quinta-feira, 19 de novembro de 2009

E, agora, a Turquia?






O democrata-cristão Herman Van Rompuy, primeiro-ministro da Bélgica e a Baronessa Catherine Ashton de Upholland, actual comissária britânica (Comércio) foram apontados e serão, com toda a probabilidade, confirmados para os cargos de Presidente do Conselho Europeu e Alto reperesentante da UE para a Política Externa, respectivamente.
Foram escolhidos dois desconhecidos da maioria dos europeus, com carreiras políticas estruturadas, mas não propriamente brilhantes ou muito inovadoras. Podíamos pensar que pior não podia ter acontecido. Nenhum dois é, contudo, conhecido no próprio país pela incompetência com que geriram os assuntos que lhes foram destinados. Já é um alívio visto ter sido a incompetência e falta de qualquer tipo de iniciativa os factores decisivos para a escolha de Durão Barroso para Presidente da Comissão Europeia. Pode ser que, afinal, consigam fazer um trabalho senão notável, pelo menos visível e que sirva para aprofundar o caminho que se tem feito em direcção ao federalismo.

Tony Blair, que era a escolha britânica, pelo carisma longa carreira polítca que possui poderia, efectivamente, ter tornado o cargo de Presidente da União Europeia num centro efectivo de poder. Contudo, uma França cada vez mais apagada no contexto europeu e uma Alemanha que não quer pretende influência não queriam perder poderio para a "Europa". Apesar de não ser propriamente um fã de Tony Blair, o que é facto é que a escolha do primeiro-ministro belga é uma facada grande no caminho para o federalismo.

Particularmente preocupante considero a posição do "novo" Presidente do CE face à entrada da Turquia na UE. Considera o político que a Turquia não faz, verdadeiramente, parte da Europa e, portanto, não faz grande sentido que possa pertencer à UE. A Turqui, geograficamente, tem uma parte que é Europa, como se sabe. E, depois, sempre considerei que era óptimo para a Europa poder conter no seu seio com um país muçulmano moderado. É certo que a Turquia ainda sofre de imensos "atrasos", nomeadamente na garantia de liberdades fundamentais e respeito pelos direitos humanos, mas penso que podia muito mais facilmente vencer esses problemas no contexto da UE. Estamos a perder muito tempo. Uma Turquia cada vez mais vulnerável ao fundamentalismo islâmico, verá com cada vez mais dificuldade a entrada na UE e será mais hóstil em relação aos países europeus...

3 comentários:

  1. Não percebi bem a cena do Tony Blair... não o queria ver lá, porque tenho uma má imagem deles, nem que seja pela decisão de invasão do Iraque, e sempre achei os britânicos muito eurocépticos e seguidores dos EUA.
    Pensei que o primeiro-ministro belga era favorável ao alargamento, mas pelo que dizes...
    E sim, também queria a Turquia na UE, e aqui na Finlândia fiquei surpreendido com o desdém com que uma estudante de mestrado falava sobre a possível adesão da Turquia à UE. Segundo ela a Turquia não precisa da UE para nada, quanto muito só para viajar mais facilmente. Acho que os Turcos estão a ficar mesmo fartos...

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  2. Tony Blair, efectivamente, alinhava imenso com os EUA, mas o seu carisma e background político poderiam fazer do cargo de Presidente do Conselho algo mais do que um fantoche nas mãos dos grandes países... Quanto ao eurocepticismo, Tony Blair até nem representava aquela veia atlantista britânica mais "fanática".

    E o primeiro-ministro belga é favorável ao alargamento da UE, contudo considera que a Turquia não é Europa e, portanto, não pertence ao âmbito dos países aos quais a UE se pretende abrir.

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  3. Esse de não considerar que é Europa é muita treta, serve para arranjar desculpas quando é preciso. É o mesmo argumento que se usa para afastar Marrocos ou Israel, quando todos sabemos que no fundo é por outras razões.

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