quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Natureza vs Cultura (ou: E para aqueles que (ainda) acreditam no casamento....)



A psicóloga francesa Maryse Vaillant afirmou, na sua obra "Les hommes, l’amour, la fidélité", que a "infidelidade masculina ajuda a salvar o casamento". A infidelidade faz parte do espaço masculino e deve ser entendida como natural, sendo que os homens que não a praticam podem ter uma "fraqueza de carácter". Diz a autora que estes homens "não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem”.

Contudo, para mim, a mensagem mais importante do livro é a de que a fidelidade deve ser encarada não enquanto emanação da natureza (por natureza, todos os primatas são polígamos), mas como criação cultural. É certo que em muitas coisas (protecção dos deficientes, etc.) o homem ultrapassou os constrangimentos naturais no que diz respeito às relações.

E neste ponto? Já "vencemos" a natureza? Mais uma pergunta: será que tem sentido "vencer"? Afinal amor e fidelidade estão ligados em que ponto?

Avaliação: o bicho-papão.



Ontem, sindicatos dos professores e Ministério da Educação não conseguiram chegar a acordo. As "negociações" prosseguem em 2010.

Perante isto, apetece-me citar José Leite Pereira ("Jornal de Notícias", 30-12-2009):

"A luta dos professores vai regressar, a menos que o Governo recue uns anos e a avaliação seja bem diferente do que está a ser proposto agora, ficando tão inútil como era então".

Terá Razão?

The world according to Ronald Reagan.



E, de certeza, de acordo, também, com quase toda a direita americana. Era só mudar ali a coisa da Tatcher e da URSS e acrescentar "our new Vietnams" na zona do Afeganistão e Iraque e ficava: The world according to G. W. Bush.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Havia hipótese de desacordo?



A nova ministra da Cultura, Grabriela Canavilhas, afirma que o Acordo Ortográfico deve entrar em vigor o mais depressa posssível. Dentro de dois dias (Janeiro de 2010), a agência Lusa começará a aplicar o Acordo nos seus textos. A ministra da Educação, assoberbada com a luta "contra" os professores, pede o adiamento da entrada em vigor do Acordo no ensino do portugês.

Os críticos do Acordo (encabeçados pelo deputado/poeta/escritor Vasco Graça Moura) dizem que este não foi mais do que a cedência portuguesa às imposições brasileiras e que, por exemplo, a queda das consoantes mudas fará com que se altere a fonética da língua portuguesa. Em primeiro lugar, que mal teria isso? Estes arautos da imobilidade parecem ver na mudança uma coisa negativa, mas eu pergunto: que mal tem, se daqui a uns anos estivermos a falar de uma forma ligeiramente diferente? Para além disso, como muito bem alerta Malaca Casteleiro, "a oralidade precede a escrita".

Acho muitíssimo importante que este Acordo entre em vigor o quanto antes. Só com uma aproximação do português que é falado no mundo é que a nossa língua se pode afirmar como uma das línguas mundiais. Logicamente, que a maior parte das cedências teriam de ser feitas relativamente ao Brasil. Com uma população com quase 200 milhões de habitantes, sendo a oitava maior economia do mundo (e provavelmente a quinta já em 2016) e o quinto maior país em termos de espaço territorial é mais do que óbvio que a liderança da "comunidade dos falantes do português" cabe ao Brasil.

Deveríamos aceitar esta realidade sem levantar grandes ondas, para ver se ainda podemos, efectivamente, continuar a falar o português por mais alguns anos.

A "não-doença" que causa doenças.



36 anos depois de a Associação Americana de Psiquiatria (com certeza muito menos conhecedora destes assuntos do que a Ordem dos Médicos portuguesa) ter deixado de considerar a homossexualidade como uma doença, o Colégio da Especialidade de Psiquiatria da Ordem dos Médicos chegou à mesma conclusão.

Imagino como não terá ficado o ultra-reaccionário Pedro Nunes. Afinal, foi a sua própria instituição, que tem estado sempre na vanguarda na manutenção do atraso (questão do aborto, eutanásia, etc.) que vem quebrar mais um preconceito.

Não nos podemos é esquecer de que não sendo a homossexualidade uma doença, gera, infelizmente, na nossa sociedade, doenças. Depressões, ansiedade crónica, fobia social, insatisfação sexual são enfermidades de que padecem inúmeros gays e lésbicas no nosso país.

A taxa de suicídio em adolescentes LGBT's é cerca de três vezes superior à dos adolescentes heterossexuais. Lembremo-nos, então, de que ainda há muito a fazer.

Notícia: Público, i, TVI24.

Algum buraco deve haver...



Petróleo não há, mas algum buraco, e bem fundo, deve haver pois caso contrário porque raio é que um dos clubes que mais dinheiro gera em transferências do Mundo, continua a ter problemas financeiros?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pais (ou país) versus professores?



1- Não compreendo. Se os professores com classificação de Muito Bom e Excelente têm lugar garantido na subida de escalão, por que razão mantêm os professores esta espécie de guerrilha com o ME? Por que não concentrarem esforços para atingirem melhores classificações?

2- Fenprof espera mais cedências do Ministério da Educação. Claramente, Maria de Lurdes Rodrigues foi afastada para que se pudessem fazer mais cedências...Mas já são tantas que mais valia criar um novo modelo de avaliação...Não?

3- Neste conflito entre docentes e Ministério da Educação, os pais têm-se posicionado, maioritariamente, do lado do Governo (basta ver os comentários em tudo quanto são fora e nas televisões)....Porquê?

Aquilo que nasceu torto...



Como é sabido, estou longe de ser um defensor das reivindicações dos professores (representados pela Fenprof), mas, realmente, o Governo na tentativa de apaziguar (?) a classe docente vem criar mais uma distorção num modelo avaliativo que já nasceu torto.

Agora, os professores com classificação de "Bom", mas que não tenham vaga para atingir o escalão seguinte, têm prioridade, no ano seguinte, sobre os subsequentes docentes classificados com "Bom" (v. Público e i).

