quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Referendar...o quê?!





Das mentes brilhantes das criaturas que criaram aquelas espécies de associações pró-vida e pró-família (e se essa gente é se qualifica como pró-vida, então tenho de me posicionar pró-morte, tal a distância que nos separa...) saiu mais uma brilahnte ideia: referendar a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Dizem as ditas criaturas criadoras da Plataforma Cidadania e Casamento (e por que raio arranjam sempre nomes tão maus?!) "que a legalização do casamento homossexual "introduz uma alteração num instituto milenar" e produz mudanças de carácter "histórico e civilizacional" que reclamam uma consulta popular".

Bem, antigamente os cavalheiros podiam aplicar "pequenos correctivos" nas esposas, sendo isso plenamente aceite, e mesmo, nalguns casos, juridicamente protegido. Ora, fizeram essa alteração sem perguntar nada a ninguém. Eu ainda não era nascido quando se deu essa alteração, mas não sei como é que os homens abdicaram deste direito (fundamental) sem estrebucharem um pouco, ou, pelo menos, exigirem um referendo.

E qual filosofia Kantiana ou Socrática. Qual princípio da igualdade ou da auto-determinação dos povos. Qual primado do direito! O casamento gay é que vai introduzir a derradeira modificação "civilizacional"! Poupem-me o comentário...

As forças do atraso (leia-se, da direita salazarenta) perante o caminho que Portugal tem trilhado em direcção à igualdade (educação sexual abrangente nas escolas, protecção das minorias sexuais, etc) e as derrotas que tem sofrido (referendo à IVG), procuram agora um novo entretenimento. Como se não tivessemos mais que fazer, com a crise brutal que nos assola, do que a andar a aturar ratos de sacristia.

O que mais me custa é ver constitucionalistas (Paulo Otero, Jorge Bacelar Gouveia) a apoiar tal iniciativa, quando deviam saber, perfeitamente, que questões relativas a direitos de minorias não se referendam. Cabe a um Estado de Direito Democrático defender as minorias de serem esmagadas pelas maiorias. Criar a oportunidade de um "esmagamento em praça pública", através de um referendo, não só seria inconstitucional, como imoral mesmo.

E, já agora, ainda alguém, acredita que o Sócrates vai também aprovar a adopção? Mesmo os mais acérrimos defensores do mito do "Sócrates-paladino-da-igualdade" têm de reconhecer que é tonto....

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