quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mas, afinal, que querem?



Perante esta notícia, fico sem perceber, no final das contas, o que pretendem os professores.

Melhores salários não pode ser, com certeza, na medida em que são dos mais bem pagos da europa.

Desconfio que queriam continuar a ser a única classe de profissionais da função pública que não queria ser avaliada e, apesar da incompetência de alguns, continuar a ser alegremente promovida. Mas isto devo ser eu, sempre a desconfiar da preocupação dos professores que, afinal, se centra sempre nos alunos.

8 comentários:

  1. Manel, esperava mais inteligência da tua parte...

    No Destak diz:

    "Um estudo da Comissão Europeia, que traça o cenário da educação no espaço comunitário, revela que são os profissionais lusos no fim da carreira os que mais ganham, tendo em conta o nível de vida no País."

    Os professores portugueses são dos melhores pagos no fim da carreira (atenção para este fim) à custa de um enorme desiquilíbrio de ordenados. Vê a evolução do ordenado de um professor, tem um desnível enorme entre o início e o fim da carreira. No fim ganham bastante, mas isso faz-se à custa de um início muito fraco para as suas qualificações. E o que o governo quer é impôr cotas a seu bel prazer para os escalões mais altos para os limitar ainda mais, ou para impedir que professores cheguem sequer a tocar nesses ordenados. Se pode haver cotas para os professores, porque não também haver cotas para classificações dos alunos? É começar a limitar os 19s e os 18s e os 17s por turma e por escola, e a determinar uma média obrigatória. Porque não? Até se fazia antigamente.

    Sinceramente, todos sabemos que há professores muito maus, preguiçosos e que contestam sem razões para isso. Mas os diplomas de governo nunca implicam o despedimento dos maus, e metem cotas às boas classificações daqueles que são bons. Se isso é estímuldo, então devo andar muito confuso...

    Os professores querem ser bem avaliados, e isso é diferente de não querer ser avaliado. Julgar os professores todos como uma classe com uma opinião definido julgo que é um belo exercício de preconceito da tua parte, mas não sei, devo ser eu... Quando são os outros e estamos a ver e a julgar de fora, não custa nada fazer deles bandidos e um outgroup, não é Manelinho?

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  2. Olá Romeu,

    Isso que dizes não corresponde à verdade . Todos os estudos da OCDE têm vindo a indicar que, em relação ao nosso PIB per capita, os salários dos nosso professores são dos mais altos do "mundo ocidental".

    Depois, eu nunca disse que todos os professores eram incompetentes. Agora, não entendo é a posição daqueles professores que são, efectivamente, bons. É que, efectivamente, nunca foi apresentado um modelo de avaliação credível por parte da Fenprof.

    E claro que estou a ver de fora, como na maior parte dos assuntos que aqui abordo. Agora, isso não me impede de ter uma visão e expressar opiniões sustentadas.

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  3. "Melhores salários não pode ser, com certeza, na medida em que são dos mais bem pagos da europa."

    "Todos os estudos da OCDE têm vindo a indicar que, em relação ao nosso PIB per capita, os salários dos nosso professores são dos mais altos do "mundo ocidental"."

    Ora mostra lá isso que dizes sem ser com notícias referentes ao que ganham em fim de carreira mas sim em média durante a carreira.

    "Agora, não entendo é a posição daqueles professores que são, efectivamente, bons. É que, efectivamente, nunca foi apresentado um modelo de avaliação credível por parte da Fenprof."

    Qual é a posição dos que são bons? Os que são bons não podem discordar dos modelos de avaliação do governo? Achas um modelo bem feito? E a Fenprof representa os professores todos? E se a Fenprof não apresentar alternativas quer dizer que o modelo do governo é bom?

    "E claro que estou a ver de fora, como na maior parte dos assuntos que aqui abordo. Agora, isso não me impede de ter uma visão e expressar opiniões sustentadas."