Enfim, é como eu me ter graduado em 2009 com 18 e outra pessoa ter terminado a mesma formação em 2008 com a mesma classificação e, numa candidatura a um emprego, eu ser preterido porque alcancei a classificação um ano mais tarde.

Estamos já todos imensamente fartos deste braço de ferro entre os professores e a tutela. O que nos vale é que, como ficou provado em todos os estudos de Sociologia da Educação sobre a matéria, a qualidade dos docentes pouco influi no sucesso académico dos alunos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Criação de um mártir?



Nos mais recentes protestos no Irão, devido à brutal repressão da polícia do regime, morreu Ali Mousavi, sobrinho do principal líder da oposição à teocracia iraniana (v. tb i).

Desconheço o passado político de mais esta vítima da mais brutal autocracia do Médio Oriente. A popularidade já a tem, garantida pelo mediatismo do tio. Se o seu passado como activista contra o regime ditatorial da antiga Pérsia se coadunar com este reconhecimento público, poderá ter sido criado um mártir da defesa da liberdade no Irão.

Isso seria o princípio do fim.

Não há por aí mais nenhuma Susanna Maiolo?



Papa apelou, hoje, à família formada por um casamento entre um homem e uma mulher, atacando, novamente, todos os gays e lésbicas (muitos deles católicos praticantes) que desejam constituir família através do instituto do casamento.

Para justificar estas afirmações que vêm, lembremo-nos, no seguimento dos apelos do Sumo Pontífice contra a discriminação e pela tolerãncia, vem o Santo Padre dizer-nos que Jesus nasceu no seio de uma família formada por um homem e uma mulher.

Por acaso, sempre pensei que para Jesus, enquanto filho de Deus (não tendo qualquer laço sanguíneo com José, seu pai "adoptivo") e que considerava toda a humanidade por igual, tendo morrido na cruz, sacrificando-se por todos nós, a sua família terrena não tinha mais importância do que qualquer uma das outras pessoas pelas quais o Messias desceu à terra.

Mas com Susanna Maiolo já internada, devo ser eu o único que vejo a contradição das afirmações de Bento XVI. Infelizmente, não tenho voz suficiente para as derrubar, com o mesmo mediatismo do acto de Susanna.

(notícia também aqui, com uma fotografia muito mais bonita do Santo Padre).

Hannah e Martin



Fui, hoje, ver a peça "Hannah e Martin". É magnífica. As suas mais de duas horas, se estivermos atentos ao conteúdo filosófico/especulativo da peça, colocam questões imensamente interessantes. Aborda a relação (afectiva, mas também académica e, digamos, "política"/"conceptual") entre o filósofo Martin Heidegger e a "pensadora" (recusou, sempre, o "título" de filósofa) Hannah Arendt.

A primeira parte trata da aproximação entre Hannah e Martin. Primeiro, uma aproximação académica (Heidegger era professor de Arendt), mas depois também amorosa (tornam-se amantes). Mas a relação afectiva que nutriam nunca se afasta muito da questão intelectual. Hannah é, já, brilhante, mas muito presa às concepções de Heidegger.

Neste primeiro momento, dá-se, ao fim de algum tempo, o afastamento físico (por pedido da mulher de Heidegger?), mas não o intelectual ou afectivo. Hannah continua a viver e a trabalhar para e sobre aquilo que Martin representa.

É só na segunda parte da peça que se dá o afastamento intelectual/ideológico entre Arendt e Heidegger. Heidegger "adere" ao nazismo, Hannah, judia, compreende os perigos do totalitarismo (termo que cunhou) e foge da Alemanha. Afasta-se também das concepções ontológicas de Heidegger (o ser do homem é um "ser que caminha para a morte"), afirmando as suas, influenciadas certamente pelo pensamento de S. Agostinho (Initium ut esset homo creatus est (para que houvesse um início o homem foi criado)): o que dá sentido à existência humana é o nascimento.

E tal como o nascimento e a morte estão distantes, também Hannah e Martin ficam. Hannah está magoada com Martin, não percebe como não pode este ter visto, logo de início, os malefícios que carregava o nazismo. Heidegger já não domina Arendt e, portanto, deixa de a compreender. Há uma redenção final. Hannah escreve em defesa de Martin, para que este possa voltar a ensinar.

A interpretação de Rui Mendes é brilhante. A de Ana Padrão fica um pouco aquém, mas consegue "comover-nos", igualmente. A peça é interessantíssima na forma como combina teatro com aquilo que posso chamar de "cinema presencial" (as personagens são filmadas, na altura, e a imagem projectada ao mesmo tempo). Os actores secundários dão um bom toque final a uma peça que recomendo vivamente.

(Obrigado, T., pelo convite. Valeu, mesmo, a pena.)

sábado, 26 de dezembro de 2009

No Médio Oriente, algo de novo?



Israel volta a matar palestinianos nos território ocupado da Cisjordânia e na faixa de Gaza. Os dois lados (as "duas Palestinas" e Israel) reclamam, como sempre, ser as suas acções completamente justificadas.

Para quem considera que todos os meios justificam os fins, a invasão por parte do estado israelita da faixa de Gaza, no ano passado, está amplamente justificada. Segundo a notícia do Público, a redução dos ataques por rockets lançados a partir de Gaza sofreu uma redução drástica.

O que eu pergunto é, sem querer, obviamente, colocar a causa dos problemas apenas em Israel (como bem se sabe a situação é bem mais complicada do que isso), de que modo justifica Israel que é, até ver, uma democracia, a brutalidade com que sempre tem vindo a responder às "ameaças" palestinianas. Sabemos que o Hamas ataca violentamente o estado judaico, mas, Israel, enquanto estado democrático, não deveria escolher vias menos violentas de resolver o problema?

