que o PS e do que qualquer associação LGBT. Paradoxal, ou talvez não.

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