    Claro, isso se fossem sustentadas. Mas como dizes:

    "Desconfio que queriam continuar a ser a única classe de profissionais da função pública que não queria ser avaliada e, apesar da incompetência de alguns, continuar a ser alegremente promovida."

    ... é óbvio que não tens problemas em generalizar e meter os professores todos no mesmo saco, o saco da "classe". E, claro, ainda os classificas como diferentes dos outros, como se lhes faltasse alguma faculdade mental particular ou tivessem algum defeito que os outros profissionais do sector público ou privado não tivessem. Talk about prejudice.

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  4. E, também:

    "Agora, não entendo é a posição daqueles professores que são, efectivamente, bons."

    Os professores efectivamente bons é que vão ser penalizados. Que eu saiba, as cotas de limitação são para as melhores classificações, daí que sejam os melhores a ser penalizados. Julgo que é melhor ter um modelo que prime pelo rigor e justeza da avaliação, em vez de primar pela limitação das classificações. Mas, não sei, devo ser eu...

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  5. http://www.oecd.org/dataoecd/39/62/1840245.pdf

    Baseio-me, nomeadamente neste estudo para sustentar aquilo que tenho dito. O estudo demonstra, inclusivamente, que os salários dos professores em início de carreira são dos que mais têm crescido.

    Quanto ao preconceito, sinceramente não consigo perceber em que situação estou, de alguma forma, a ser preconceituoso.

    Eu nunca defendi o modelo de avaliação proposto pelo Governo. Agora, se os professores não apresentam um alternativo, que querem que pensemos?

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  6. "Baseio-me, nomeadamente neste estudo para sustentar aquilo que tenho dito."

    Então baseias-te mal. Viste os períodos temporais abordados no estudo?

    "Quanto ao preconceito, sinceramente não consigo perceber em que situação estou, de alguma forma, a ser preconceituoso."

    Metes os professores todos no mesmo saco como se fossem um bando de preguiçosos que não quer ser avaliado e quer progredir automaticamente e achas que não estás a ser preconceituoso e a generalizar?

    "Eu nunca defendi o modelo de avaliação proposto pelo Governo."

    O governo apresenta um modelo com quotas, e a FENPROF contesta por causa dessa medida. Tu dizes "mas afinal o que é que eles querem?". Eu acho que é óbvio que querem um modelo que não imponha cotas nas classificações aos melhores somente porque dá jeito ao dinheiro para poupar sem ter de dizer que vai cortar nos ordenados dos professores. Se tu não concordas, o que é que estás a defender? A mim parece-me que estás a querer dizer que as cotas são algo legítimo e adequado, ou não?

    "Agora, se os professores não apresentam um alternativo, que querem que pensemos?"

    Isso é falso. Já foram apresentadas alternativas da parte dos sindicados. Too bad que para essas notícias tu não faças links nos teus posts. Eu não as vou procurar, tu é que tens de sustentar as tuas opiniões antes de as emitires.

    Se der jeito saber, aproveito para dizer que estive a conversar com o meu pai, que é professor titular e avaliador, e ele me disse que este ano não atribuíram nenhum muito bom nem excelente no agrupamento dele, porque nenhum dos 7 candidatos se destacou. Sim, porque só é avaliado presencialmente (aulas assistidas) quem se candidata a isso, e somente esses é que são limitados. Por isso bem podes ver que os maus é que são os que se limitam a progredir alegremente. Os outros não recebem notas só porque há lugar para eles, mas se merecerem e não houver vaga para eles não a levam. Continuo a não achas justas as cotas, que é o que a FENPROF contesta e usa como argumento para os protestos. Tu consegues explicar-me a lógica?

    Também acho estúpida a divisão da carreira docente. Dou-te o exemplo do meu pai: é um bom professor e experiente com muitos anos de carreira, que ensina e o faz muito bem. Criaram essa divisão e o que é que ele fez? Candidatou-se a professor titular, que implica agora ser avaliador, quando o que faz melhor é ensinar e até é o que prefere fazer. Porquê? Porque não pode subir de escalão se ficar a ensinar, por melhor que o faça. Agora passa o dia a avaliar e a tratar de burocracias, quando seria muito melhor empregue a ensinar (digo eu, já que foi promovido com base no mérito), tudo porque com o novo modelo, os melhores avaliam e os piores ensinam, e quem quer receber mais tem de deixar de ensinar.