Do outro lado do Médio Oriente, o inimigo visceral de Israel, o estado teocrático iraniano, está, como vimos afirmando neste blog, a entrar em colapso. Qualquer justificação é boa para se levantarem amplas manifestações contra uma das mais brutais autocracias mundiais. A repressão não conseguirá manietar a liberdade para sempre.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O derrube da hipocrisia.



Na sua tradicional mensagem “urbi et orbi”, o Papa apelou ao fim da discriminação contra os imigrantes e pela tolerância entre toda a humanidade. O mesmo Papa que, lembre-se, afirmou que Maomé apenas trouxe coisas negativas e desumanas, como a difusão da crença de que a fé deveria ser espalhada pela espada (esquecendo-se, certamente, da história da Igreja Católica) e que tem vindo sempre a atacar gays e lésbicas ("É tão importante salvar a humanidade da homossexualidade e transexualidade como salvar a floresta tropical"; "A homossexualidade destrói a obra de Deus").

Enfim, uma cidadã italo-suiça de 25 anos, prevendo já a hipocrisia que iria jorrar da boca de Bento XVI derrubou o Sumo Pontífice quando este se preparava para celebrar a missa do Galo. Dizem que é, provavelmente, desiquilibrada mental. Não sou, de modo algum, um defensor da violência, mas não posso deixar de notar que Susanna Maiolo pôs em prática a metáfora do "derrube da hipocrisia" da Igreja de uma forma particularmente apreensível.

Aqui fica o vídeo (e para que não digam que sou mauzinho, expresso também um desejo de melhores para o cardeal Roger Etchegaray).

O Presépio!



Sim, eu sei que parece o presépio que já viram à porta de alguma Igreja. Mas não. Trata-se, apenas, do presépio da nossa modesta casa.

Tem rios, pontes, lagos, ovelhas, pastores, casas, moinhos, montanhas, florestas, neves eternas e....



...este ano teve até uma banda.

É a tradição natalícia no seu melhor.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!



Hoje, vão morrer em África 2880 crianças vítimas de malária, uma doença que pode ser perfeitamente tratada, se tivessem acesso a medicação própria.

Hoje, centenas de milhares (quem sabe milhões) de presos políticos vão passar a noite nas cadeias de autocracias por todo o mundo, apenas porque ousaram exprimir a sua opinião.

Hoje, durante a sua ceia de Natal, vão morrer mais de 500 pessoas de causas derivadas de complicações causadas pela SIDA.

Hoje, mais de 60 mil pessoas vão tentar cometer sucídio. Porque não aguentam mais, porque, por vezes, andamos demasiado distraídos para nos preocuparmos com o que se passa para além de nós mesmos. 3 mil vão conseguir.

Hoje, num mundo que produz alimento mais do que suficiente para todos, mais de um bilião de pessoas vão passar fome. Uma criança morre de fome a cada 5 segundos.

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Feliz Natal para todos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

1000!



Ultrapassámos, ontem, a barreira dos 1000 visitantes (46/dia ;2899 visitas, 120/dia) desde que instalámos o contador no blog. Pessoalmente, fico feliz. Significa que este projecto que se iniciou de forma unipessoal, é hoje, apesar de muitíssimo modesto, um projecto de dois irmãos que mais do que visibilidade procuram suscitar alguma discussão sobre questões que consideramos importantes.

É cada vez mais fulcral, num momento de crise grave nos media, que nos afastemos, um pouco, dos intermediários da informação. A internet e a blogosfera permitem que seja trocada informação entre os cidadãos comuns, sem manipulações ou disturções dos poderes estabelecidos.

Assim, estes projectos pessoais são cada vez mais necessários para que possamos, de forma livre e franca, expressar as nossas ideias e visões. São mecanismos importantes para que a nossa liberdade de expressão possa ser exercida.


Obrigado a tod@s por darem sentido a este projecto.


Manel e Miguel.

Mas, afinal, que querem?



Perante esta notícia, fico sem perceber, no final das contas, o que pretendem os professores.

Melhores salários não pode ser, com certeza, na medida em que são dos mais bem pagos da europa.

Desconfio que queriam continuar a ser a única classe de profissionais da função pública que não queria ser avaliada e, apesar da incompetência de alguns, continuar a ser alegremente promovida. Mas isto devo ser eu, sempre a desconfiar da preocupação dos professores que, afinal, se centra sempre nos alunos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O "Pacto" para o Papa.



O Cardeal Patriarca de Lisboa veio, hoje, negar a existência de qualquer pacto com José Sócrates no tocante à questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo (Público; i). Se existe pacto ou não isso pouco interessa, até considero natural que não exista coisa nenhuma.

Mas ninguém acha estranha a quase indiferença com que a Igreja Católica portuguesa tem reagido à mais que certa aprovação do "casamento homossexual"? Não é difícil de perceber a atitude, basta que nos lembremos do que aconteceu no ultimo referendo à IVG. A Igreja portuguesa é exímia a perceber quando se encontra derrotada à partida e quando não vale a pena iniciar a luta.

Sabe-o desde os tempos em que tinha de lidar com Salazar e D. José Policarpo é, provavelmente, um "diplomata" mais hábbil que Cerejeira. A Igreja percebe que na questão do "casamento gay" perdeu (tal como em 2007 percebeu que o referendo estava perdido). Assim, prefere não entrar numa batalha de onde só pode retirar perdas. Para além disto, convém a D. José Policarpo que a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo fique resolvida antes da visita do Papa Bento XVI a Portugal.

Que imagem dava o noso país se, durante a visita papal, andássemos alegremente discutindo os direitos de gays e lésbicas. Os altos responsáveis da Igreja Portuguesa são, neste momento, os mais interessados em que a AR aprove, rapidamente, o "casamento homossexual", mais do que o PS e do que qualquer associação LGBT. Paradoxal, ou talvez não.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Quem quer levar com a Torre de Belém?



Perante esta notícia, não me admirava nada que vários políticos portugueses viessem a candidatar-se a uma agressãozita com uma pequena réplica da Torre de Belém...

Um novo Irão?



