quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Havia hipótese de desacordo?



A nova ministra da Cultura, Grabriela Canavilhas, afirma que o Acordo Ortográfico deve entrar em vigor o mais depressa posssível. Dentro de dois dias (Janeiro de 2010), a agência Lusa começará a aplicar o Acordo nos seus textos. A ministra da Educação, assoberbada com a luta "contra" os professores, pede o adiamento da entrada em vigor do Acordo no ensino do portugês.

Os críticos do Acordo (encabeçados pelo deputado/poeta/escritor Vasco Graça Moura) dizem que este não foi mais do que a cedência portuguesa às imposições brasileiras e que, por exemplo, a queda das consoantes mudas fará com que se altere a fonética da língua portuguesa. Em primeiro lugar, que mal teria isso? Estes arautos da imobilidade parecem ver na mudança uma coisa negativa, mas eu pergunto: que mal tem, se daqui a uns anos estivermos a falar de uma forma ligeiramente diferente? Para além disso, como muito bem alerta Malaca Casteleiro, "a oralidade precede a escrita".

Acho muitíssimo importante que este Acordo entre em vigor o quanto antes. Só com uma aproximação do português que é falado no mundo é que a nossa língua se pode afirmar como uma das línguas mundiais. Logicamente, que a maior parte das cedências teriam de ser feitas relativamente ao Brasil. Com uma população com quase 200 milhões de habitantes, sendo a oitava maior economia do mundo (e provavelmente a quinta já em 2016) e o quinto maior país em termos de espaço territorial é mais do que óbvio que a liderança da "comunidade dos falantes do português" cabe ao Brasil.

Deveríamos aceitar esta realidade sem levantar grandes ondas, para ver se ainda podemos, efectivamente, continuar a falar o português por mais alguns anos.

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