segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Humanização do médico.

Henrique Barros, coordenador de um recente projecto de investigação sobre a violência doméstica, afirmou que, tal como os médicos medem a tensão ou auscultam, deveriam inquirir ("directa ou indirectamente" sobre se o doente sofre de violência doméstica.
Faz-me pensar. Num mundo absolutamente dominado pela despersonalização do doente e pela objectificação do corpo, como se pode criar a sensibilidade para abordar este tipo de questão? Alguém se sentirá confortável para expor a sua intimidade num consultório de clínica geral?

Sempre considerei que os médicos deviam ter uma formação fundamental, ainda que meramente introdutória, se porventura não existirem condições para mais, em Ciências Humanas. Há que criar as condições para que as pessoas possam falar, cumpre humanizar a figura do médico. Isso só se atingirá com formação. Formação numa área em que os médicos têm vindo a demonstrar ser completamente inaptos. Mesmo a cura, passa muito por factores psicológicos e não só por físicos. A dimensão humana do doente tem de ser tida em conta de forma fundamental. Oxalá os decisores o percebam.

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