quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eleições....

Finalmente, vários dias após o conhecimento do descalabro eleitoral, atrevo-me a fazer algum comentário. Pior penso que seria impossível: vitória (ou mais ou menos) da arrogância do PS de José Sócrates e aumento exponencial do peso do populismo do PP do "Paulinho das Feiras".
José Sócrates reclamou uma "extraordinária vitória eleitoral" para o PS...Só isso me deixou logo completamente perplexo: JS ficou sem a maioria absoluta pela qual vinha batalhando fanaticamente, tendo perdido mais de 500.000 votos.Não sei como se pode clamar por uma enorme vitória eleitoral quando se ficou muito aquém dos objectivos traçados, mas enfim, JS é mesmo assim, por que nos haveríamos de surpreender? O que mais me custa é que a arrogância e o despotismo do líder do PS ficaram completamente esquecidos pela nova personalidade mais amistosa e consensual com que nos brindou durante esta campanha e pela escolha de candidatos a deputados mais "alternativos" como Miguel Vale d'Almeida e João Galamba.
É certo que o PSD teve uma derrota eleitoral brutal (e ainda assim conquistou, até agora, mais 6 deputados do que em 2005), mas isso deveu-se mais a uma total falta de competência de MFLeite e não a uma campanha séria e consistente por parte do PS.
O pior das eleições vem, contudo, da, agora, 3º força política: o Partido "Populista" (aka CDS-PP). Passar de 12 para 21 deputados é, infelizmente, uma vitória em toda a linha para a direita (liberal? popular? democrática?). O Paulinho procurará reunir à sua volta toda a direita, quem sabe, talvez, com futuras ambições de chegar à Presidência da República ou mesmo a S. Bento. Devaneios de um tipo cujas ambições megalómanas se revelaram, sempre, passos demasiado grandes para uma perna demasiado curta. Penso que a direita das grandes empresas, profissionais liberais, gentes tradicionais e intelecto-conservadores não vê em PPortas o seu paladino. A conquista de votos por parte do CDS deve-se mais à ausência de alternativa que o PSD representava do que à visão do PP como partido capaz de personificar uma solução. Até porque, não terá sido difícil de reparar que MFLeite apresentou sempre uma postura mais reaccionária e conservadora que Portas (fora naqueles momentos de transe em que Portas alucinava sobre o fim do rendimento mínimo). Porém, Portas consegue o seu objectivo: é o único partido (excluindo o PSD) com quem o PS atinge a maioria absoluta...Entrará para o governo com Sócrates? Parece-me que não, as ambições de Portas de congregar à sua volta toda a direita não se coadunam com a sua entrada num governo "socialista". Veremos se Portas têm o seu vício de poleiro controlado...
A CDU é, no parlamento, e como sempre, uma carta fora do baralho. Como admitiram figuras imponentes do PCP, a força dos comunistas esteve sempre nas ruas e no controlo dos sindicatos e não na sua actividade parlamentar...Assim continuará a ser...
O BE seria o grande vencedor da noite, não fora o aumento exponencial da força do CDS. Duplicou o número de deputados, e teria conseguido muitos mais se o povinho, com medo de perder o seu quintal, não tivesse caído no absurdo de acreditar naqueles que vim em Louçã o defensor magno das nacionalizações, o homem que acabaria com a propriedade privada...Enfim, aqui, a estratégia de Sócrates, Portas, com uma ajudinha do Pacheco do PSD funcionou maravilhosamente. No último momento o povo amedrontou-se e o Presidente da CIP e os grandes empresários e banqueiros puderam respirar de alívio: vão continuar milionários e com isenções fiscais fabulosas...Enfim, o povo com medo de perder o quintalinho, nem se apercebeu de que já o tem hipotecado à conta dos juros do banco...
O que mais me entristeceu, porém, foi o comportamento da generalidade da comunidade (e associações) LGBT. Muitos membros da mesma e pessoas interessadas na temática que, em Outubro, adjectivavam Sócrates de homófobo, inimigo da diversidade, expoente do oportunismo político, vêem-no, hoje, como o cruzado da igualdade...Resta-nos esperar que o aumento da força do BE possa pressionar de alguma forma Sócrates a tirar o socialismo da gaveta onde Soares o enfiou e de onde nunca mais viu a luz do dia.

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