segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A padralhada recua.

Bispos afirmam não querer confronto com o Governo na questão do casamento homossexual. Actuam com o pragmatismo que já haviam abraçado no último referendo à legalização da IVG. Percebem que socialmente perderam e que não vale a pena lutar abertamente. Mantêm a atitude discriminatória em relação à homossexualidade na versão ultra-paternalista do "hate the sin not the sinner", mas decidem recuar numa luta aberta contra aquilo que a mairoria da sociedade já entende como um natural alargamento da igualdade de direitos. Têm vergonha da posição da igreja espanhola e fazem bem: as manifs católicas em Espanha só têm levado ao isolamento em relação ao Vaticano.

Duas notas:

- Afirma-se que a Igreja, no seu interior, pode definir os seus princípios orientadores como bem entender, incluindo o tipo de discriminações que considerar aceitáveis. Pergunto-me: como se deve posicionar, então, o apoio do Estado em relação a uma entidade que não cumpre, de forma mínima, os princípios que, num Estado de Direito Democrático, consideramos fundamentais: democraticidade, igualdade, liberdade?

- As questões de igualdade e que dizem respeito a minorias não se referendam. É dever de um Estado que se diz de Direito Democrático defender as minorias de serem esmagadas pela maioria, o que passa pela exclusão do instituto do referendo neste tipo de questões.

2 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo. Porque os direitos civis não são uma escolha da maioria, mas algo que o governo tem que garantir para todos, mesmo para as minorias.
    Valores como a igualdade e a justiça estão muito acima das guerrilhas que as diferentes igrejas insistem em fazer entre si. Aliás, este tema só é uma questão para a igreja católica no que toca aos homossexuais católicos, todos os que não o sejam não precisam, nem devem ouvir quaisquer bocas e farpas que a igreja tenha para lhes lançar.

    Convém de tempos a tempos lembrar á igreja qual é o seu papel, que é, felizmente, muito diferente do papel do estado. Assim como os seus poderes, que são exclusivamentes clergicais e não civis!

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  2. A questão é que, infelizmente para os homossexuais, a Igreja é muito mais do que uma instituição religiosa. É uma entidade de poder que formata, em grande medida, o pensamento da sociedade actual, mantendo e criando preconceitos.

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