segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Nova personagem numa bem montada ópera chinesa.



Noticia, hoje, o jornal Público, que Barack Obama alertou para o respeito dos direitos humanos na China. Afirmou o nobel da paz que "as liberdades de expressão, de culto e de acesso à informação devem estar acessíveis a todos”. Referiu um tema muito importante, as restrições ao livre acesso à internet, apelando ao fim da férrea censura aplicada pelas autoridades chinesas.

Num contexto em que a China é o principal credor dos EUA, todos estes pedidos me soam a uma enorme encenação montada pela brutal ditadura chinesa. A confirmar a participação de Barack Obama neste novo capítulo de uma bem montada ópera chinesa, fica a ausência de qualquer referência à questão tibetana e muçulmana (Xinjiang), às mortes arbitárias encomendades pelo governo, aos prisioneiros políticos, à falta total de democracia. Enfim, faltou a menção a (quase) todas as questões importantes...

Esperava-se mais de um prémio nobel que aceitar as condições chinesas no tocante ao que poderia ser dito. Mas, também, com a manutenção em funcionamento da prisão de Guantánamo e violações diárias de direitos humanos no Iraque e Afeganistão, como ter a estrutura política e moral para o fazer?

2 comentários:

  1. lol pra ti a vida é mesmo uma maravilha han? Quem percebe um mínimo de relações internacionais sabe que não se pode dizer o que se quer em reuniões desta importância.

    Quanto ao Iraque e ao Afeganistão, o que acontecia lá antes era bem pior!!!

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  2. As afirmações de Barack Obama foram feitas perante um grupo de estudantes da Universidade de Xangai, não numa reunião perante Hu Jintao ou Wen Jiabao. Grupo de estudantes, esse, tão bem treinado que se limitava a aplaudir "educadamente" Obama.
    O PR dos EUA sabe exactamente os limites que pode ultrapassar e as barreiras que tem de cumprir, agora, entrar deliberadamente numa farsa montada por um dos mais brutais regimes do mundo é que já me parece demais...

    Quanto ao Afeganistão e Iraque, é sabido que, hoje, morre muito mais gente desses países do que morria antes da intervenção americana...Mas vamo-nos preocupar porquê, se morrem todos em nome de um bem maior, não é?

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