quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Chamem-lhe outra coisa....



Aguiar-Branco, um dos mais recentes proto-candidatos àquele cemitério de ideias e personalidades a que nos acustumámos a chamar PSD, defendeu a ideia de criar a figura da união civil registada, por forma a evitar a legalização do casamento homossexual.

A questão tem sido colocada com enfoque na questão dos direitos. Ora, defendem, e com absoluta razão, os apoiantes do "chamem-lhe outra coisa, só não lhe chamem casamento", que todos os direitos podem ficar garantidos para as uniões homossexuais se for criada uma instituição semelhante àquela que existe no Reino Unido: a união civil registada. As associações LGBT têm perdido o seu tempo procurando fazer a apologia do casamento, porque só esta solução pode garantir os direitos no tocante a heranças, visitas familiares, protecção da família, adopção e outras coisas menores. Enfim, falta lucidez como sempre....

Mesmo na discussão eleitoral e defesa que o PS fez da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a problemática ficou sempre colada à garantia dos tais direitos "menores". A única pessoa que colocou, publicamente, a questão de forma correcta foi Migual Vale de Almeida, agora deputado pelo PS. Contudo, a partir do momento em que decidiu candidatar-se pelas listas do PS deixou, por razões óbivas, de ser ouvido por aqueles que têm dois dedinhos de testa. E, a partir do momento em que apareceu agitando uma gigante e colorida bandeira gay na sede de campanha do PS, no dia da "vitória eleitoral" do partido, cometeu, definitivamente, suicídio político, tornando-se uma carta fora do baralho numa possível futura discussão sobre a adopção pos casais homossexuais.

Como na altura referiu Migual Vale de Almeida, a garantia do casamento (e não de qualquer outra solução) prende-se com a questão do simbólico. Aprovar uma união civil registada é dizer que os casais de pessoas do mesmo sexo são, socialmente, inferiores, que não merecem o mesmo estatuto, que não podem ser vistos como iguais. Juridicamente, tudos os direitos podem ficar garantidos numa união civil registada. Sociologicamente, não.

A solução da união civil registada promete dividir deputados socialistas. No "mundinho gay" já começamos todos a ter pena de não ter votado BE, não e?

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