sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Deixem chegar o desemprego....



Noticia, hoje, o jornal Público que o número de abortos legais tem vindo a conhecer um acréscimo significativo, sobretudo na zona suburbana de Lisboa. Considero perfeitamente natural. Significa, seguramente, que os abortos clandestinos estão a conhecer um decréscimo significativo também e que as pessoas confiam no Serviço Nacional de Saúde para o tratamento de uma questão tão delicada.

Os arautos do atraso virão, com toda a certeza, defender que a legalização da IVG só está a ter como consequência o aumento do número de abortos realizados. Enfim, por razões óbvias esta afirmação é do mais falso possível. Desconhece a diminuição drástica de mulheres que têm aparecido nas urgências hospitalares com consequências de abortos clandestinos.

Contudo, para mim o mais preocupante foi descobrir que quase todos os médicos do Hospital Amadora-Sintra e S. Francisco Xavier são objectores de consciência. A classe médica só vem, assim, demonstrar, claramente, que está imbuída das forças do reaccionarismo. Como pode um país deixar que médicos se escusem ao tratamento de doentes de uma forma tão leviana? Eu até podia apostar que alguns daqueles, que no público objectam à realização de IVGs, andam alegramente pelo privado realizando-as, quando lhes acenam com belas maquias...

Enfim, como disse uma vez Maria Filomena Mónica, deixem chegar o desemprego à classe dos médicos e vão ver o que acontece a todos esses objectores de consciência. Este seria um dos casos em que uma poequena margem de desemprego seria positiva: cortar com o poderio absoluto dos médicos e torná-los mais humanos e competentes são objectivos que um estado que se propõe a fornecer os melhores serviços de saúde possíveis à sua população deveria tentar atingir.

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