No funeral do ayatollah Ali Montazeri, líder espiritual da oposição ao regime iraniano, foram gritados, novamente, slogans anti-regime. Desde a última, e ultra-fraudulenta, eleição presidencial no Irão que o povo se tem vindo a manifestar e mesmo as comemorações organizadas pelo regime dão o mote para a contestação.

Perante tal cenário, muito dificilmente se pode acreditar na sobrevivência do regime iraniano a longo prazo. Tenho a firme certeza de que o regime não sobreviverá à morte do actual Líder Supremo, Ali Khamenei. O regime não tem, neste momento, nenhuma figura com ampla aceitação popular (e mesmo dentro das elites espirituais iranianas) que possa, sem sobressaltos, substituir Khamenei. Contudo, Khamenei tem apenas 70 anos e, que se saiba, não padece de nenhum problema de saúde grave. Assim sendo, é natural que possa ocupar o cargo por, pelo menos, mais dez anos e até à sua morte prevejo como muito difícil uma mudança radical no governo iraniano.

A principal incógnita é saber o que se seguirá à queda da teocracia. Penso que existem boas possibilidades de o próximo regime iraniano apostar numa postura mais laica e menos liderada por movimentos religiosos. Os principais líderes da oposição não são figuras que defendam a manutenção de um estado teocrático. Agora, é importante que a postura de Israel e dos EUA mudem: as ameaças belicistas e a enorme pressão e isolamento a que poderão continuar a votar aquele país do Médio Oriente não ajudarão em nada o "novo" Irão.

Semana difícil para o Benfica...

...era o que previa Nuno Marçal, capitão da equipa de basquetebol do FC Porto, com "duas derrotas".

Estou a ver...

Ora aqui está uma e aqui temos a outra.

Obrigado e Feliz Natal.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Macau: a entrega daquilo que nunca foi nosso.



Celembram-se, hoje, os 10 anos da entrega do território de Macau à República Popular da China. A restituição foi meramente simbólica, tal como a autoridade portuguesa sobre o território o foi. O governo de facto de Macau foi sempre chinês e a presença portuguesa tolerada por conveniência dos vários regimes chineses (tendo servindo, por exemplo, para efectuar o comércio entre a China e o Japão quando o mesmo estava, oficialmente, proibido).

A presença portuguesa no território estava limitada ao Governador, a um reduzido grupo de funcionários e a meia dúzia de edifícios de traça europeia construídos durante a ocupação portuguesa. Hoje, já praticamente nada em Macau nos recorda o anterior administrador.

Macau é, actualmente, um gigantesco casino. A indústria e os outros tipos de serviços cederam lugar à construção de gigantescos casinos que geram mais lucros do que os da cidade americana de Las Vegas. Os jovens saem das universidades e preferem ir trabalhar como croupiers do que exercer a profissão para a qual estudaram, já que as diferenças de ordenado são absurdas.

Perante tudo isto, o portugu~es era uma língua, praticamente, morta no território. Contudo, nos tempos mais recentes (desde há dois anos) as intensas relações económicas da China com dois países lusófonos (Brasil e Angola- o principal fornecedor de petróleo do gigante asiático), fazem com que Macau se esteja a tornar um ponto estratégico importante para o estabelecimento destes contactos. Pode ser que, assim, o português volte a ser falado naquele terrítório que já foi "nosso".

(v. este interessante caderno no "Público")

Então e o nosso Benfica?



Como se sabe, eu até nem ligo grande coisa a esta temática, mas ver Pinto da Costa a ser "agredido" duas vezes no mesmo dia (à saída do Altis e com o resultado do jogo) põe-me um sorriso na cara.

Ah! E já desde os tempos do Barcelona que eu gostava do Saviola.


(Público; i)

sábado, 19 de dezembro de 2009

Estiveste mal Chiquinho....



Hoje, o líder do BE afirmou que a aprovação de uma lei da identidade de género ou relativa à eutanásia não são prioridades para o partido. Disse Louçã que são temas que terão o seu espaço de discussão na sociedade e no partido, mas que, de momento, o Bloco se encontra mais centrado nas questões do Orçamento de Estado e do desemprego.

Não questiono que são questões importantíssimas. Logicamente que um partido com a representatividade parlamentar do BE terá de, neste momento, lhes dar primazia. Agora, fica é bastante mal a Louçã afirmar que os temas da eutanásia e da identidade de género ainda não poderão ser discutidos num "futuro próximo", tendo de esperar alguns anos.

Habituámo-nos a ver no bloquistas os paladinos da igualdade e do progressismo social no nosso país. Louçã parece, neste momento, querer afastar-se dessa vertente que marcou a ascensão inicial do Bloco, pretendendo "normalizar" e integrar o partido no "sistema".
Assim, que espaço poderá, no futuro, ter o BE?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Tenham medo, muito medo!



Santana Lopes anunciou, hoje, a intenção de recolher 2.500 assinaturas para que se possa convocar um Congresso extraordinário do PSD. Para já afasta uma candidatura a líder do partido. Vamos lá ver, então, qual dos outros membros do "clube dos horríveis" avança (Luís Filipe Menezes ou Alberto João Jardim).

Como bem sabemos, tratando-se da pessoa do Dr. Pedro Santana Lopes, esta declaração de renúncia à candidatura não precisa de nenhuma "nova vinda de Cristo à terra" para ser abandonada. O ex-Primeiro-ministro que ainda provoca pesadelos a quase todos os portugueses tem, desde as sua noites loucas na Kapital, uma enorme necessidade de protagonismo e quando pensamos que já estava mais do que politicamente morto, volta sempre a ressuscitar, para terror de todos.

Se Marcelo não avançar, perante os outros candidatos relativamente fracos (Aguiar Branco, Passos Coelho) e se desta vez Menezes não lhe puxar o tapete, o sr. Lopes tem, efectivamente, hipóteses de ganhar a liderança do PSD. E perante a mais que desastrada governação de Sócrates, de ascender ao Governo do país...Tenhamos medo, muito medo!


(v. notícias aqui e aqui.

