segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E é assim numa TV qualquer...

(Uma tipa qualquer da TV, para qualquer rapazito)

-Gostavas que a Sininho fosse tua namorada?
-Não.
-Porquê? Acha-la feia?

Entre o heterossexismo e a futilidade aberrante...Boas mensagens transmitidas a uma qualquer criança...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A reinvenção do amor...

Numa entrevista recente ao Público, Álvaro Pombo, homossexual "assumido" (palavra assustadora, mas particularmente identificativa da realidade a que pretende fazer-se referência), escritor conceituado, afirmou existir a necessidade de os "homossexuais reinventarem uma linguagem amorosa". Penso que se deve falar de invenção e não de reinvenção já que a homossexualidade (masculina) nunca proporcionou, maioritariamente, vivências que permitam criar uma linguagem efectivamente romântica.
É um lugar comum referenciar os gays como sendo, significativamente, mais promíscuos que os restantes homens. Nas associações LGBT desdiz-se o mito até à exaustão; mas com que bases? Não se avançam argumentos: é assim porque o homossexual é igual ao heterossexual; há gays promíscuos, tal como existem heterossexuais promíscuos. De onde emana, então, o "boato". Diz-se: onde há fumo, há fogo. Haverá aqui fogo? Ou será este fumo não mais do que o nevoeiro produzido pelo preconceito?
Penso que, à partida, os gays não são mais promíscuos do que os homens hetrossexuais. Subsistem, contudo, factores que podem (note-se, podem, não digo que necessariamente levem a que) fazer com que os gays procurem de uma forma mais ostensiva o sexo. Em primeiro lugar, é essa mesmo a linguagem subjacente à maioria, senão à totalidade, dos locais de "convívio gay". Depois, o medo, a vergonha, a exclusão e o osbscurantismo a que ainda se encontra vinculada a homossexualidade faz com que, normalmente, os primeiros encontros amorosos e namoros entre dois homens se dêem numa idade em que o sexo já é uma parte integrante de uma relação. Aquelas "relações", que mais não são do que brincadeiras, entre pré-adolescentes de 12-13 anos, não existem nos meandros da homossexualidade. O amor desenvolve-se numa idade em que o sexo já existe e acabam por se criar confusões entre amor e sexo.
Os gays vivem cercados por uma exclusão férrea, emersos numa rejeição diária. A criação de carências afectivas graves é, pois, uma consequência natural. E o sexo, uma forma tão rápida de as neutralizar, uma estratégia de compensação poderosa.
As associações LGBT são, por outro lado, incapaz de criar uma aproximação a uma "linguagem amorosa", a uma demonstração de uma vivência mais "romântica". Vivem muito coladas a uma, ultra necessária, faceta reinvindicativa e reintegrativa que não proporciona muito espaço para outras valências.
A invenção de esta linguagem amorosa só se poderá fazer com o tempo e terá de começar com a plena aceitação da homossexualidade. Quando olharmos todos com relativamente naturalidade para dois rapazes que se sentam, num qualquer benco de jardim, de mão dada, então teremos conseguido dar um passo importante para a "romantização" dos relacionamentos gays.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais um final...


Todos os finais são, por natureza, tristes... Não têm, contudo, de ser violentos, explosivos, avassaladores... No fundo, tudo terminou como tinha começado: com calma, sem histerias, talvez, até, com alguma falta de entusiasmo...Não significa que não existisse sentimento e que não fosse profundo, eventualmente. Apenas e só não era daqueles capazes de destruir com estampido...
Não verti, ainda, uma única lágrima...Lembro-me de outro final em que o fiz durante todo um dia...e sempre que te telefonava...Era o choro da culpa, do não ter investido o que devia, do retirar mais do que se entrega...Noutro, houve a vitória, um certo sabor a vingança, a estupidez de criar a rejeição...Neste, talvez o primeiro sentimento tenha sido a surpresa...Como estava longe, distante, para não ter dado por nada..Acho que o rompimento terá surgido com um quê de naturalidade, de aceitação pré-estabelecida...
Tento não pensar no futuro, no que acontecerá...Pela primeira vez saio sem saber para onde vou, o que quero...Abandono livre, por uma primeira vez, sem nada pré-determinado, sem desejos por outrem, sem necessidades a preencher. Procuro esquecer aquilo que investi e que agora se perdeu, afinal, 6 meses não é assim tanto tempo...Acho que, no fundo, ficarão algumas boas recordações, alguns momentos especiais. Sobretudo o início, quando tudo era ainda vago e, por isso, mais liberto, foi interessante, foi particularmente agradável. Deixámos que se corroesse por falta de empenho, penso eu...
Enfim, de nada vale carpir as mágoas no isolamento e na depressão. Saio sem culpas, sem erros graves a lamentar, sem traições, sem lamúrias...Sem tristeza? Mais outro sinal da distância...?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eleições....

