sábado, 12 de dezembro de 2009

E por que não invadir Israel?



Numa recente entrevista (v. notícia aqui e aqui), a ser transmitida amanhã, Tony Blair admite que a invasão do Iraque se justificava mesmo que o país não dispusesse de armas de destruição em massa. Nem merece comentário o facto de Blair não admitir, claramente, que o Iraque não dispunha de um arsenal das ditas armas, o que é para mim preocupante é a justificação que o ex-Primeiro-ministro britânico encontra para a invasão militar.

Diz Tony Blair que a invasão deveria, em qualquer caso e mesmo na inexistência do referido armamento, ter lugar na medida em que o regime de Saddam representava uma "ameaça para a região" e que havia utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. É claro que, na visão de Blair, o Iraque está hoje muito melhor do que sob a ditadura de Saddam, o que sabemos que, pelo menos ao nível da segurança e da perda de vidas civis, não´é verdade. Sabemos, também, que o Iraque é, actualmente, uma ameaça muito maior para a região, na medida em que se tornou um local de primeiro nível no que toca ao recrutamento de terroristas, sendo que se tornou um "estado em vias de falhanço institucional".

Assim sendo, cai por terra a justificação de Tony Blair, até porque, ao nível da defesa das populações, o povo do Darfur, da Arábia Saudita e da RDCongo não vive em melhor situação do que a população Iraquiana e não é por isso que vemos Mr. Blair defender a invasão do Sudão e dos outros países referidos.

Uma última nota gostava de deixar. Israel é, claramente e muito mais do que foi o Iraque ou é o Irão ou a Síria, uma ameaça à estabilidade da região. Por que razão, então, nunca propôs Tony Blair a invasão do estado judeu?

2 comentários:

  1. "Israel é, claramente e muito mais do que foi o Iraque ou é o Irão ou a Síria, uma ameaça à estabilidade da região."

    Israel não tem dirigente com ideias proféticas e apocalípticas de que o seu papel é matar ou dominar minorias religiosas ou limpar países inteiros do mapa.

    Israel é ameaça para quem? Para o Egipto, a quem devolveu o Sinai e fez a paz? Para a Jordânia, com quem também fez a paz à bastantes anos?

    Há uma tremenda hipocrisia no meio disto tudo. Porque é que em imensos países muçulmanos eu não posso entrar simplesmente por ter o carimbo de visita a Israel no meu passaporte? Porque é que Israel deu cidadania aos cidadãos árabes residentes no seu país depois da independência, enquanto dos países árabes vieram autênticas hordas de judeus para Israel fugidos à perseguição a que foram sujeitos. Fala-se do direito de retorno dos palestinianos que viviam nos territórios de Israel mas nunca dos judeus que vivam nos territórios de vários países árabes, que foram expropriados das suas possessões que eram bem maiores em territórios e bens do que as dos palestinianos.

    Israel é uma ameaça à região porquê? Não creio que seja por vontade deles...

    Diz-me qual é a solução ou soluções que propões para a saída deste conflito que Israel não tenha feito?

    Eu vi na TV quando Israel retirou todos os colonos e destruiu os colonatos da faixa de gaza para continuar as negociações de paz e dar autonomia à região. Falava-se em paz e em segurança, após esse passo, mas o que passou a acontecer depois disso foi que as populações do sul de Israel passaram a ser bombardeadas diariamente por misseis provenientes da faixa de gaza, situação que culminou com a invasão de gaza em Janeiro. Onde está a segurança?

    Reclama-se por Israel ter um bloqueio à faixa de gaza, que falta comida e bens essenciais, mas as armas e os misseis estão sempre a entrar e a ir para a Israel. De onde vem? Porque os lançam, se dizem ser tão inofensivos? Há um negócio enorme à volta do tráfico pelos túneis entre gaza e o Egipto. Quanto maior o cerco maior o dinheiro que por ali circula. Mas nem assim as armas são menos...

    Israel não é um país de população estúpida ou cega por alguma profecia ou fanatismo religioso. A grande maioria dos cidadãos não tem problemas em defender uma troca de territórios pela paz, como fizeram no passado. Mas esses movimentos perdem força quando se dá autonomia a Gaza e Gaza passa a disparar rockets, quando se tem fronteiras abertas e se tem bombistas suicidas a explodir nos cafés de Telavive, quando de um lado há movimentos a defender a paz e do outro músicas na rádio a apelar à exterminação dos judeus...

    Não tenho soluções milagrosas, nem consigo colocar as culpas só num lado, mas estar sempre a culpar Israel já cansa.

    Qual é a tua soluçãp para gaza? Quem te diz que uma Cisjordânia com autonomia não se tornará numa nova gaza? Que segurança tem Israel perante um estado palestiniano independente, se nem um território minúsculo e supostamente a morrer à fome fica sem mísseis para lhes mandar todos os dias?

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  2. Experimenta ter pessoas a viver há 50 anos em campos de refugiados no seu próprio país, a terem de esperar horas, às vezes dias, para passarem os bloqueios que um estado estrangeiro impoõe num território a que aceitou dar a liberdade, a verem as suas crianças mortas porque o exército israelita se "enganou" e pensava que naquela escola funcionava um campo de treino do Hamas, a verem a construção de colonatos estrangeiros num território que é seu, para perceberes que só podem ser levados para o radicalismo e para tomarem posições de força.

    A situação de Gaza é muito particular. Num espaço de apenas 360km2 vivem 1,4 milhões de pessoas, com escassez de de tudo (água, alimentos, energia elécrtica, etc.) Mais de 60% desta população não é originária daquele território. São refugiados das perseguições que Israel moveu aos cidadãos palestinianos. Assim, percebe-se, claramente, que a situação só poderia derivar para o apoio mais forte ao Hamas.

    Além disso, Israel, numa manobra clara de "dividir para reinar", andou brincando, alegremente, aos "golpes de estado" no seio da Autoridade Palestiniana, levando a que existam, neste momento, dois regimes na Palestina: Hamas na Faixa de Gaza e Fatah na Cisjordânia.

    Assim, realmente fica complicado, mas Israel podia começar, por exemplo, por levantar o cerco militar a Gaza, por abandonar o controlo da Cisjordãnia e, sobretudo, por parar a construção de colonatos em Jerusalém Oriental.

    Mas, neste post, eu não queria colocar todas as culpas em Israel. Perguntava-me, somente, por que é que nunca foi equacionada uma intervenção militar num estado israelita para a libertarem as regiões ocupadas.

    É que sendo certo que isso levaria a um enorme aumento da estabilidade na região, não se percebe a lógica de Tony Blair...

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