quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O racismo do "húngaro" que chegou a PR



Desde que os pieds-noirs retornaram do departamento da Argélia, depois da independência da colónia, que o eleitorado francês de extrema-direita tem sido particularmente significativo. Com a cada vez maior decadência (económica, militar, de peso político e mesmo cultural) do outrora influente gigante francês, esta tendência vem-se acentuando, tendo levado ao enorme susto de 2002, em que o ultra-fascista Jean-Marie Le Pen chegou à segunda volta das presidenciais, defrontando o Jacques Chirac (com um posicionamento já bastante à direita).

Desde Mitterrand que o Partido Socialista tem contado cada vez menos no sistema político francês, o que se revelou, recentemente, com a vitória do ultra-reaccionário Nicolas Sarkozy. Este homem que prefere combater a exclusão social em que vive a enorme comunidade imigrante francesa pela força da metralhadora e das cargas policiais, tem vindo a introduzir enormes mudanças em secotres tradicionais da ideologia política francesa. Duas transformações foram particularmente importantes: o afastamento do tradicional (e forte) laicismo francês (com uma recente aproximação à Igreja Católica) e , na política externa, o abandono do gaulismo, que vinha marcando os negócios estrangeiros franceses desde que De Gaulle ocupou o Palácio do Eliseu pela última vez. O gaulismo foi arredado por uma recente aproximação a favor dos Estados Unidos e um afastamento em relação ao continente europeu (Sarkozy reintegrou a França na estrutura militar da Nato).

A enorme xenofobia de que padece o Presidente francês conheceu o seu pico esta semana através do lançamento do debate para a definição do que é ser francês. Pretende-se, com esta discussão, encontrar uma definição da "francité" no próximo ano. Uma das questões que aparece nos portais oficiais é a seguinte: "Como evitar a chegada ao nosso território de estrangeiros em situação irregular, em condições de vida precária geradoras de desordens diversas (trabalho clandestino, delinquência) e causando, numa parte da população, suspeição do conjunto dos estrangeiros?"

Nem merece comentários o grau de racismo e xenofobia em que está submersa esta abjecta questão. Creio que a França, já amplamente dilacerada por diferenças culturais, só irá conhecer mais confrontos étnicos no rescaldo deste debate...Enfim, o país que nos trouxe a principal mudança na Europa desde a queda do Império Romano (a Revolução Francesa), ainda não encontrou o seu caminho num mundo em que conta cada vez menos e todas estes disparates só fazem com que conte cada vez menos.

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