quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A leste, nada de bom.



Tem sido em clima de festa que estão a ser vividos os 20 anos desde a queda do juro de Berlim. Há discursos, viagens a Bruxelas, encenação de derrube de muros, recordação nostálgica dos heróis do "fim do comunismo" (de Gorby ao Papa Jão Paulo II).

No dia 9 de Novembro de 1989 o capitalismo venceu o comunismo, tornando-se o sistema hegemónico mundial. Neste dia, alemães de leste correram para ocidente, em direcção à coca-cola e aos sacos de plástico(!!).

Mas foi tudo bom? Para o povo, esmagado pela brutalidade do regime da RDA e pela mais que obsessiva Stasi, foi benéfica a queda do muro? No geral, parece que sim. Conquistaram-se liberdades (expressão, escolha política, económicas), adquiriram-se direitos.

E os muitos que ficaram desempregados? E aqueles que, sem contribuírem de forma alguma para a brutal repressão comunista, estavam integrados no sistema e se viram excluídos pela competitividade capitalista?

O acontecimento ainda é demasiado recente para que possamos ter uma visão histórica isenta. Não pretendo defender que a queda do muro se saldou em inúmeros aspectos negativos. Sei que a liberdade é um valor político fundamental. Um sistema que não a garanta não pode, de forma alguma, ser justo. Mas, num momento de crise moral do capitalismo, aumentam os saudosistas da alternativa comunista/socialista.

A esquerda alemã, sobretudo a mais jovem, considera que foi perdida a oportunidade de, na reunificação, adoptar o melhor dos dois sistemas. Como diz Theresa Geissler, 20 anos, nascida na Alemanha Oriental (Pública 8/11/2009): "Tomaram o leste e aplicaram tudo". Corrobora Florian, 20 anos, alemão "ocidental": "Não foi uma fusão, foi uma tomada de controlo hóstil".

Afinal, era tudo mau na Alemanha de Leste?

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