quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Afinal, mais uma discriminação...



Confirmaram-se as piores, mas mais realistícas, perspectivas no tocante à proposta de lei que o Governo irá apresentar à Assembleia da República. A adopção ficará, definitivamente, de fora. Dá-se com uma mão e tira-se com a outra. No fundo, a política que Sócrates tem sempre vindo a seguir.

Como disse Ana Drago, "quando se cria uma igualdade não se pode criar uma igualdade de segunda". Estou, nesta questão, totalmente de acordo com a a Associação Panteras Rosa que consideram que se "criou um casamento de segunda". Entristece-me, por outro lado, o êxtase com que a notícia foi recebida pela ILGA. Não queria cair, porque acredito no excelente trabalho que tem vindo a ser posto em prática por esta associação, nos rumores que a dizem excessivamente próxima das posições do PS, mas...Há, afinal, assim tanto motivo para a celebração?

No tocante à adopção, o PCP (ultra-cuidadoso, sempre, nas questões ditas "fracturantes") refere a necessidade de existir um debate mais amplo sobre a questão. O único partido com assento parlamentar que se posicionou, de forma clara, pela criação de um casamento igualitário de uma igualdade verdadeira e genuína foi o BE.

Têm-me criticado por, muitas vezes, defender as posições do Bloco. Mas entre considerarmos os nossos cidadãos todos por igual ou trasmitirmos à sociedade a ideia de que os pais homossexuais serão "nocivos" para as crianças, que posição esperam que apoie?


(v. notícia também aqui- com excertos do comunicado do Governo.

3 comentários:

  1. Ainda a Ana Drago andava de fraldas já o PCP defendia o casamento homossexual...e o aborto e a igualdade no geral. Eu voto bloco mas não esqueço em quem tive de votar antes de o bloco existir...

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  2. Lamento, mas o que afirma não é verdade. Até muito recentemente, a posição do PCP na defesa dos direitos dos homossexuais era extremamente ambígua (e percebe-se bem porquê: o eleitorado do PCP não é, maioritariamente, favorável ao casamento ou adopção por homossexuais, por exemplo).

    Ninguém esquece os contributos notáveis do PCP para a nossa democracia. Mas há que, nesta matéria, fazer a vénia ao BE.

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  3. sou mulher e sou hetero. nao me cria obstaculos a adopcao de criancas por casais homo. mas nao concordo com o casamento. acho que os homo estao a cair no mesmo erro que as mulheres cairam na sua suposta luta pela igualdade.
    numa luta pelo reconhecimento,acabaram por esquecer a sua natureza diferente do homem e criaram dificuldades crescentes para a consciencializacao e experiencia do corpo feminino. seja como for, pediram direitos iguais-nao pediram para serem chamadas de homens. o que eu acho e que a verdadeira aceitacao social da homossexualidade nao vai acontecer pelo que se escrever no papel, mas apartir do momento que os proprios homossexuais aceitarem serem diferentes da maioria dominante. ou seja, apartir do momento que eles pproprios aprendam a lidar com a diferenca.

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