Ainda há muito tonto em Portugal....



Parece que aquela espécie de frente de combate à igualdade que dá pelo nome de "Plataforma Cidadania e Casamento" não desistiu dos seus ridículos intentos. Congratula-se, no respectivo site, de já terem angariado mais de 72.000 assinaturas e de estarem quase a atingir as 75.000 necessárias para proporem o referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Enfim, custa-me que, pelo menos, os constitucionalistas que integram o movimento tenham uma visão tão pobre da democracia, considerando que é direito das maiorias esmagarem as minorias. Basta ter uma formação mínima em Direito Constitucional para saber que não se referendam questões que digam respeito a direitos fundamentais.

Contudo, neste post não vou voltar a repetir argumentos já por mim, anteriormente, esgrimidos. Gostava era de derrubar a crença de que este movimento integra personalidades reconhecidas na opinião pública. Quem são elas, afinal? É que a principal cara desta espécie de campanha ultra-reaccionária é uma Sra. que dá pelo nome de Isilda Pegado. Ora, a única coisa relevante pela qual a dita criatura é conhecida é por ser uma acérrima defensora das campanhas anti-preservativo, tendo chegado, mesmo, a afirmar que o preservativo não impede a transmissão do HIV. Enfim, com gente como esta à frente do movimento, gostava, sinceramente, se saber quem são os "tontinhos" que andam por aí assinando a petição pelo referendo.

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Sobre a questão do casamento homossexual, Cavaco opta, como sempre, por não se pronunciar. Sabe que, apesar de certamente ser seu desejo e do que dizem alguns constitucionalistas filiados na direita reaccionária, não terá qualquer hipótese de impedir, mesmo com o recurso ao TC, que a lei que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo entre em vigor.


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Olha! E querem ver que afinal sempre era mentira aquela questão do sofrimento insuportável sofrido por crianças filhas de casais homossexuais. Parece que a realidade é, afinal, muito menos negra e muito mais feliz do que aquela com que os inimigos da igualdade nos tentam enganar! (v. dois exemplos tocantes aqui).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

História de encantar

Hoje vou contar uma história...

O menino 'Socas' andava num choradinho de vitimização permanente contra uma suposta coligação negativa, para se poder demitir e forçar eleições antecipadas. A certa altura demitiu-se mesmo, mas a menina Maria proibia o seu mais-que-tudo de convocar eleições e o menino Cavaco acedia (como se tivesse outra hipótese...) e chamava o PS a formar governo novamente.

"Epá e agora Vitinho (alcunha para 'Vitorino'), como é que me safo desta?" dizia o pequeno 'Socas'. Como não obteve resposta, começou ele a pensar numa solução... E 'Socas', que era muito traquinas, encontrou a solução ideal: Epá já agora aproveitava e fazia uma partida àquela velha bruxa malvada.

"O meu grupo de amigos não vai formar governo nenhum" - Disse ele, matreiro - "Chama a bruxa se queres". E com esta deixou o menino Cavaco, a menina Maria e a bruxa malvada, todos numa grande alhada.

Celebrou com uma grande cigarrada, sempre às escondidas do intrometido guarda Nunes, enquanto preparava, com a ajuda do menino Vitinho, as eleições que aí vinham...


FIM

Afinal, mais uma discriminação...



Confirmaram-se as piores, mas mais realistícas, perspectivas no tocante à proposta de lei que o Governo irá apresentar à Assembleia da República. A adopção ficará, definitivamente, de fora. Dá-se com uma mão e tira-se com a outra. No fundo, a política que Sócrates tem sempre vindo a seguir.

Como disse Ana Drago, "quando se cria uma igualdade não se pode criar uma igualdade de segunda". Estou, nesta questão, totalmente de acordo com a a Associação Panteras Rosa que consideram que se "criou um casamento de segunda". Entristece-me, por outro lado, o êxtase com que a notícia foi recebida pela ILGA. Não queria cair, porque acredito no excelente trabalho que tem vindo a ser posto em prática por esta associação, nos rumores que a dizem excessivamente próxima das posições do PS, mas...Há, afinal, assim tanto motivo para a celebração?

No tocante à adopção, o PCP (ultra-cuidadoso, sempre, nas questões ditas "fracturantes") refere a necessidade de existir um debate mais amplo sobre a questão. O único partido com assento parlamentar que se posicionou, de forma clara, pela criação de um casamento igualitário de uma igualdade verdadeira e genuína foi o BE.

Têm-me criticado por, muitas vezes, defender as posições do Bloco. Mas entre considerarmos os nossos cidadãos todos por igual ou trasmitirmos à sociedade a ideia de que os pais homossexuais serão "nocivos" para as crianças, que posição esperam que apoie?


(v. notícia também aqui- com excertos do comunicado do Governo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Sem adopção: casamento de "segunda".



Será, amanhã, aprovada em Conselho de Ministros a proposta de lei para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Governo vai optar por deixar de for a adopção, criando, a meu ver, um casamento de segunda categoria para gays e lésbicas.

Penso que esta exclusão emite um sinal claro para a sociedade: as uniões entre gays e lésbicas não são suficientemente sérias, profundas para permitirem o alargamento da família através da adopção. Está-se a dizer, claramente, que gays e lésbicas não podem ser bons pais. Contra todos os estudos feitos até ao dia se hoje, está-se a transmitir a mensagem de que casais homossexuais serão incapazes de proporcionar um crescimento saudável a uma criança.

Assim, muito me surpreende ver o contentamento com que notícias como esta têm sido recebidas em tudo quantó são associações de defesa dos direitos LGBT. Acho que por medo se teve medo de discutir, desde já, a questão da adopção em conjunto com a do casamento. Há novas quesstões "fracturantes" (eutanásia, legalização da prostituição) que terão de ser discutidas no nosso país e não haverá espaço para a questão da adopção por casais homossexuais. Oxalá me engane.

