quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os jovens que vão mudar o mundo!= )



No domingo passado, participei, como moderador, no X Campo de Trabalho da Amnistia (onde esta ONG reúne jovens entre os 15 e os 18 anos para trabalharem questões relacionadas com os direitos humanos. A sessão que moderei dizia respeito à discriminação com base na orientação sexual e saí de lá, não só agradavelmente surpreendido, como verdadeiramente estupefacto...

Claro que os jovens que se propõem ir a uma actividade organizada pela Amnistia Internacional representam uma população especialmente orientada pela maior sensibilidade em relação ao outro e preocupação com os direitos humanos, mas, ainda assim, não haver ninguém que considerasse serem os gays mais promíscuos que os homens heterossexuais é deveras surpreendente.

É que mesmo dentro das pessoas da minha idade, de esquerda e viradas para a defesa dos direitos humanos subsiste o mito da maior "entrega afectiva" dos homossexuais masculinos. Foi muito bom mesmo perceber que, actualmente, já existem muitos jovens que não se deixam dominar pela desinformação.

Outra boa surpresa foi perceber que a esmagadora maioria daqueles jovens se posicionava favoravelmente em relação à legalização da adopção para casais do mesmo sexo e que não se deixavam enganar pelos "argumentos" de que a criança iria sofrer horrivelmente na sua socialização e que a orientação sexual dos pais determinaria a dos filhos. "Se assim fosse, não existiriam homossexuais, visto que todos os que conheço são filhos de casais heterossexuais" e "As crianças são gozadas porque são gordas, usam óculos, têm um cabelo estranho. Vão também sê-lo por terem dois pais do mesmo sexo, mas não é por isso que vamos impedir casais homossexuais de adoptar. O que importa é o amor". Foram eles que o disseram, não eu (que praticamente nada tive de corrigir na argumentação dos jovens).

A terceira surpresa e a maior, provavelmente, foi o facto de maioritariamente terem considerado que as marchas do orgulho LGBT têm efeitos positivos. Penso que só uma rapariga manifestou a opinião contrária. Estava convencido que a maioria dos jovens considerava as marchas como uma espécie de carnaval foleiro, mas, afinal, aqueles compreendiam bem o sentido das mesmas e nem sequer punham em causa o conceito de "orgulho gay".

Eu tenho 22, só 4 ou 5 mais do que a maioria dos que lá se encontravam. E a diferença entre as opiniões dos que me rodeiam, dos que têm a minha idade e daqueles jovens é gigantesca. Oxalá que este não seja um fenómeno isolado e que os jovens LGBT possam viver com menos sofrimento a sua adolescência.

2 comentários:

  1. Olá meu amor !
    Adorei esta tua critica/comentário/descrição!
    As pessoas começam a ficar mais sensibilizadas, e que cada é como é e não tem nada a opor.

    Beijo
    Amo-te

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  2. Amigo, obrigado pelo teu comentário. Acredito que o trabalho que temos vindo a fazer na Amnistia é muito importante. Beijo

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