    Olha, eu não vejo nenhuma vantagem neste novo mdelo, nem vejo nas cotas que a FENPROF contesta e cujo protesto tu não percebes.

    Se me conseguires explicar porque é que a FENPROF não deve contestar eu agradeço. Também agradeço se me souberes explicar as vantagens deste modelo de avaliação em relação ao modelo anterior.

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  7. Aproveito também para dizer que o modelo de avaliação anterior era mau, mas este não lhe fica atrás. E, pior do que isso, é que ainda é usado como arma política para cortar nos ordenados dos professores ao mesmo tempo que os tenta descredibilizar nas negociações, fazendo passar a mensagem que os protestos contra este modelo de avaliação são a mesma coisa que protestar contra o facto de haver avaliação.

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  8. Creio que R respondeu muito bem ao seu interlocutor. Creio que os anti-modelo de avaliação têm toda a razão pois que hoje temos muitos avaliadores que antes eram autênticas nódoas a ensinar. Os critérios para determinar quem chega ou não a titular foram absurdos... Em nada davam garantias de profissionalismo. Basta saber que os tecnocratas que passaram 10 anos nos centros de formação, longe das escolas e dos alunos, tinham mais 3 pontos em cada ano do que os professores que formavam as nossas crianças e jovens... E isto basta. Nem quero falar da professora que ficou a cuidar de um bebé que o Hospital se recusou a internar para que ela pudesse ir trabalhar sossegada quando a criança precisava de cuidados. Enfim. A Minstra penalizou as mulheres (como a minha que ficou para trás face a outras que eu mesmo havia reprovado na formação contínua. Sim, reprovado. É pura mentira que não havia avaliação. Avaliei e reprovei professores que a Ministra promoveu a Titulares. Eu é que não as queria para professoras d meus filhos. Felizmente estão com as notas máximas (que mantiveram nos exames nacionais!) e, espantem-se, frequentam uma escola pública. Excelente escola pública. Todos os seus professores são excelentes. Pena é que para a ministra nenhum deles possa progredir porque a cota da escola não lhes permite... Ou seja, têm que ir para as escolas (de bairro ou de montanha!) onde não haja concorrentes que ocupem todas as cotas... uma palhaçada... Sim é uma palhaçada. E os palhaços sabemos muito bem quem são. Eles sabem bem como conseguiram os seus diplomas... Mais não é preciso dizer, não é verdade? Mas, uma coisa vos digo, se as minhas filhas tivessem alguma dessas "professoras titulares" a leccionar nas suas turmas, transferia-as imediatamente de Escola. Nem que mudasse de concelho de residência... Podem crer. Isto só demonstra que a Ministra cínica tentou passar ao povo uma MENTIRA: que os professores nunca foram avaliados. E repetiu-a coadjuvada por um outro incompetente a que é o chefe da banda. Parece incrível como aqueles que perderam mandatos por faltas tenham penalizado sobretudo as mulheres e mães professoras no dito absurdo concurso a Professor Titular. É um governo incompetente a quem a História se encarregará de fazer justiça. Os nossos filhos talvez não mas os netos terão uma outra visão sobre a tacanhez de um povo que apoiou quem chegou ao poder não por competência mas por nomeação. É que os professores chegaram onde chegaram depois de terem sido avaliados por dezenas e dezenas de professores. Mas parece que os que não conseguiram nada por via normal são os que agora querem castigar os que chegaram a professores por mérito. Academicamente reconhecido. Ou será que Sócrates duvida dos diplomas passados pelas Universidades Públicas Portuguesas? Ele lá sabe... Ele lá sabe...

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