O argumento para impedir a adopção por homossexuais têm ando, quase sempre, à roda do mesmo: o interesse da criança e a discriminação que irá sofrer por ter dois pais ou duas mães (v. aqui).

Pode alguém, com honestidade, defender que uma criança está melhor numa qualquer instituiçao do que numa família "homossexual" que a ame? Quanto á discriminação, comecem então a proibir os pais que têm tendência genética para a obesidade de "procriar". Como bem se sabe, o sofrimento das crianças gordas na escola é gigantesco....


(v. notícia também aqui)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ups....



Parece que, afinal, não são só sobre ditadores africanos que impendem mandatos de captura britânicos. Contra Tzipi Livni, ex-MNE israelita, foi emitido um mandato de captura por um tribunal do Reino Unido. O motivo prende-se com os alegados crimes cometidos sobre a população civil palestiniana durante a invasão de Gaza há cerca de um ano.

Terão morrido, na altura, mais de 700 civis e o juiz britânico considerou que Livni pode ser responsável por estes crimes. Toda esta situação está a causar um enorme embaraço no MNE britãnico que sempre alinhou com a política externa israelita.

Parece que, afinal, os responsáveis israelitas não podem continuar, impunemente, a cometer crimes sobre o povo palestiniano. Más notícias para Netanyahu, boas notícias para o processo de paz israelo-árabe.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Berlusconi bonito??!



Em Milão, enquanto dava autógrafos, Berlusconi dizia: "Pintam-me como um monstro, eu não acho que seja - em primeiro lugar porque sou bonito, em segundo porque sou boa pessoa". Enfim, um cidadão italiano, como qualquer um de nós (admitamos!) faria, pregou-lhe logo com uma réplica do Duomo na cara.

É que uma coisa são os inúmeros casos de corrupção em que anda envolvido, o controlo que exerce sobre toda a comunicação social e o défice democrático em que colocou a Itália, agora, vir dizer que é bonito é que já é, completamente, diferente! Compreendo perfeitamente a atitude daquele nobre cidadão! Esperemos é que não tenha ficado muito danificada a sua réplica da Catedral de Milão. É que se for fiel ao original será lindíssima.

v. notícia aqui e aqui.

Racismo policial? Não...



A propósito desta notícia, uma pequena história:

Há cerca de um mês, a PSP da Parede montou uma operação STOP na marginal. Por volta das 3h da manhã, a minha pessoa por lá passou, como quase sempre me acontece porque tenho duas carteiras, sem carta e sem BI. Para além disso, eu desconhecia quem estava no livrete como proprietário do veículo que ia a conduzir, tendo indicado uma pessoa errada. No mínimo, penso eu, apresentei um comportamento suspeito.

Mas sabem que mais? Eu sou branco, falo e comporto-me como quem é portador de alguns estudos, estava a usar camisa...enfim, o típico rapazinho classe-média que vinha de um date em Cascais no carrinho do papá. Assim sendo, o "Sr. Agente" deixou-me ir apenas com uma notificação para me apresentar na esquadra de Oeiras com os meus documentos de identificação e habilitação legal para conduzir. Nunca fui, durante todo o tempo que durou a operação, revistado, nem sequer as autoridades se preocuparam minimamente com o facto de o carro que eu conduzia poder ter sido roubado. Afinal, eu era branco e os brancos não cometem crimes.

Ao mesmo tempo que eu desfiava o meu rol de infracções, dois cidadãos de origem africana (sub-saariana) foram, também, obrigados a parar pela polícia. Imediatamente se viram abordados por dois polícias, portadores de armas automáticas. Foram minuciosamente revistados e o veículo que conduziam, praticamente, virado do avesso. Afinal, estava tudo bem. Ao contrário de mim, aquelas duas pessoas não haviam cometido nenhuma infracção. Mas nunca se sabe não é? A polícia tinha de verificar bem: eram pretos e toda a gente sabe que são eles quem comete crimes.

Enfim, vou passar sem comentários a questão do racismo, já que me parece que se trata de um exemplo óbvio de uma situação de desproporção dos meios utilizados em relação à origem étnica do cidadão.

Fica, aqui apenas uma mensagem para os traficantes de droga: quando quiserem passar droga pelo nosso belo país, escolham um rapaz branco, com bom aspecto, á frente de um carro com aspecto condizente. Mas, esperem lá, não é já isso que fazem...?

sábado, 12 de dezembro de 2009

E por que não invadir Israel?



Numa recente entrevista (v. notícia aqui e aqui), a ser transmitida amanhã, Tony Blair admite que a invasão do Iraque se justificava mesmo que o país não dispusesse de armas de destruição em massa. Nem merece comentário o facto de Blair não admitir, claramente, que o Iraque não dispunha de um arsenal das ditas armas, o que é para mim preocupante é a justificação que o ex-Primeiro-ministro britânico encontra para a invasão militar.

Diz Tony Blair que a invasão deveria, em qualquer caso e mesmo na inexistência do referido armamento, ter lugar na medida em que o regime de Saddam representava uma "ameaça para a região" e que havia utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. É claro que, na visão de Blair, o Iraque está hoje muito melhor do que sob a ditadura de Saddam, o que sabemos que, pelo menos ao nível da segurança e da perda de vidas civis, não´é verdade. Sabemos, também, que o Iraque é, actualmente, uma ameaça muito maior para a região, na medida em que se tornou um local de primeiro nível no que toca ao recrutamento de terroristas, sendo que se tornou um "estado em vias de falhanço institucional".

Assim sendo, cai por terra a justificação de Tony Blair, até porque, ao nível da defesa das populações, o povo do Darfur, da Arábia Saudita e da RDCongo não vive em melhor situação do que a população Iraquiana e não é por isso que vemos Mr. Blair defender a invasão do Sudão e dos outros países referidos.

Uma última nota gostava de deixar. Israel é, claramente e muito mais do que foi o Iraque ou é o Irão ou a Síria, uma ameaça à estabilidade da região. Por que razão, então, nunca propôs Tony Blair a invasão do estado judeu?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

E que mal tem o casamento a 3?



