domingo, 20 de dezembro de 2009

Macau: a entrega daquilo que nunca foi nosso.



Celembram-se, hoje, os 10 anos da entrega do território de Macau à República Popular da China. A restituição foi meramente simbólica, tal como a autoridade portuguesa sobre o território o foi. O governo de facto de Macau foi sempre chinês e a presença portuguesa tolerada por conveniência dos vários regimes chineses (tendo servindo, por exemplo, para efectuar o comércio entre a China e o Japão quando o mesmo estava, oficialmente, proibido).

A presença portuguesa no território estava limitada ao Governador, a um reduzido grupo de funcionários e a meia dúzia de edifícios de traça europeia construídos durante a ocupação portuguesa. Hoje, já praticamente nada em Macau nos recorda o anterior administrador.

Macau é, actualmente, um gigantesco casino. A indústria e os outros tipos de serviços cederam lugar à construção de gigantescos casinos que geram mais lucros do que os da cidade americana de Las Vegas. Os jovens saem das universidades e preferem ir trabalhar como croupiers do que exercer a profissão para a qual estudaram, já que as diferenças de ordenado são absurdas.

Perante tudo isto, o portugu~es era uma língua, praticamente, morta no território. Contudo, nos tempos mais recentes (desde há dois anos) as intensas relações económicas da China com dois países lusófonos (Brasil e Angola- o principal fornecedor de petróleo do gigante asiático), fazem com que Macau se esteja a tornar um ponto estratégico importante para o estabelecimento destes contactos. Pode ser que, assim, o português volte a ser falado naquele terrítório que já foi "nosso".

(v. este interessante caderno no "Público")

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