sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O derrube da hipocrisia.



Na sua tradicional mensagem “urbi et orbi”, o Papa apelou ao fim da discriminação contra os imigrantes e pela tolerância entre toda a humanidade. O mesmo Papa que, lembre-se, afirmou que Maomé apenas trouxe coisas negativas e desumanas, como a difusão da crença de que a fé deveria ser espalhada pela espada (esquecendo-se, certamente, da história da Igreja Católica) e que tem vindo sempre a atacar gays e lésbicas ("É tão importante salvar a humanidade da homossexualidade e transexualidade como salvar a floresta tropical"; "A homossexualidade destrói a obra de Deus").

Enfim, uma cidadã italo-suiça de 25 anos, prevendo já a hipocrisia que iria jorrar da boca de Bento XVI derrubou o Sumo Pontífice quando este se preparava para celebrar a missa do Galo. Dizem que é, provavelmente, desiquilibrada mental. Não sou, de modo algum, um defensor da violência, mas não posso deixar de notar que Susanna Maiolo pôs em prática a metáfora do "derrube da hipocrisia" da Igreja de uma forma particularmente apreensível.

Aqui fica o vídeo (e para que não digam que sou mauzinho, expresso também um desejo de melhores para o cardeal Roger Etchegaray).

4 comentários:

  1. Primeiro, o Papa não afirmou que Maomé trouxe coisas negativas. Apenas citou um discurso de um imperador bizantino, Manuel II Paleólogo, sobre o assunto (e os bizantinos tinham de facto razões de queixa!). Segundo, o Papa não é contra os homossexuais (se fosse, teria de escorraçar metade dos padres e bispos!). É contra a aceitação da homossexualidade como uma prática normal por parte da sociedade. E está no seu direito. Ou todos temos de pensar da mesma forma? Todos os que não pensam como o senhor são hipócritas?

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  2. O Papa citou, efectivamente, o discurso do imperador bizantino, mas citou-o para quê? Não me lembro que tenha sido para desconstruir a falsidade da afirmação. Parece-me mais que foi mesmo no sentido de reforçar a ideia de que o Islão é uma religião de ódio e violência.
    E é óbvio que o Papa pode discriminar a comunidade homossexual como bem entender (desde que não ultrapasse as normas jurídicas, bem entendido). Agora, não pode é vir falar de tolerência e opor-se à discriminação e esperar que todos nós o ouçamos sem pôr em causa as contradições em que entra o Sumo Pontífice.

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  3. ó anónimo, então:

    " Segundo, o Papa não é contra os homossexuais (se fosse, teria de escorraçar metade dos padres e bispos!)."

    não é o que o Papa decretou e tem estado a fazer??

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  4. É hipócrita porque fala da tolerância por ficar bonito e para os outros acharem que é um senhor que merece ser santo e no entanto não se cansa de abrir excepções para os homossexuais e ateus, por exemplo. Esse senhor apenas é tolerante para aqueles que ouvem o que ele diz e seguem cegamente as suas ordens, que ele chama de "desígnios divinos".

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