Não vou, por razões mais do que óbvias (já foi amplamente explicado, tendo eu próprio abordado já o tema, e trata-se de comparações ostensivamente pouco honestas e que pretendem apenas tornar a discussão numa palhaçada), voltar a explicar por que é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não tem nada que ver com o casamento entre três ou mais pessoas (casamento poligâmico ou poliamoroso, consoante o sentido que as pessoas dêem à relação).

Essa comparação, mais do que absurda, é feita na pressuposição de que os casamentos entre três pessoas seriam uma coisa "maléfica". Diz-se: "se deixam que duas pessoas do mesmo sexo se casem, estão a abrir a porta aos casamentos entre três ou quatro pessoas" (v. comentários a esta notícia).

Aquilo sobre que gostava de inquirir é, afinal, o que tem de errado que três pessoas decidam estabelecer um projecto de constituição de família em comum e atestar isso perante o estado e a sociedade? Honestamente, não consigo pensar porque razão não poderão "ascender" ao estauto jurídico de casados se têm os mesmos propósitos na base da relação que estabelecem.

Sinceramente, que razão se vislumbra para a proibição do casamento "poligâmico" ou "poliamoroso"? Se não for aquela velha moral "pseudo-cristã", não estou a ver o que seja....

Ganha o Nobel da Paz por reforçar a Guerra...



Obama recebe o prémio Nobel da Paz porque a solução que encontrou para a paz no Afeganistão foi reforçar a guerra com mais 30.000 soldados.

E no discurso de recepção do prémio chegou, mesmo, a defender a necessidade da guerra como forma de alcaçar a paz.

Faz sentido, não é?

Não digo que um Presidente da maior potência mundial possa ser, sinceramente, um pacifista. Agora, a escolha de Obama para receber o nobel é que me parece, de todas as formas, incorrecta.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As " palhaçadas" de uma fascista que por aqui ficou.



Maria José Nogueira Pinto era, até ao dia de hoje, conhecida por ser a única mulher ostensivamente fascista a ocupar cargos públicos de relevência ("Votei Salazar, claro!" Disse, aquando daquela espécie de programa de má memória). É casada com outro eminente salazarista: Jaime Nogueira Pinto (que já mereceu um post nestas páginas). A irmã desta senhora, Maria João Avillez (que, como se sabe, criou uma amizade muito especial com o elefante amestrado de Jonas Savimbi) é, igualmente, uma referência da direita mais reaccionária do nosso pequeno país.

Infelizmente, a nossa revolução (hiperbolizada pelos círculos da direita) foi, igualmente, pequena para afastar este género de gente do nosso espectro político. É muito triste que no Portugal pós-25 de Abril ainda seja dada voz a pessoas como a "Zezinha" que, impunemente, avançam propostas racistas e xenófobas como fechar a zona da Baixa-Chiado às lojas chinesas.

Hoje, esta Senhora advinda das mais nobres famílias portuguesas e que sempre fez questão de se comportar como se a sua existência muito superior pairasse sobre a nossa banalidade chamou "palhaço" a Ricardo Gonçalves (v. aqui, aqui e aqui). "Palhaço", assim, sem mais e sem, no final, um pedido de desculpas. Uma pessoa que se dá aqueles "ares", com aquela "refinada educação".

E é, afinal, com "palhaças" como Maria José Nogueira Pinto que temos de conviver na nossa democracia. Se tivesse alguma vergonha, mascarava-se de "palhaço triste" e ia trabalhar para um circo em Ulan Bator.

Fora de mim...





Quero-me abandonar,
Deixar correr o vazio,
Ficar de fora,
Assistir somente,
Poder rir-me,
Ignorar-me, simplesmente
Diambular por aí...
Fora daqui,
Fora de mim..

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Não estava, afinal, tudo melhor com Saddam?



Perante notícias como esta (também aqui) não sei como se pode falar na realização das "segundas eleições democráticas" no Iraque. Num país onde morrem, desde a intervenção de 2003, mais de 30 civis por dia, falar de democracia é completamente ridículo. Como se pode, sequer, falar de liberdade se não existem as mínimas condições de segurança, se o próprio direito à vida se encontra completamente ameaçado?

A falta de soluções do Presidente Obama (eleito, essencialmente, porque teria uma nova estratégia para o pântano em que Bush atolou a política externa norte-americana, leva a que nada tenha mudado em relação do seu antecessor. Barack Obama é, afinal, mais do mesmo...

Perante a gritante situação humanitária que vive hoje o Iraque, já me apetece perguntar: não estava, afinal, tudo melhor com Saddam?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Se queremos existir....



Sempre me considerei um pacifista. Quando me pergunta os líderes políticos que mais admiro, lembro-me, imediatamente de Martin Luther King, Ghandi ou Aung San Suu Kyi. Acredito que, mesmo contra um poder injusto, a luta pacífica é o único meio que deve ser aceite para se alcançar a mudança. É também por esta razão que das novas super-potências tenho especial predilecção pelo Brasil, por ser um país pacífico, amante da negociação e da afirmação pelo soft-power.

É por tudo isto que tenho de afirmar com imensa pena e desgosto a minha crença na necessidade da constituição de um exército europeu (no quadro da União Europeia). Desde o início do projecto europeu que os planos para a constituição de uma força militar europeia falharam. Pode parecer paradoxal, mas falharam não porque os EUA não quissessem a constituição de um exército europeu, mas porque franceses e britânicos eram completamente renitentes em colocar os seus soldados sob um comando europeu.

Foi assim que a defesa da Europa ocidental ficou sempre a cargo da liderança Norte-Americana através da NATO. Hoje, com o desmembramento do bloco de leste, cumpre perguntar que sentido faz a continuação da aliança transatlântica. E o que fazem quase todos os países da UE dentro dessa estrutura? Quais são, hoje, os inimigos da UE? Para que precisa a UE da NATO?