Finalmente, vários dias após o conhecimento do descalabro eleitoral, atrevo-me a fazer algum comentário. Pior penso que seria impossível: vitória (ou mais ou menos) da arrogância do PS de José Sócrates e aumento exponencial do peso do populismo do PP do "Paulinho das Feiras".
José Sócrates reclamou uma "extraordinária vitória eleitoral" para o PS...Só isso me deixou logo completamente perplexo: JS ficou sem a maioria absoluta pela qual vinha batalhando fanaticamente, tendo perdido mais de 500.000 votos.Não sei como se pode clamar por uma enorme vitória eleitoral quando se ficou muito aquém dos objectivos traçados, mas enfim, JS é mesmo assim, por que nos haveríamos de surpreender? O que mais me custa é que a arrogância e o despotismo do líder do PS ficaram completamente esquecidos pela nova personalidade mais amistosa e consensual com que nos brindou durante esta campanha e pela escolha de candidatos a deputados mais "alternativos" como Miguel Vale d'Almeida e João Galamba.
É certo que o PSD teve uma derrota eleitoral brutal (e ainda assim conquistou, até agora, mais 6 deputados do que em 2005), mas isso deveu-se mais a uma total falta de competência de MFLeite e não a uma campanha séria e consistente por parte do PS.
O pior das eleições vem, contudo, da, agora, 3º força política: o Partido "Populista" (aka CDS-PP). Passar de 12 para 21 deputados é, infelizmente, uma vitória em toda a linha para a direita (liberal? popular? democrática?). O Paulinho procurará reunir à sua volta toda a direita, quem sabe, talvez, com futuras ambições de chegar à Presidência da República ou mesmo a S. Bento. Devaneios de um tipo cujas ambições megalómanas se revelaram, sempre, passos demasiado grandes para uma perna demasiado curta. Penso que a direita das grandes empresas, profissionais liberais, gentes tradicionais e intelecto-conservadores não vê em PPortas o seu paladino. A conquista de votos por parte do CDS deve-se mais à ausência de alternativa que o PSD representava do que à visão do PP como partido capaz de personificar uma solução. Até porque, não terá sido difícil de reparar que MFLeite apresentou sempre uma postura mais reaccionária e conservadora que Portas (fora naqueles momentos de transe em que Portas alucinava sobre o fim do rendimento mínimo). Porém, Portas consegue o seu objectivo: é o único partido (excluindo o PSD) com quem o PS atinge a maioria absoluta...Entrará para o governo com Sócrates? Parece-me que não, as ambições de Portas de congregar à sua volta toda a direita não se coadunam com a sua entrada num governo "socialista". Veremos se Portas têm o seu vício de poleiro controlado...
A CDU é, no parlamento, e como sempre, uma carta fora do baralho. Como admitiram figuras imponentes do PCP, a força dos comunistas esteve sempre nas ruas e no controlo dos sindicatos e não na sua actividade parlamentar...Assim continuará a ser...
O BE seria o grande vencedor da noite, não fora o aumento exponencial da força do CDS. Duplicou o número de deputados, e teria conseguido muitos mais se o povinho, com medo de perder o seu quintal, não tivesse caído no absurdo de acreditar naqueles que vim em Louçã o defensor magno das nacionalizações, o homem que acabaria com a propriedade privada...Enfim, aqui, a estratégia de Sócrates, Portas, com uma ajudinha do Pacheco do PSD funcionou maravilhosamente. No último momento o povo amedrontou-se e o Presidente da CIP e os grandes empresários e banqueiros puderam respirar de alívio: vão continuar milionários e com isenções fiscais fabulosas...Enfim, o povo com medo de perder o quintalinho, nem se apercebeu de que já o tem hipotecado à conta dos juros do banco...
O que mais me entristeceu, porém, foi o comportamento da generalidade da comunidade (e associações) LGBT. Muitos membros da mesma e pessoas interessadas na temática que, em Outubro, adjectivavam Sócrates de homófobo, inimigo da diversidade, expoente do oportunismo político, vêem-no, hoje, como o cruzado da igualdade...Resta-nos esperar que o aumento da força do BE possa pressionar de alguma forma Sócrates a tirar o socialismo da gaveta onde Soares o enfiou e de onde nunca mais viu a luz do dia.