Num mundo que tende para a multipolarização, a UE não pode continuar a deixar de ter um actuação militar própria. A saída da NATO é necessária e a constituição de um exército europeu, sob uma liderança europeia comum é muito importante se a UE quer ter uma voz própria e autónoma na decisão dos assuntos mundiais. Num mundo em que a Europa conta cada vez menos, é crucial que se façam algumas mundanças no sentido de evitar a completa subjugação à completamente errónea política externa norte-americana.

O MNE português afirmou que a UE deve ter uma voz própria dentro da NATO. É talvez um bom indício da procura de autonomia europeia. Mas não chega....

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Desta safaste-te Madaíl



Gilberto Madaíl, o presidente vitalício da federação portuguesa de futebol, com o seu sentido de oportunidade habitual quase metia, pela quinquagésima sétima vez, a pata na poça.

Passo a explicar. Todos nos lembramos de quando, na última pré-época, antes do sorteio para a pré eliminatória da liga dos campeões, José Eduardo Bettencourt ter vindo afirmar que a única coisa que queria era que não lhe calhasse o AS Roma. Resultado: calhou mesmo a Roma e o Sporting entrou em campo sabendo que o seu presidente não acreditava ser possível passar. Nunca é uma boa sensação.

Todos nos lembramos menos, pelos vistos, Gilberto Madaíl que cometeu o mesmíssimo erro afirmando que só não queria que lhe calhasse a Espanha no sorteio do Mundial 2010. A duas bolas do fim do sorteio pensei: "Queres ver que o gajo além de burro é pé-frio?". Mas não. Saímos nós primeiro e portanto ficamos no grupo do Brasil e não da Espanha. Ficamos para já portanto pelas cinquenta e seis.

A sorte dos portugueses ficou porém por aqui. Aposto que nos sete meses que faltam para o Mundial todos os meus pesadelos irão andar à volta destas três situações:

1. Bruno Alves a tentar evitar, com todos os seus cotovelos, joelhos e pitons....err desculpem, queria dizer com toda a sua habilidade, que Drogba marque mais de 3 golos;

2. Kalou a fugir quando e como quer a Paulo Ferreira e Duda;

3. Touré a secar completamente Deco, embora isso até um qualquer médio albanês tenha conseguido.

Do Brasil nem vale a falar... o nosso último resultado fala por si.

Quanto à Coreia do norte seria à partida uma equipa perfeitamente acessível embora claro, a Albânia também o fosse.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ainda alguém se admira?



Amanhã, o Partido Socialista irá votar contra os projectos anti-corrupção do Bloco de Esquerda (e do PCP). A desculpa é a do costume: estão a preparar projectos próprios sobre a matéria. O BE é acsado, novamente, de "oportunismo político".

Enfim, não sei como nos havemos de admirar. Desde o chumbo do "Projecto Cravinho" e do afstamento do autor para o estrangeiro (havia-se tornado uma presença incómoda que cumpria ver pelas costas) que não se pode, de forma séria, acreditar que o PS está interessado no combate à corrupção. Aliás, as próprias situações menos "sérias" que envolveram José Sócrates e as suas amizades menos recomendáveis (Varas, Jorges Coelhos e etcs.) fazem-nos perceber que quem tem telhados de vidro (ou dorme mesmo sem telhado) não se pode pôr para aí atirando pedras (contra a corrupção).

Não fosse o BE e estes assuntos nem se discutiriam em Portugal. Interessam muito ao "centrão".

Os jovens que vão mudar o mundo!= )



No domingo passado, participei, como moderador, no X Campo de Trabalho da Amnistia (onde esta ONG reúne jovens entre os 15 e os 18 anos para trabalharem questões relacionadas com os direitos humanos. A sessão que moderei dizia respeito à discriminação com base na orientação sexual e saí de lá, não só agradavelmente surpreendido, como verdadeiramente estupefacto...

Claro que os jovens que se propõem ir a uma actividade organizada pela Amnistia Internacional representam uma população especialmente orientada pela maior sensibilidade em relação ao outro e preocupação com os direitos humanos, mas, ainda assim, não haver ninguém que considerasse serem os gays mais promíscuos que os homens heterossexuais é deveras surpreendente.

É que mesmo dentro das pessoas da minha idade, de esquerda e viradas para a defesa dos direitos humanos subsiste o mito da maior "entrega afectiva" dos homossexuais masculinos. Foi muito bom mesmo perceber que, actualmente, já existem muitos jovens que não se deixam dominar pela desinformação.

Outra boa surpresa foi perceber que a esmagadora maioria daqueles jovens se posicionava favoravelmente em relação à legalização da adopção para casais do mesmo sexo e que não se deixavam enganar pelos "argumentos" de que a criança iria sofrer horrivelmente na sua socialização e que a orientação sexual dos pais determinaria a dos filhos. "Se assim fosse, não existiriam homossexuais, visto que todos os que conheço são filhos de casais heterossexuais" e "As crianças são gozadas porque são gordas, usam óculos, têm um cabelo estranho. Vão também sê-lo por terem dois pais do mesmo sexo, mas não é por isso que vamos impedir casais homossexuais de adoptar. O que importa é o amor". Foram eles que o disseram, não eu (que praticamente nada tive de corrigir na argumentação dos jovens).

A terceira surpresa e a maior, provavelmente, foi o facto de maioritariamente terem considerado que as marchas do orgulho LGBT têm efeitos positivos. Penso que só uma rapariga manifestou a opinião contrária. Estava convencido que a maioria dos jovens considerava as marchas como uma espécie de carnaval foleiro, mas, afinal, aqueles compreendiam bem o sentido das mesmas e nem sequer punham em causa o conceito de "orgulho gay".

Eu tenho 22, só 4 ou 5 mais do que a maioria dos que lá se encontravam. E a diferença entre as opiniões dos que me rodeiam, dos que têm a minha idade e daqueles jovens é gigantesca. Oxalá que este não seja um fenómeno isolado e que os jovens LGBT possam viver com menos sofrimento a sua adolescência.